sábado, 2 de fevereiro de 2013

Por que a gente é assim?


Odeio festinha de criança. Só não odeio mais do que reunião de pais.
Penso, que o que essas duas coisas tem em comum é o quão patético são essas atividades.
Na reunião de pais, o que me irrita profundamente é o tom maternal  - psicótico das professoras para conosco, as imbecis mães. Odeio quando se dirigem a mim e me chamam de "mãe"  e dizem: Olha mãe, presta bastante atenção, por que eu vou explicar. É como se elas não soubessem conversar conosco, pessoas adultas, como se fala com adultos. 
No caso das festinhas das crianças, é um ritual tão sem sentido e bobo, que faz com que sejamos forçados a sorrir e acenar o tempo todo. Sempre há um clima tenso do tipo: olha como sou chique, olha a festa que fiz pro meu filho. E sempre rola um racha entre as famílias da mãe e do pai. E, isso não é coisa de pobre não. Desde a época que eu trabalhava com buffet, já era assim. Alias, quanto mais grana, mais competitivo e mais patético.
Gosto de reunião de pessoas queridas, que se juntam para celebrarem mais um ano de vida de uma criança querida por todos. É diferente. 
Mas na verdade, não é esse o tema do post, quer dizer, tem haver também.
Ontem vi um filme, chamado Muito além do método, e relata a relação de Freud e Jung. Já vinha algum tempo pensando, por que somos assim.
Por que nos mutilamos, por que insistimos em nos animalizar cada vez mais. Nós, seres humanos, estamos nos coisificando e se coisificando cada vez mais, e quanto mais eu penso, menos sentido e saídas eu vejo para o mundo.
Poderia usar milhares de exemplos banais do cotidiano, mas, para não fugir muito,vou ficar com a reunião de pais.
Em tese, a reunião de pais, deveria ser um espaço onde professora e família, iriam trocar impressões sobre o desenvolvimento e aprendizagem da criança, mas o que nós observamos é o seguinte: os pais estão apreensivos por que não sabe o que os espera, ou estão agressivos porque estão cansados dos problemas que os filhos lhe causam (afinal, a maternidade/paternidade é algo lindo, ninguém diz que o bebê babão cresce e os problemas deixam de ser cólicas e podem ficar bem, bem sérios). As professoras colocam seu maior salto, sua melhor maquiagem e sua melhor roupa; nos olham com aquele ar superior e algumas vezes de nojo frente aquele bando de mulheres sentadas. Não sabem estabelecer conosco um dialogo adulto, nos tratam como se fossemos estúpidas, e sempre tem a frase de auto ajuda cristão sobre as dadivas da maternidade, o sermão sobre o papel da família  que nunca cumprimos e termina com o sermão 2 sobre o quanto elas se esforçam para educar nossos filhos (já que nós não fazemos isso).
Isso me deixa tão irritada, por que sempre parece que sou um lixo de mãe, mas ela que estudou e usa salto sabe mais do que eu, e por isso, "me ensina" como ser a família.
Fico pensando, qual a dificuldade das pessoas de olharem o todo:a professora se desdobra para educar 45 crianças, e tem o SARESP, e tem seus problemas, e tem a sondagem. OK.
Mas nós, pais e mães, também temos muitas coisas, e na sociedade da ilusão que vivemos, sempre há uma distância entre o que deve ser e o que é de fato.
Toda essa criação dos contos de fada sobre família  maternidade, casamento, atrapalha muito nossa capacidade de entrarmos em contato com a realidade para elaborar e interferir na mesma.
A gente fantasia demais, cria estereótipos demais, superestima e espera coisas que não são possíveis.
A minha grande pergunta é: por que a gente é assim? Por que a gente precisa fingir ser algo que não? Por que por o maior salto para representar a professora que você gostaria de ser? Por que gastar dinheiro com um festão, e tentar representar a família Doriana que você queria ter? Por que não podemos simplesmente encarar a realidade, de que a vida é uma droga, e que para muda-la é preciso de muita coisa, principalmente perceber a realidade como ela é?
Freud diria que é preciso mostrar ao paciente a realidade, para que ele se conscientize sobre ela. Jung diria que o paciente pode escolher o que é e quem quer ser.
Eu fecho com Freud. Triste, duro, sombrio, pouco esperançoso, mas, verdadeiro. Muito verdadeiro.

Ps: antes que digam que estou me restringindo a uma discussão sexista, quando me refiro só as professoras, alerto, que escrevo no blog somente sobre minhas experiências pessoais. Desta forma, só tenho ido em reunião de pais, feitas por professoras da Educação Infantil. E odeio cada minuto que tenho que ficar nas malditas reuniões.