quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Boceta de Pandora

 

Já que o projeto de pesquisa não sai, vamos falar dela: A Boceta de Pandora.
Já faz alguns dias que tenho andado com isso na cabeça, só matutando e matutando.
Alguns meses atrás fui assistir uma peça sobre Prometeu, e a peça era divida em quatro cenários que eram utilizados simultaneamente pelos atores e contavam a mesma historia em versões diferentes.
Por obra do cosmo, fiquei do lado que mostrava que a caixa de Pandora na verdade era a Boceta dela e que dali saíram todas as coisas maravilhosas para os homens mas também a desgraça que se abateu sobre o mundo doravante. Na peça, era encenado que os prazeres e a vida que emanavam da Boceta de Pandora, também seriam motivos de guerras entre os homens. Que para ter todo o conhecimento necessário para o progresso da civilização o homem teria que beber do leite que escorria de Pandora, mas teria que negar o desejo que emanava de sua Boceta.
Quando lembro dessa passagem da peça, fico pensando sobre o "mal" que se esconde em nós. Ou melhor, sobre o mal que a humanidade diz estar em nós.
Em muitas passagens, em todas as culturas e religiões, haverá explicação sobre nossa natureza malévola  e essas explicações servirão de justificativa para a legitimação de nossa opressão.
Se para Adorno, o mito já era uma tentativa de esclarecimento, ou seja, através da mitologia os povos antigos já buscavam maneiras de se esclarecer para superar a barbárie a violência em que estavam imersos através da razão; de certo mitos como o da Pandora e da Eva são formulações que intentam esclarecer alguma coisa.
Fico pensando que poder oculto é esse que descansa entre nossas pernas? Quão subversivo pode ser gerar a vida? Que força é essa que temos que desconhecemos?
Na nossa boceta damos a vida a humanidade, damos conhecimento (grandes cérebros de grandes homens saíram de uma boceta), damos o prazer. 
Marcuse, em Eros e a Civilização, ao analisar do ponto de vista da filosofia os escritos de Freud, elabora reflexões muito profundas sobre a pulsão de Eros (criação) e o prazer: para evoluir o homem teve que abrir mão de seus desejos imediatos e sublima-los, domestica-los, molda-los as necessidades da civilização rumo ao progresso, mas hoje no atual processo de coisificação que vivemos, a dessublimação desses instintos acontece no sexo puramente.
Eu observo as novelas, filmes, series e percebo como esse poder oculto da Boceta é demonstrado de maneira latente: a loira fatal, a amante poderosa, a viúva negra dos contos policiais.
Mas, na vida real nós ganhamos menos, somos vitima da violência domestica, estudamos menos, somos diariamente humilhadas com piadas e assédios moral e sexual, por isso me pergunto onde está todo esse poder, será que de fato ele existe?
Somos privilegiadas por gerarmos a vida, mas também somos malditas por tudo que em potência adormece em nós.
Somos escravas de nossas bocetas: bocetas que hora são sinônimo de libertação, hora sinônimo de opressão. 
Mais uma vez a realidade se demonstra cindida: entre aquilo que se concebeu por ser e aquilo que de fato o é.

domingo, 25 de novembro de 2012

Palestina Livre



Com a retomada dos ataques a Gaza, o FaceBook tem pipocado de imagens sobre a Palestina e sobre as belíssimas mulheres palestinas.
Aqui nos trópicos, hoje é dia latino americano e caribenho de combate a violência contra a mulher, e fiquei pensando, como deve ser o cotidiano das mulheres árabes em Gaza.
Ninguém nos conta nada sobre isso! A única coisa que sabemos sobre isso são as fotos belas que circulam pela internet dessas mulheres. Quem são, como vivem, o que fazem: isso não se fala.
Procurei na internet coisas sobre isso e não tive muito exito, mas me lembrei de um livro chamado "A história oculta do sionismo" de Ralph Schoenman. Embora, no livro o autor não fale especificamente das mulheres árabes em Gaza, ele nós dá pista da história do Sionismo e do genocídio contra o povo árabe que sempre viveu em Israel.
Vejo também nas redes sociais, e ouço na rua muitas coisas absurdas; coisas de pessoas que não conhecem essa história antiga, que começou no século XIX, sempre com o apoio da Europa Ocidental, e depois de 1941 com o apoio dos Estados Unidos também.
Recomendo a leitura do livro, ele tem informações fundamentais para compreender este processo.
Mas vou reproduzir aqui, um trecho de um livro chamado " A muralha de ferro" de Jabotinsky de 1923, que é citado no livro " A história oculta do sionismo". Este livro (A muralha de ferro), para os sionistas é uma referencia para sua articulação política. 
É um texto forte, mas que para os que ainda tem dúvida sobre a legitimidade da luta do povo árabe, deixa bem claro a compreensão que os israelenses tem sobre sua ações:

"Não cabe pensar em uma reconciliação voluntária entre nós e os árabes, nem agora nem num futuro previsível. Todas as pessoas bem-intencionadas, fora os cegos de nascimento, compreenderam a muito a completa impossibilidade de se chegar a um acordo voluntário com os árabes da Palestina para transformar a Palestina de país árabe em um país de maioria judia.Cada um de vocês tem uma ideia geral da história das colonizações. Tente achar ao menos um exemplo de colonização de um país que aconteceu com o acordo da população nativa. Tal coisa nunca aconteceu.
Qualquer povo nativo considera seu país como seu lar nacional, do qual devem ser donos absolutos. Nunca aceitarão outro mestre voluntariamente. Assim ocorre com os árabes. Conciliadores entre nós tentam nos convencer de que os árabes são uma especie de tolos que serão enganados com formulações que ocultem nossos objetivos básicos. Nego-me redondamente a aceitar essa visão dos árabes palestinos.
Eles têm exatamente a mesma psicologia que nós. Olham a Palestina com o mesmo amor instintivo e o mesmo autêntico fervor com que qualquer asteca olhava seu México ou qualquer sioux contemplava sua pradaria. Qualquer povo lutará contra os colonizadores enquanto lhe reste um fio de esperança de que eles possam evitar o perigo da conquista e da colonização. Os palestinos lutarão dessa forma até que que não haja mais o menor lampejo de esperança.
Não importam as palavras com que expliquemos nossa colonização. A colonização tem seu próprio significado, pleno e imprescindível, compreendido por qualquer judeu e por qualquer árabe. A colonização tem um só objetivo. Tal é a natureza dessas coisas. E tentar mudar seu caráter é impossível. Foi necessário desenvolver a colonização contra a vontade dos árabes  palestinos e a mesma situação se dá hoje.
Inclusive, um acordo com os não-palestinos representa o mesmo tipo de fantasia. Para que os nacionalistas árabes de Bagdá, de Meca e de Damasco aceitassem pagar um preço tão alto, eles teriam de negar-se a manter o caráter árabe da palestina.
Não podemos dar nenhuma compensação pela Palestina, nem aos palestinos, nem aos demais árabes. Portanto, é inconcebível um acordo voluntário. Qualquer colonização, ainda que a mais restrita, deve-se desenvolver desafiando a vontade da população nativa. Portanto, a colonização somente pode continuar e desenvolver-se sob um escudo de força que incluía uma muralha de ferro que jamais possa ser penetrada pela população local. Esta é nossa politica árabe. Formula-la de qualquer outro modo seria hipócrita.
Mediante a Declaração Balfour ou mediante o Mandato, é indispensável a força externa para estabelecer no país as condições de dominação e defesa pelas quais a população local, independente de seus desejos, veja-se privada da possibilidade de impedir nossa colonização. Em termos administrativos ou físicos. A força há de jogar seu papel, com energia e sem indulgência. A respeito disso, não há diferenças substanciais entre nossos militaristas e nossos vegetarianos. Uns preferem uma muralha de ferro formada por baionetas judias, outros uma muralha de ferro composta por baionetas inglesas.
À censura estúpida de que esse ponto de vista não é ético, respondo: "é totalmente falso". Essa é a nossa ética. Não há outra ética. Enquanto os árabes tiverem a menor esperança de impedir-nos, eles não venderão essas esperanças por nenhuma palavra doce nem por nenhum bocado apetitoso, por que não nos enfrentaremos como gentalha e sim como um povo, um povo vivo. E nenhum povo faz concessões tão grandes sobre questões tão decisivas, a não ser quando não lhes resta nenhuma esperança, até que tenhamos tampado qualquer brecha na muralha de ferro."

Essa passagem do livro, é suficiente para explicar e dizer tudo que deve ser dito sobre a prática sistemática de genocídio e extermino de Israel.
Conhecer a história sempre nos liberta e nos possibilita reelaborar o passado para um futuro melhor. Conhecer a real história sobre Gaza e Israel, conhecer a história entre o crime e a Policia do Estado Brasileiro, conhecer a historia da opressão do Homem sobre a Mulher pode nos dar indicativos para construirmos a mudança real que tanto necessitamos.
Dedico este post a figura silenciosa das mulheres palestinas e latino americanas. 
Dedico este post a nós: mulheres invisíveis que lutamos pela nossa libertação, pela libertação de nosso povo. Junto com os homens, pois a luta é dos homens, das mulheres, das crianças, dos índios,  dos palestinos, dos favelados, dos pretos, dos pobres, dos oprimidos e dos explorados.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O simulacro de Salve Jorge!


O maior engodo da história!
Hoje, na palestra da noite, o professor da UERJ começou contando o por que a pacificação das favelas cariocas é um simulacro: porque faz algo supostamente (a PM e o Exercito dizem que expulsam os traficantes e bandidos, mas na prática ele levam atrás dele o crime de volta, numa nova roupagem), mas na verdade nada do que deveria ser feito acontece de fato - é uma simulação.
Disse, que no Alemão, depois da pacificação, a policia exigia que os comerciantes registrassem os traficantes, para que os mesmos voltassem pra favela como trabalhadores, e poderem traficar em paz. Que a PM e o Exercito, estão vendendo armas pros traficantes de Manguinhos na Baixada Santista, que chegam caminhões aos montes na favela, caminhões carregados de armas.
Que as pessoas ficam restritas as regiões que moram, por que cada canto da cidade tem seus donos. E que a única diferença é que no Morro manda o burguês através do traficante e na zona sul o burguês com o apoio do governo.
Depois da palestra, fiquei pensando, que coisa maluca é essa que acontece aqui no Rio de Janeiro. Não que em SP, não role a mesma ideologia e divisão entre as regiões da cidade, mas quando se é de fora fica mais fácil analisar.
Ouvindo o professor falar, fiquei impressionada com o tamanho da coisa, e pela primeira vez, pensei no impacto na subjetividade das pessoas uma novela como a Salve Jorge.
Como deve ser para as pessoas que moram no Alemão, depois de tudo que foi a ida do exercito para lá ver tamanha invenção!
E o pior, para as outras pessoas que não sabem de nada. As outras pessoas das outras comunidades que serão pacificadas, vão ver essas mentiras e pensarão que será assim também com elas. 
Quantas gurias não devem estar por ai se achando uma Morena a espera de seu Capitão, General ou sei lá o quê?
Outra coisa que fiquei pensando, é em como o Rio de Janeiro é uma farsa. Quer dizer, o Rio das novelas não é o Rio real que vi nesses dois dias.
É que nem SP do PSDB: só existe na campanha eleitoral a cada 2 anos!
O mais maluco disso tudo, é pensar que é um politica institucional e global de extermínio. Não existem mais muros, as coisas estão imersas no mesmo contorno: acha um motivo e bora exterminar - na Bahia, tem que matar os traficantes, no Rio é a mesma coisa, em Sp também, na Palestina os rebeldes (se pudessem diriam que lá também tem traficante, mas se não entra nem comida, como vão dizer que entra droga né mesmo).
Dessa forma, o capitalismo vai varrendo os indesejáveis do mundo: todos aqueles que estão entre eles (os malditos burgueses) e o lucro (maldito lucro).
E assim foi, e assim vai continuar sendo. Tem morrido uma média de 15 jovens por noite em SP, aqui no Rio isso já aconteceu. 
Não é por acaso que o alvo são jovens: desde a questão de diminuir a taxa de crescimento (vai ficar um abismo entre as crianças e os adultos fazendo com que a população diminua), até do ponto de vista subjetivo, estão matando as nossas possibilidades de mudança, que são as novas gerações.
Estamos vivendo imersos num grande engodo, e me pergunto quando vamos despertar criticamente para a realidade!
Mas não vamos esperar que o cantar da hora seja dado pelo opressor.
Reitero: só a luta nos liberta! Sempre!

domingo, 18 de novembro de 2012

Você já amou alguém de verdade?


Ontem eu assisti Don Juan!
Fiquei encantada com a história!
Nem preciso falar do Deep, como sempre magistral. Mas, a própria história já falava por si mesma.
A ideia da dupla realidade: ele nasceu no México ou no Queens? As máscaras que escondem quem somos ou possibilitam sermos quem quisermos. O conceito de normal e da intervenção para a normalidade, como por exemplo, os psiquiatras e os remédios. O medo daquilo que é tido por diferente.
Viajei na história, e depois do filme fiquei pensando se é possível amar de verdade.
Afinal, o que é verdade na sociedade plastificada que vivemos?
Acho que nem o Don Juan amou de verdade, ou será que as 1532 mulheres com quem ele transou podem ser consideradas 1532 amores verdadeiros?
Outra aspecto do filme que achei muito interessante é quando ele chega no quarto da Sudana e acha que não poderá esquecer o amor do passado, mas descobre rapidamente que o amor não é indivisível, e que ele pode amar quantas mulheres quiser sem que uma coisa diminua a outra, ou um amor apague do coração o outro.
E a medida que a história vai se desdobrando, vão surgindo vários elementos importantes que acenam com questões que contribuem para pensarmos os relacionamentos afetivos.
O que faz uma pessoa assumir a identidade de Don Juan? Existem muitos homens assim, mas também existem mulheres (ou deveria existir).
Na compreensão dele, amor é possibilitar a mulher que ela sinta prazer, que através dele, ela consiga entrar em contato consigo mesma. E, nas horas em que ele está com ela, ele a ama profundamente. Embora tenha suas escolhidas como a Dona Ana (aquela com quem quer dividir sua vida), ele não nega a amar da mesma maneira outras mulheres. Não é perfeito isso?
Mas na vida real, aqui embaixo da linha do Equador, as pessoas tem um pavor enorme de amar.
Demonstrar amor é sinal  de fraqueza, de inferioridade. E obviamente, já que os homens não amam, só nós mulheres amamos (porque fomos ensinadas assim), sempre somos ridicularizadas por isso. Talvez, por ter medo de amar outro adulto, nós mulheres criemos aquela áurea de amor eterno com noss@s filh@s, porque nesse caso quem vai nos recriminar?
Por outro lado, acho que esse medo do amor (principalmente dos homens de serem amados, a menos que eles permitam que os ame, ai tudo bem), também tem muito do conceito de amar Deus sobre todas as coisas: se Deus é único, meu amad@ também deve ser e devo ama-lo acima de tudo, porém, assim como exijo de Deus a salvação da minha vida e a minha felicidade, exijo do ser amad@ a mesma coisa.
Diria Bordieu que isso é o habitus, a moral judaico cristã que está inculcada em nós que nem nós damos conta disso.
No livro Justine do Marques de Sade, Juliette é atéia, e por isso, se relaciona livremente com seus parceir@s (embora tenha interesses econômicos, em alguns momentos ela também os amou) e não sofre com suas escolhas e consequências  faz o que deve ser feito e vive feliz como se pode ser. Já sua irmã Justine, sofre por acreditar que assim como deve amar a Deus como todas as coisas, deve amar e se "entregar" a um homem só, porque o amor é único; o resultado é que sofre demais com as experiências que a vida lhe proporciona: afinal, na época de Sade a sociedade já estava inserida nos primórdios da ideologia da Sociedade Industrial (lembra, onde tudo virá mercadoria, e o prazer deixa de ser sublimado e se torna realidade nua e crua - sexo também é mercadoria).
Espero que na sociedade livre, o amor também seja livre, e que assim como Don Juan, amemos com sexo e sem sexo, porque na relação estabelecida entre ele e Don Octavio, havia amor: amor fraterno e cúmplice (um precisava do outro: a história de um impulsionava o outro).
Eu conheci um Don Juan uma única vez. Mas como todos nós sujeitos do nosso tempo, ele não soube amar.

sábado, 17 de novembro de 2012

Sobre crianças e cachorros...



Período de mudança de casa, torna difícil escrever.
Mas, em meio ao caos, ontem aconteceu uma coisa magnifica.
Fazia tempo que não tomava banho com os meninos. Como é divertida as curiosidades infantis!
Depois de massagem, origami no cabelo e de cantar João e Maria do Chico (meu mais velho chama João, ele adora músicas que tenham o nome dele).
Fiquei pensando por que escolhi ser mãe? Na verdade, acho que de uma certa forma a maternidade me foi imposta também, e eu só aceitei a imposição.
Na minha família (e acho que muita mulher vai se identificar com isso) nosso passaporte para a vida adulta é se tornar mãe. 
Não é sair de casa, não é perder a virgindade, não é tomar um porre, não é fazer faculdade. É ser mãe.
Ser mãe te dá acesso ao mundo secreto das mulheres: suas conversas, suas receitas, seus chás, seus banhos afrodisíacos. 
Então, eu penso, que ter sido mãe foi meu rito de passagem.
Minha passagem para a vida adulta: seja pelo reconhecimento do meu grupo, seja com as coisas da vida mesmo (trabalho, perseverança, paciência, dedicação).
Por um tempo, tentei ser a mãe que todo mundo diz que devo ser: meus filhos em primeiro lugar, a maternidade como centro da minha existência. Mas, com a chegada do feminismo, comecei a pensar o que é de fato ser mãe.
Não tenho uma reposta sobre isso, vou me tornando mãe a medida que eles vão crescendo. Aprendendo e ensinado. Me preocupo em educa-los dentro da moral revolucionária, me preocupo com o machismo. Mas não faço dos meninos o centro da minha vida.
É preocupante mulheres que endeusam seus filhos e filhas, declaram amor eterno e único. Normalmente fazem isso quando os danados são bebês.
Acho que é mais difícil amar um cabra de 17 anos, que só quer saber de baladas e skate, não toma banho, não arruma o quarto, só quer saber de encher a cara de sábado e pegar a próxima mina.Normalmente não vejo mães declarando seu amor por figuras como essa. São poucas!
Quando vejo essas declarações de amor eterno por uma criatura de 4 meses, penso que a maternidade deve ser algo tão frustante para algumas de nós, que temos que reafirmar esse ideal monogâmico e principesco de maternidade o tempo todo (eu amo você eternamente meu filho, você é meu principezinho, minha princesinha, vou te fazer feliz para sempre, estarei sempre com você).
Não penso muito sobre a maternidade, pelo incrível que pareça.
Vivo a maternidade a medida que meus filhos crescem. Minha experiência com crianças me ajuda muito, minha formação acadêmica também. Não sei se existe esse amor assim, desmedido.
Já pensei várias vezes como seria a vida sem eles.
Mas, sem eles não haveria banho com massagem e penteado de origami, nem discussões filosóficas acaloradas sobre a coisa inacreditável que é: sobre nós mulheres não termos pipi.
Queria falar sobre os cachorros, e sobre o quanto nos é enfiado guela a baixo o senso materno, que entre parir e ter cachorrinhos, algumas mulheres (normalmente as burguesas, ou pequenos burguesa, ou as que puderam estudar mais) tem filhotes e os tratam como filhinhos.
Mas a sala tá cheia de criança, e já ouvi mais de 100 : Oh mãe!
Fica para a próxima, inclusive li um artigo de uma revista de estudos feministas que discute sobre a maternidade: afinal ser mãe é um imperativo biológico, social ou cultural?





quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Quem vai me responder?

Pelo incrível que pareça esse post começa cheio de dúvidas.
Sei o que estou pensando mais não sei por onde começar. Meu erudito preferido diria que pelo começo. Mas minha cabeça tem andando cheia de dúvidas!
Não sei se consigo escrever tudo que venho pensando e realmente não sei onde está o começo.
Essa semana tô Kid Abelha demais, e ao ouvir as músicas fiquei pensando que essas mesmas caraminholas que martelam na minha cabeça já passaram pela cabeça de outras pessoas.
Mais uma vez, o que me move, é a "guerra" afetiva que são os relacionamentos.
O eterno cobiçado jogo de sedução. Ok, pode ser que eu não saiba brincar desse jogo (na verdade acho que nunca soube  e nem sei se quero aprender).
Por que as pessoas gostam tanto de brincar de gato e rato e fazem das relações um eterno jogo de conquista?
Sabe, tipo blusinha tomara que caia: cai mais não cai, fica ali na metade do caminho.
Por que as coisas não podem ser objetivas? Por que as coisas não podem envolver afeto?
Por que é um pecado mortal se apaixonar?
É tão bom a sensação da paixão. 
Por que não se pode demonstrar afeto, desejo, saudade? Afinal de contas, o que nos difere dos outros animais?
Por que criamos essas regras malucas e descabidas? Por que? Por que?
Passei os últimos dias pensando sobre isso, e consegui algumas pistas, que acho que precisam ser amadurecidas.
Um indicativo que me pareceu interessante (e tenho achado muitas pistas nas reflexões do Marcuse naquele livro a Ideologia da Sociedade Industrial), é que essa necessidade de competição, de valoração (lembrei da historia do taco e da garantia - poxa isso me deixou sentida, inquieta) tem a ver com o consumo, com a produção em massa, com a massificação das relações e a coisificação das pessoas.
Viramos objetos, e assim nos tratamos. O que pode ser mais instigante que um jogo de cartas, onde cada jogador tem que saber como se portar e como utilizar suas cartas?
Quando penso essas coisas me sinto tão descontente com o mundo e acho que nada mais tem jeito. Estamos contaminados por essa imundice que é o capitalismo, mais do que podemos supor.
Minha triste constatação é que sou produto com defeito. 
Não seria aprovada no teste de qualidade do capitalismo, acho muito coisificado essa coisa toda de  saber jogar.
Penso, que talvez isso seja assim pela minha meninice. 
Por essa mania desenfreada que tenho de amar, de estabelecer afeto.
Porque pra mim, o que me torna humana é a minha parca capacidade de sentir afeto, de doar afeto.
Mas não sei, hoje não sei nada.
Por mais confusa que eu pareça, gosto de doar o que tenho de melhor, seja lá o que isso for,
Não sei, ficou uma escrita meio intimista essa, sem grande analises. 
Hoje estou cansada, hoje eu só quero um abraço apertado e a incerteza de que tudo dará certo.
É assim, coisas da vida na cidade grande.
Coisas dessa cidade que não ama e não nos deixa amar.
Coisas que talvez alguém saiba entender e depois me explicar.

Ps: escrevo no blog porque quem pensa na velocidade que eu penso, precisa extravasar. Chega uma hora que a cabeça não comporta tantas inquietações. Tem gente que pinta, que desenha, que bebe, que cheira, que canta, que dança. Eu escrevo, eu só penso e escrevo. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sobre tacos e afins...


O capitalismo tem umas coisas interessantes.
Desde de pequenas, nós mulheres vamos aprendendo com as mulheres mais velhas como é uma mulher de verdade.
Coisas uteis como se livrar da cólica menstrual ou das espinhas, até coisas ultra ideologicas como se garantir para não perder seu macho.
Gosto de escrever aqui no blog sobre coisas que não saem da minha cabeça, e que ao escreve-las, vou descortinando minhas próprias limitações.
Esse tema sobre "confiar no seu próprio taco" e " você tem que se garantir", me perseguem desde minha adolescência lá na Brasilândia, onde o machismo impera e os meninos fodões eram literalmente disputados a tapa pelas gúrias na porta da escola.
Mas, ouvir isso de um homem adulto, formado, foi muito impactante. Depois disso, fiquei pensando o que tem por trás de duas frases tão comum na boca das pessoas, principalmente mulheres.
Acho que toda mulher, que já ouviu isso de um cara, ficou deveras ofendida. Porque é agressivo uma pessoa dizer para você: "se você não se garante minha filha, então deixa para lá, gosto de mulher que confia no seu próprio taco, que se garante. Se não se garante não faça".
Poxa, na hora pensei: que merda cara! 
Depois, passei o domingo refletindo sobre tudo isso, sobre o quanto nossa feminilidade é legitimada pelos homens o tempo todo. Tudo é feito para agradar e seduzir os homens: lingerie, corte de cabelo, maquiagem, até o pé da gente, o jeito que pintamos a unha de nosso pé é pensado como uma forma de ser sexy para seduzi-los.
E a partir daí, nós vamos buscando o aval dos homens para sermos mulheres atraentes.
Ok, confesso que também tenho essa postura, ás vezes me percebo mendingando o aval para me sentir sexy e atraente. Em partes isso tem haver com nossa formação para sermos submissas, e tem haver com o fato do mundo ser pensando sempre sobre a lógica masculina (lembra o papo de sermos a outra?).
Outra coisa que fiquei pensando sobre esse papo de "se garantir" tem um viés extremamente economicista.
Me lembra muito produtos que para serem consumidos, que para serem comprados pelos consumidores precisam ser atraentes e estarem na garantia (ninguém quer coisa velha, fora de moda ou vencida). E mais uma vez, nos torna, a todos, homens e mulheres, produtos a serem consumidos. Como diria o Marcuse, é a ideologia da sociedade industrial que torna tudo produto industrialmente preparado, portanto produtos em massa.
Essa ideologia estabelece um padrão de qualidade a ser seguido e as pessoas precisam se moldar a isso. Pé bonito é branquinho, com unha feitinha, lisisnho. Mulher bonita tá bem maquiada, bem vestida, bem escovada, bem magra (e bem infeliz, porque viver se preocupando com a balança e com a moda deve deixar qualquer um sempre insatisfeito). E, nos somos educados a achar belo somente esse padrão, e vamos nos pautando por ele em nossa vida. Tenso e complicado. Mudar nosso próprio olhar, exige muito esforço e muita reflexão.
Mais cedo, o Marcos me explicou que o taco da conversa era o taco de sinuca, porque remete a jogada, mira, precisão, habilidade, confiança do jogador. Ai nós rimos, porque eu disse: "fudeu, sou péssima com sinuca, sou miope, enxergo torto, não sei bater na bola, sou terrível com essas coisas".
Por isso pus a foto do taco mexicano, acho que cozinho melhor e porque as vezes queimo que nem pimenta.
No fundo, esse papo de jogada, taco e garantia me cansam, porque acho tudo isso muito pasteurizado.
Não jogo, não aposto, não invento.
Não sei rodar, é verdade. Por isso preciso de bons parceiros, porque embora não saiba nunca a hora de rodar, adoro uma boa música e ficar bem agarradinho, pele com pele!

Ps: era pra ter sido um post divertido, mas tá chovendo tanto em SP, que é impossível não ficar úmido também (dia de chuva nos deixa molhados emocionalmente, introspectos).

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Abaixo o enguiço dos neurônios!


Uso pouco o Twitter. Mas essa semana rolou uma discussão bem localizada entre algumas pessoas, dentre elas uma que eu sigo na rede, em torno do tema dessa musica do Kid Abelha, e mais especificamente sobre o fato da mulher que assume sua liberdade e emancipação sexual ser tida como "vagaba" (para usar termos polidos, porque aqui na minha terra ela vai ser puta mesmo).
Fiquei pensando em como o mundo anda maluco demais.
Nessa semana também, conheci um jovem, que participa da Rede Relações Livre - SP (não sabe o que é clique aqui), que assim como eu se aproximou do grupo para ter elementos para uma reflexão teórica e racional sobre os relacionamentos não monogâmicos (seja ele qual tipo for, como eu descobri lendo os textos da RLi).
A questão que me deixou em alerta foi o seguinte: será que esse movimento da RLi é mais uma das manifestações da ideologia da sociedade industrial (onde tudo vira produto e portanto deve ser consumido em massa, sem reflexão, analise ou critica), ou se trata de uma manifestação natural dos sujeitos como forma de se libertarem da opressão imbuída no relacionamento monogâmico? 
Se for uma manifestação natural das pessoas como forma de se libertar da opressão, então legitimamente é um processo revolucionário, e todo e qualquer processo revolucionário muito me interessa. Principalmente se for um processo que possibilita a libertação da mulher de seu papel histórico de a outra (a outra criatura criada a imagem e semelhança da perfeita criatura Adão). Somos sempre as que vem depois, e é possível que no movimento da RLi nós deixemos de ser a outra para ser a parceira, no sentido mais igualitário possível.
Esse jovem que eu conheci, é ligado a música e etc, e eu acho que se no meu caso pelo nosso meio social, eu e o Marcos sofremos uma pressão pela monogamia, no caso dele, o movimento é o contrario: deve haver uma pressão pelo amor livre.
Gostei muito de ter conhecido a RLi, me trouxe  muitas questões para pensar que tipo de relacionamento afetivo, sexual, social, político, econômico, cultural quero ter com o Marcos e com outros parceir@s.  A RLi foi uma indicação do meu já famoso ex-amigo, que já tem essa concepção de relacionamento como sua forma de relacionar-se com suas parceir@s.
Coisas bem interessantes são retratados nos textos e videos, desde  como assumir essa opção relacional e  questões como a emancipação social, sexual, emocional, politica e até econômica da mulher são elementos que considero muito de vanguarda e portanto esclarecedores.
Pensar o casamento no seu contexto econômico, e por consequência que a monogamia não é coisa de casais, é principalmente uma construção cultural que influencia os solteiros e a forma como os homens se relacionam com as mulheres as dividindo entre as de casar e as de "comer" (como coisa que são eles que comem nessa relação), e a forma como as mulheres se relacionam com os homens, jogando sobre eles ora sua salvação (o príncipe encantado) ou sua desgraça (o cafajeste).
Penso que o máximo que podemos fazer é construir com o outro a nossa liberdade, e só sendo livre, talvez, seja possível ser feliz.
Refletir os processos sempre é um bom indicativo para o esclarecimento e por consequência para a emancipação.
Que tenhamos mais prazer, menos controle, mais amor e menos opressão.
Mas, também não nos iludamos. Só a luta muda a vida!
Lutemos então, por um mundo onde amar seja tão natural quanto pensar, desejar, procriar, construir e ser feliz!
Afinal prazeres já temos de menos, produtos já temos demais!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Redução da Idade Penal: 7 motivos para dizer não!



Há 22 anos, mais precisamente no dia 13 de Julho de 1990, era Promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente, como resultado direto da mobilização da sociedade civil como uma forma de garantir os direitos fundamentais a infância e juventude brasileira.
A concepção de infância e juventude no Brasil estava pautada pela lógica da doutrina da irregularidade (o filme Pixote: a lei do mais fraco 1981 - clique aqui para assistir, vai explicar bem a situação irregular da maioria esmagadora das crianças e jovens do Brasil até 1990).
Não é que após a promulgação do ECA a coisa modificou, mas pelo menos agora, há uma lei que determina que a infância e a juventude são objetos de atenção prioritária na formulação de politicas publicas e por isso mesmo são objeto de proteção integral (onde Estado, Sociedade, Família e a própria criança e adolescente também são responsáveis por si mesmos - conceito de protagonismo juvenil).
E, justamente, após 22 anos da promulgação de uma lei de vanguarda, não ter ocorridos mudanças significativas sobre a situação da infância e juventude no Brasil, que trago este post, para refletirmos sobre o porquê nós pais, educadores,jovens, sociedade como um todo, devemos dizer não a REDUÇÃO DA IDADE PENAL.
Abaixo apresento 7 motivos do porque dizer não:

1º -5,5 milhões de crianças entre 5 e 17 anos fazem algum tipo de trabalho no Brasil (dados da BBC Brasil), mesmo que elas consigam conciliar trabalho e escolarização, seu rendimento cai muito o que a leva a deixar o estudo, e quando adultos, comporem aquilo que Marx chama de mão de obra de reserva (trabalhadores que ganham baixos salários, trabalham sem direitos trabalhista, em sub-empregos ou como mão de obra semi escrava).

2º - De 48,4 milhões de pessoas entre 0 e 14 anos no Brasil, apenas 75% estão na escola, embora a Educação Básica no Brasil vá da Educação Infantil (inicio ao O ano de vida) até o Ensino Médio, o número expressivos de crianças na escola vai compreender a faixa etária de 7 a 14 anos, desconsiderando dois fatores ligados a necessidade da educação infantil: a garantia do desenvolvimento pleno e sadio e o fato de a maioria esmagadora dessas crianças serem de famílias trabalhadoras, o que coloca sua inserção na educação infantil como uma necessidade para a manutenção econômica de suas famílias  e portanto de sua existência.

3º - As crianças e adolescentes são as mais expostas a violência, sejam pelo fato de seus pais estarem no circuito da violência (presidiários ou ex-presidiários, traficantes,ladrões,prostitutas),morarem em regiões de favela sem saneamento básico e sem acesso aos serviços públicos elementares como acompanhamento médico na primeira infância crucial para o desenvolvimento.

4º - Os jovens pobres e miseráveis tem mais dificuldade em se inserir ao mercado de trabalho, muitas vezes por terem uma formação escolar defasada e de péssima qualidade, e essa dificuldade se torna um dos fatores determinantes para a entrada ao crime.

5º - As jovens entre 10 e 17 anos se tornam mãe muito precocemente, seja por falta de informação adequada e por dificuldade em acessar os serviços básicos de saúde (se já é ruim para as mulheres adultas que são mães fazerem o planejamento familiar e aprender a se prevenir,  quiça para essas meninas, afinal saber sobre sexo e sua própria sexualidade é coisa de puta).

6º - Segundo o Mapa da Violência, publicado recentemente,a cada 2 jovens brancos que morrem no Brasil, 20 jovens negros são assassinados, vitimas de extermínio por parte da policia ou grupos organizados por ela ou pela disputa de gangues e traficantes.Enquanto os dois jovens brancos mortos, serão vitima de acidente de transito na grande maioria das vezes.

7º - A dificuldade em criar, gerir e implantar politicas publicas para esse setor, demonstra o atraso politico do Governo Brasileiro com essa parcela da população (Programas como o PROJOVEM cujo objetivo é promover a formação escolar e profissional de jovens entre 14 e 24 anos oriundos dos setores mais pobres da classe trabalhadora, é a prova que são politicas ineficazes, seja pelo grande numero de abandono dos alunos, seja pela taxa de desemprego dessa faixa etária que não diminui, mesmo após 6 anos de projeto).

Eu poderia passar a tarde escrevendo vários motivos do porquê dizer não a Redução da Idade Penal, mas penso que os 7 motivos acima dão uma ideia geral da situação irregular (mesmo que a lei diga que não, que agora o paradigma é da proteção total e integral desses jovens) das meninas e meninos do Brasil.
Acredito, que antes de comprarmos discursos do Datena ou do próprio Facebook e até do Twitter, devemos nos informar mais, pensar,discutir, ponderar. Nossa juventude está imersa num universo de privação dos direitos e violência sistemática  e aceitar esse discurso de que eles são os geradores da violência, por isso devem ser punidos, é culpabiliza-los pelo descaso histórico que a Sociedade e o Poder Público lhes destinam.
Na prática a FUNDAÇÃO CASA já é uma cadeia. Tem dúvidas, veja esse vídeo de uma unidade desativada do Tatuapé, e pense qual a diferença disso que é mostrado para um presidio? As novas unidades não são diferentes.
Nossa juventude esta morrendo, cada dia mais. Os que não morrem na bala, morrem em vida porque não podem sonhar. Ai vão pro crime mesmo, como quem sabe um jeito de buscar a vida, mesmo que a vida bandida.
O  que me incomoda, é saber que entre o Pixote de 1981 e o Pixote de 2012, a única diferença são os anos que se foram. Nada além disso, mais nada.

sábado, 3 de novembro de 2012

A vagina esclarecida


Não quero que pensem que sou radical. Ou algum tipo de mulher mal amada e mal fodida. 
Não se trata disso. Não é um movimento contra os homens. Não.
A ideia desse post, surge a parir da constatação que os homens no geral tem muito medo da vagina esclarecida.
Na verdade, acho que os homens em geral, tem medo da vagina por si só, ainda mais se ela for esclarecida.
O que é uma vagina esclarecida?
Explico: essa semana estava indo pra PUC com uma amiga, e falávamos sobre a dificuldade em se relacionar afetivamente com os homens. 
Começamos a pensar o que nos afastava deles. Seria uma dificuldade linguística? Uma dificuldade astrológica? Uma questão cognitiva? E então, chegamos a conclusão que os homens (principalmente os cultos), morrem de medo de uma buceta que pensa.
Que isso é altamente assustador, mas o porquê isso acontece é que quero pensar um pouco nesse post.
Uma vez, um ex-amigo me disse, que é fantástico trepar com quem se tem troca intelectual, mas porque o medo, quando questionado sobre sua autoridade masculina?
Rompi afetiva e sexualmente com muitos parceiros por causa disso, pelo "por quê".
Não sei se falta paciência de explicar e repensar e pensar o tempo todo, mas as mentes que criam são inquietas. É um fato, fato esse que não se pode mudar.
Se uma mulher inteligente pode se tornar tão sexy, porque depois de seduzi-la ela passa a ser um fardo?
Ontem, tava de bobeira na net, e fui dar uma curiada no site da Revista NOVA (o manual da mulher moderna), fiquei chocada com as coisas que li no site (antigamente que me chocaria com o FUNK, mas acho que o FUNK pode ensinar muito mais para as mulheres sobre sexualidade, auto estima, feminismo e libertação que essas revistas e livros), basicamente, os textos tratavam sobre como ser a mulher do famoso ditado: TODO HOMEM TEM UMA GRANDE MULHER (muito, mais muito) ATRÁS DE SI.
Fico imaginando que tipo de mulher segue aquelas maluquices. Posso ter uma pista, devem as mulheres que estão sempre na moda: é moda pintar as unhas de vermelho, fazer tatuagem, ter um corte anos 80 no cabelo, andar de bicicleta, comer soja... então lá vão elas para serem do jeitinho que o sistema quer.
Sorry baby, mas isso não é e nem pode ser feminismo. Porque uma pessoa esclarecida possui todos os elementos a partir de sua razão para decidir sobre sua história, mas, se essas mulheres, precisam de uma revista para lhes dizer quem são... o esclarecimento vira mito.
São mulheres que moram sozinhas (mas papai e mamãe  dá uma ajudinha - muito embora para elas sair de casa seja uma forma de ser rebelde), que investiram em suas carreiras, não querem ter filhos, mas tem cachorro (ou vários cachorros e muitos gatos) e jardins. São descoladas, nunca querem sexo com compromisso só uma boa trepada, e depois.. cada um na sua meu bem. Só usam roupa da moda, comem em restaurantes japonês, curtem baladas incríveis  estão conectadas nas redes sociais, tem amigos e viagens pelo mundo inacreditáveis.
Só esqueceram de pensar por si próprias.
Seguem sempre a tendência do momento: se a onda agora é relacionamento livre, então essa é a onda delas.
Nelas, como diria o Marcuse: o esclarecimento virou mito faz tempo, só pelo simples fato que elas são aquilo que a sociedade concebe como a resistência. Elas são a resistência planejada.
E se tem filhos, não tem problema: a babá cuida, a doméstica lava e limpa, e assim sobra mais tempo pra ler seus manuais e ver seus filmes descolados e libertários.
Agora, eu? Pobre de mim. Só só uma vagina que pensa por si só. Que por pensar, deixa os homens broxas (coitados!).
Sou uma pária perdida entre o mundo que é (esmalte vermelho, roupas descoladas, sexos casuais, amigos arco iris), e o mundo que não é (da ponte pra cá antes de tudo é uma escola - não entendeu? clique aqui).
Eu? Sou só a vagina esclarecida.

PS: os homens pseudoformados (aqueles que se intitulam defensores da libertação da mulher, da sexualidade da mulher, mais que quando ouvem uma critica, rompem, somem, desaparecem sem nem dizer: fui, aqueles que aparentam ser o que não são) sempre gostam das mulheres NOVA. Alguns homens, reconhecem-se limitados e por perceberem suas contradições, gostam e respeitam as vaginas esclarecidas, num movimento de troca e formação constante. A maioria dos homens se afasta de mim, e algumas mulheres também. Fazer o que, se pensar é coisa de gente grande!