terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Eu, tu, eles...



Esse feriado, foi marcado por duas coisas dignas de nota: o aniversário da "bela" São Paulo e o incêndio na boite em Santa Maria - RS.
Antes do feriado, teve uma audiência pública aqui na quebrada, que teve a presença do traidor Netinho de Paula (já já explico o porque de traidor).
Sexta foi um dia de debate no facebook, sobre o por que não amamos SP (havia eu e mais um pequeno grupo de realistas sobre o que é a selva de pedras) e domingo foi outro embate sobre o que qualificamos como tragédia.
No dia 25 de Janeiro, a trilha sonora foi Um homem na estrada também do Racionais, uma música do vermelho anos 90, como diria o Edy Rock, fazer o que 500 anos de Brasil e o Brasil nada mudou. No domingo da tragedia,  a  gente aqui dessa cidade em guerra foi de Negro Drama.
Oh sim, morreram 245 jovens com futuros brilhantes por causa da ganancia dos capitalistas.
Mas, nesses 512 anos de Brasil quantos jovens com futuro brilhantes foram mortos nessa guerra particular? 245? Não, existe um número oficial de quantos jovens foram mortos na mão da policia, em incêndios em penitenciarias e na FEBEM e nas favelas, quantos jovens se mataram no crack por que mataram seu futuro brilhante. Não, nós não temos esse número, muitas vezes não temos nem os corpos para chorar nossas vitimas.
Se vocês me permitem, queria fazer uma analise sociológica sobre essa nossa guerra particular.
Adorno  e Marcuse vão dizer que um dos elementos de uma sociedade fascista é a paralisia da critica. Isso por que os indivíduos se acomodam ao sistema, se adensam uns nos outros. O fato do trabalhador dirigir o mesmo carro que o patrão, e o preto estudar na mesma universidade do branco, dão a falsa ideia de que há democracia e possibilidade para todos. Por isso, cabe a educação formar (formação no sentido grego) os indivíduos para que eles se emancipem e não caiam nas ciladas do fascismo.
Quando a gente pensa no fascismo, já lembramos dos alemães e dos judeus, mas temos que pensar que essa é uma das maneiras que um Estado pode exercer o fascismo. No Brasil, e em muitas outras democracias também temos um estado democrático fascista, ou a gente não consegue ver aqui uma politica deliberada de 512 anos de extermínio das ditas minorias?
Na fatídica e cômica audiência publica que houve aqui na quebrada com a presença do traidor Netinho de Paula, traidor sim,porque usou nossa cor e nossa historia para se promover e se eleger e agora tudo que faz é não fazer nada, alguém fez uma fala dizendo sobre uma nota do comandante da PM para os soldados darem preferencia nas abordagens para negros e pardos. Disseram que isso foi racismo por parte da PM, mas esperai minha gente, vamos pensar um pouco.
Adorno vai dizer, que nossa preocupação não deve ser com o racismo em si, por que ele é consequência e não causa, nossa preocupação tem que ser com o que faz um individuo se tornar racista. Estatisticamente, os bandidos são pretos e pardos.
Nossa pergunta tem que ser: porque os pretos e pardos se tornam bandidos? Quando encontrarmos a reposta, temos que nos perguntar: o que vamos fazer para que isso não aconteça?
Não sabemos de nossa história, não sabemos de onde viemos, não sabemos...
Precisamos saber, para encontrar alguma saída coerente e consequente para nossa guerra em particular.
Marcuse, parafraseando Walter Benjamin, disse que nossa esperança está nos desesperançados.
Sinceramente, enquanto buscarmos uma forma de equilibrar as coisas, não vamos romper nunca, em outras palavras, enquanto houver esperança haverá fascismo.
Temos que deixar de acreditar em Netinhos e Haddads. Nossa esperança jaz nos morros e favelas, morta com tiros de automáticas no meio da cabeça.
Netinho usa terno Armani e anda com segurança, Haddad nunca andou de coletivo as 6 da tarde de Pinheiros sentido Grajaú.
Não sei se será possível, talvez seremos todos mortos pelo homem branco, já estão matando nossa história e nossa juventude, em pouco tempo, o que sobrará de nós???

Ps: o mais cômico e trágico da tal audiência pública, é que o cara que fez a melhor fala, um cara da Agência Solano Trindade, que fez a fala mais coerente, no final foi todo sorridente tirar foto com o Netinho de Paula, ou seja, foi dar as mãos pro inimigo. É, uai, inimigo, porque aquele que não olha pelos seus, principalmente quando usou e usa os seus para ter sucesso e fama, é traidor, inimigo, é escória.