sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ás vezes...

Ás vezes o mais difícil de ser mulher é simplesmente ser mulher. Parece um absurdo inacreditável essa frase, mas na verdade, ao menos para mim, ela expressa a mais absoluta verdade, e talvez por isso pareça tão absurda, afinal toda verdade é absurda.
Quando penso na minha história de vida, de minha mãe, irmã, sogra, cunhadas, amigas.. de todas as mulheres que me cercam sinto uma dor enorme no peito, as vezes um vazio que se torna insuportável.
De fato, levamos uma vida desumana. Somos tratadas como objetos; as qualidades femininas atribuídas pela sociedade machista sempre nos equivalem a objetos: obra de arte, dádivas da natureza, bonecas... Não temos qualidades pelo que somos e somente pelo que devemos aparentar ser.
De todos os fardos que carregamos a maternidade é o mais pesado. A própria ideia de carregar de uma criança dentro de seu corpo e a responsabilidade com o bem estar dessa futura pessoa.
Ao contrário do que pode aparentar a tão falada MP sobre o bolsa gestante só serve para nos controlar mais e mais, as vezes fico pensando porque não nos colocam dentro de um jaula com correntes, seriam mais fácil para eles e para nós.
Na verdade acho que a luta pela liberdade feminina, para nos mulheres é muito mais instintiva do que racional. Passei esses dias todos pensando na moça que foi estuprada para milhões de pessoas assistirem, e nem ao menos pode contar com o apoio de sua mãe, de sua família. Ter sua vida assim dilacerada, sua intimidade invadida de forma tão brutal e estar sozinha em um lugar cheio de pessoas estranhas e com milhões lhe julgando e apontando o dedo....
Pior do que ver e ler homens defendendo o violentador, é ver mulheres defendendo o cara e dizendo que ela bebeu porque quis, afinal a mãe dela não a ensinou o que acontece com quem bebe demais.
Olha o nível de loucura e alienação em que vivemos, olha a loucura em que esse mundo está inserido.
Lamento profundamente pela moça que foi exposta dessa maneira, lamento pela sua mãe. Pelo seu desespero de ver sua filha em tal situação sem poder abraça-la para conforta-la.
E, a única que sei, que aprendi nessa vida dura que levamos, nessa vida de sofrimento e privação destinada a nós mulheres é que só a luta nos permite se libertarmos e realizarmos como construtoras de nossa própria história, de nosso corpo, de nossos sonhos e desejos.
Então lutemos por um mundo sem machismo, racismo, homofobia, xenofobia e fundamentalmente sem capitalismo.
Enquanto houver capitalismo haverá machismo, haverá estupros ao vivo, haverá Medidas Provisórias para controlar nossos úteros e ser mãe será um fardo e muitas vezes sinônimo de sofrimento e dor.