segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Chorei até ficar cansada....


Há um conceito sobre normalidade. Em estatística, esse conceito é estipulado pela média do comportamento das pessoas, que acaba virando um padrão. O problema, é que no capitalismo, os padrões são criações pautadas na necessidade do lucro: aquilo que gera lucro é tido como normal. Embora, cada vez menos, existam pessoas que estejam dentro desse "normal".
Confesso que passo muito longe dele, embora, todos os dias, tome minha dose de normalidade.
Mas sofro, porque volta e meia me pegando imaginando como deve ser feliz a vida de quem é normal.
Você sabe, as pessoas normais ué, todas aquelas que são como a Bailarina do Chico Buarque. Todas as pessoas do mundo, ou a sua grandíssima maioria, são perfeitas como a Bailarina.
No fundo tenho inveja de quem é assim Bailarina: gente que não sente ciúmes, que não tem medo, que não sente dor, que não fica doente, que não desiste, que nunca erra, que sempre tem auto estima, que tá sempre belo, que tá sempre magro, que é sempre confiante!
Eu sou torta, sem começo e sem fim, sem garantia ou validades.
Ás vezes acho que as pessoas deviam ser como flores plásticos: já nascem perfeitas e nada lhe faz mal.
Não há nada mais trágico que uma flor morta... nada mais doído do que uma flor que depois de tanto perfume e esplendor, morreu e secou, sozinha num vaso.
Dias como o de hoje, me fazem pensar na vida. É como se o tempo cinza, me deixasse cinza também.
Penso nas coisas que já vivi, nas pessoas que conheci. Nas pessoas que amei e a vida me levou. Penso nas pessoas que não souberam me amar, e na dor que elas me causaram. Penso nas coisas que perdi: meu pai, minha filha, as ingenuidades que se foram.
Penso o quanto tudo isso foi me deixando mais dura, menos viva.
Por que se vive? Qual o sentido de tanta dor e sofrimento? Fome, guerra, racismo, homofobia,machismo, violência, trem lotado, falta de grana... por que vivemos?
Por que levantamos todo dia e nos olhamos no espelho e pensamos que hoje vai ser diferente?
Sempre que buscamos nos humanizar, criamos a meta de sermos cada vez mais Bailarina e menos gente: não sofrer, não amar, não errar, não sentir, não doar.
Hoje eu só chorei, até ficar cansada e adormeci...
Sem espelho, sem olhos vermelhos, só as flores do canteiro.