quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

De braços sempre abertos....



Não sou católica,mas a gente sabe da influência que o cristianismo tem na nossa sociedade.
Principalmente na construção de conceitos como casamento, amor, fidelidade,homem, mulher,maternidade,paternidade e por ai vai.
A imagem da virgem Maria, sempre placida e de braços abertos, pronta para receber qualquer um de qualquer maneira e inundar nos de amor e compreensão  guarda em si a mais clara definição do papel da mulher em nossa sociedade.
Nós mulheres temos que ser assim, sejamos católicas, candomblecistas  feministas, revolucionárias, budistas, ateias, rica, pobre, negra, branca, latina, norte americana, africana  asiática  Não importa, sempre nos cobram que estejamos com os braços abertos.
Sempre temos que ceder primeiro, sempre temos que entender mais, sempre temos que nos dedicar mais; para que os homens possam fazer o que deles é esperado: conquistar e destruir.
Mesmo que sejamos nós, as que conquistam e destrõe (a poderosa da Alemanha Angela Merkel e a Hilary Clinton nos EUA que o digam), sempre é esperado de nós que nossos braços estejam abertos.
Quem não se lembra do escândalo envolvendo os Clinton e o sexo oral da estagiaria? E a cara dela diante das câmeras enquanto o marido fanfarão pedia desculpas pro estadunidenses?
Os filhos choram, e é  nos nossos braços, que eles pedem apoio e conforto. O companheiro tem problema, é nos nossos braços que eles procuram compreensão e apoio.
E nós? Nós não precisamos de nada disso, nós somos aquela que esta sempre de braços abertos.
As vezes isso é consciente, as vezes não. Ás vezes fazemos isso e nos resignamos com nossa função de Virgem Maria, as vezes fazemos por que alguém tem que fazer o serviço sujo.
Eu? Eu só queria um Virgem João, para que eu não precisasse fazer todo o trabalho sujo.
Na sociedade administrada que vivemos, cuja relações são fragilizadas e esvaziadas, onde a vida não tem sentido ou significado que não seja a próxima viagem no álbum do Facebook, ou a próxima palavra de ordem virtual, as virgens Maria se multiplicam e se acomodam: apoiar, acolher e acomodar o outro é preciso.
Não sei, mas cada dia que vivo sobre a Terra, vou me convencendo que nada mais tem jeito. Estamos todos fadados ao nosso fardo ou ao nosso prazer.
Prazer e fardo convivem juntos, numa relação permanentemente dialética.
Desconstruir essa concepção do ser mulher é desconstruir a forma como a sociedade existe e funciona.
Que consigamos construir uma sociedade com mais  Joanas que matam dragão, do que Virgem Marias que estão sempre de braços abertos.