quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Abaixo o enguiço dos neurônios!


Uso pouco o Twitter. Mas essa semana rolou uma discussão bem localizada entre algumas pessoas, dentre elas uma que eu sigo na rede, em torno do tema dessa musica do Kid Abelha, e mais especificamente sobre o fato da mulher que assume sua liberdade e emancipação sexual ser tida como "vagaba" (para usar termos polidos, porque aqui na minha terra ela vai ser puta mesmo).
Fiquei pensando em como o mundo anda maluco demais.
Nessa semana também, conheci um jovem, que participa da Rede Relações Livre - SP (não sabe o que é clique aqui), que assim como eu se aproximou do grupo para ter elementos para uma reflexão teórica e racional sobre os relacionamentos não monogâmicos (seja ele qual tipo for, como eu descobri lendo os textos da RLi).
A questão que me deixou em alerta foi o seguinte: será que esse movimento da RLi é mais uma das manifestações da ideologia da sociedade industrial (onde tudo vira produto e portanto deve ser consumido em massa, sem reflexão, analise ou critica), ou se trata de uma manifestação natural dos sujeitos como forma de se libertarem da opressão imbuída no relacionamento monogâmico? 
Se for uma manifestação natural das pessoas como forma de se libertar da opressão, então legitimamente é um processo revolucionário, e todo e qualquer processo revolucionário muito me interessa. Principalmente se for um processo que possibilita a libertação da mulher de seu papel histórico de a outra (a outra criatura criada a imagem e semelhança da perfeita criatura Adão). Somos sempre as que vem depois, e é possível que no movimento da RLi nós deixemos de ser a outra para ser a parceira, no sentido mais igualitário possível.
Esse jovem que eu conheci, é ligado a música e etc, e eu acho que se no meu caso pelo nosso meio social, eu e o Marcos sofremos uma pressão pela monogamia, no caso dele, o movimento é o contrario: deve haver uma pressão pelo amor livre.
Gostei muito de ter conhecido a RLi, me trouxe  muitas questões para pensar que tipo de relacionamento afetivo, sexual, social, político, econômico, cultural quero ter com o Marcos e com outros parceir@s.  A RLi foi uma indicação do meu já famoso ex-amigo, que já tem essa concepção de relacionamento como sua forma de relacionar-se com suas parceir@s.
Coisas bem interessantes são retratados nos textos e videos, desde  como assumir essa opção relacional e  questões como a emancipação social, sexual, emocional, politica e até econômica da mulher são elementos que considero muito de vanguarda e portanto esclarecedores.
Pensar o casamento no seu contexto econômico, e por consequência que a monogamia não é coisa de casais, é principalmente uma construção cultural que influencia os solteiros e a forma como os homens se relacionam com as mulheres as dividindo entre as de casar e as de "comer" (como coisa que são eles que comem nessa relação), e a forma como as mulheres se relacionam com os homens, jogando sobre eles ora sua salvação (o príncipe encantado) ou sua desgraça (o cafajeste).
Penso que o máximo que podemos fazer é construir com o outro a nossa liberdade, e só sendo livre, talvez, seja possível ser feliz.
Refletir os processos sempre é um bom indicativo para o esclarecimento e por consequência para a emancipação.
Que tenhamos mais prazer, menos controle, mais amor e menos opressão.
Mas, também não nos iludamos. Só a luta muda a vida!
Lutemos então, por um mundo onde amar seja tão natural quanto pensar, desejar, procriar, construir e ser feliz!
Afinal prazeres já temos de menos, produtos já temos demais!