segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sobre tacos e afins...


O capitalismo tem umas coisas interessantes.
Desde de pequenas, nós mulheres vamos aprendendo com as mulheres mais velhas como é uma mulher de verdade.
Coisas uteis como se livrar da cólica menstrual ou das espinhas, até coisas ultra ideologicas como se garantir para não perder seu macho.
Gosto de escrever aqui no blog sobre coisas que não saem da minha cabeça, e que ao escreve-las, vou descortinando minhas próprias limitações.
Esse tema sobre "confiar no seu próprio taco" e " você tem que se garantir", me perseguem desde minha adolescência lá na Brasilândia, onde o machismo impera e os meninos fodões eram literalmente disputados a tapa pelas gúrias na porta da escola.
Mas, ouvir isso de um homem adulto, formado, foi muito impactante. Depois disso, fiquei pensando o que tem por trás de duas frases tão comum na boca das pessoas, principalmente mulheres.
Acho que toda mulher, que já ouviu isso de um cara, ficou deveras ofendida. Porque é agressivo uma pessoa dizer para você: "se você não se garante minha filha, então deixa para lá, gosto de mulher que confia no seu próprio taco, que se garante. Se não se garante não faça".
Poxa, na hora pensei: que merda cara! 
Depois, passei o domingo refletindo sobre tudo isso, sobre o quanto nossa feminilidade é legitimada pelos homens o tempo todo. Tudo é feito para agradar e seduzir os homens: lingerie, corte de cabelo, maquiagem, até o pé da gente, o jeito que pintamos a unha de nosso pé é pensado como uma forma de ser sexy para seduzi-los.
E a partir daí, nós vamos buscando o aval dos homens para sermos mulheres atraentes.
Ok, confesso que também tenho essa postura, ás vezes me percebo mendingando o aval para me sentir sexy e atraente. Em partes isso tem haver com nossa formação para sermos submissas, e tem haver com o fato do mundo ser pensando sempre sobre a lógica masculina (lembra o papo de sermos a outra?).
Outra coisa que fiquei pensando sobre esse papo de "se garantir" tem um viés extremamente economicista.
Me lembra muito produtos que para serem consumidos, que para serem comprados pelos consumidores precisam ser atraentes e estarem na garantia (ninguém quer coisa velha, fora de moda ou vencida). E mais uma vez, nos torna, a todos, homens e mulheres, produtos a serem consumidos. Como diria o Marcuse, é a ideologia da sociedade industrial que torna tudo produto industrialmente preparado, portanto produtos em massa.
Essa ideologia estabelece um padrão de qualidade a ser seguido e as pessoas precisam se moldar a isso. Pé bonito é branquinho, com unha feitinha, lisisnho. Mulher bonita tá bem maquiada, bem vestida, bem escovada, bem magra (e bem infeliz, porque viver se preocupando com a balança e com a moda deve deixar qualquer um sempre insatisfeito). E, nos somos educados a achar belo somente esse padrão, e vamos nos pautando por ele em nossa vida. Tenso e complicado. Mudar nosso próprio olhar, exige muito esforço e muita reflexão.
Mais cedo, o Marcos me explicou que o taco da conversa era o taco de sinuca, porque remete a jogada, mira, precisão, habilidade, confiança do jogador. Ai nós rimos, porque eu disse: "fudeu, sou péssima com sinuca, sou miope, enxergo torto, não sei bater na bola, sou terrível com essas coisas".
Por isso pus a foto do taco mexicano, acho que cozinho melhor e porque as vezes queimo que nem pimenta.
No fundo, esse papo de jogada, taco e garantia me cansam, porque acho tudo isso muito pasteurizado.
Não jogo, não aposto, não invento.
Não sei rodar, é verdade. Por isso preciso de bons parceiros, porque embora não saiba nunca a hora de rodar, adoro uma boa música e ficar bem agarradinho, pele com pele!

Ps: era pra ter sido um post divertido, mas tá chovendo tanto em SP, que é impossível não ficar úmido também (dia de chuva nos deixa molhados emocionalmente, introspectos).