sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Indicação: Filme - Minhas tardes com Margueritte

Imagine o inusitado encontro de duas forças. Um coração bruto, angustiado, a espera de lapidação, e uma invejável sabedoria escondida num corpo franzido. Germain (Depardieu) é um homem simplório, gentil, de poucos recursos intelectuais. "Ler? Tentei uma vez e não deu muito certo", afirma. Margueritte (Gisèle Casadesus) é uma simpática nonagenária, viúva e sem filhos, apaixonada por livros. Quarenta anos e muitos quilos os separam.



O filme fala das diferenças que, mais que atrair, complementam as pessoas. A amizade inicia ao acaso, quando ambos dividem o mesmo banco no parque. Ela recitava versos enquanto o amargurado homem alimentava os pombos. Gerárd Depardieu esbanja talento em uma composição sensível e inteligente e Gisele Casadesus – com incríveis 96 anos – mantém o nível do parceiro.

A direção extrai o sentimentalismo necessário com a fruição de habilidosos diálogos e sem o uso abusivo de recursos técnicos para a composição da mise-en-scène. O resultado envolve o espectador do começo ao fim, que se emocionará com a troca afetiva dos personagens. O prazer de viver e aprender é inesquecível.