sexta-feira, 31 de maio de 2013

As tristezas dessa vida!


Poucas coisas me deixam triste ou me inspiram tristeza, mas a imagem de uma mulher solitária bebendo num bar, depois de um dia de trabalho, com a expressão cansada e vencida, apertam minha alma.
As pesquisas apontam que as mulheres sempre são minoria em relação ao uso de drogas, vicio em álcool e envolvimento no crime.
Penso que esses dados tenham eco na realidade. Ontem fui no centro espirita que frequentei a muito tempo, com essa coisa toda do tumor, minha mãe acha que isso é um castigo por ser ateia, ai para acalma-la (e talvez me acalmar) fui lá. Mas, já não consigo mais sentar lá e ouvir a palavra de Deus em vão.
Ontem, sentada lá, fiquei pensando em duas coisas: primeiro que a cada dez pessoas 8 eram mulheres. Daí fiquei pensando, por que a maioria das pessoas são mulheres? Uma possível explicação, é o fato de que segundo os frankfurtianos, a cisão homem-natureza, colocou a mulher no campo da natureza, bem como a religião. Esse processo de separação,objetivou a dominação,ou seja, que para progredir,o homem precisava dominar a natureza e tudo que havia ou estava próximo dela. Meu orientador, costuma colocar uma coisa, que acho fundamental, é que a mulher não só representa a natureza, mas representa fundamentalmente a natureza sexual que o homem precisou reprimir para que pudesse seguir rumo a civilização.
Pois bem, retomando a questão da maioria feminina nas religiões, acho que isso se explica, com o fato, da mulher buscar na religião um apoio para sua fragilidade construída a partir das relações culturais, é como se o discurso consolador das religiões, discurso esse que confirma sua submissão e sua necessidade de submissão. A maioria das mulheres tem uma vida de cão, e de repente você vai num lugar que diz que sua vida de cão é uma dádiva, isso pode ser um alivio.
Na lógica da cisão homem-natureza, e a necessidade de dominação do homem, tenho a impressão que o homem se aproxima da religião, com o intuito de dominação das massas religiosas, em 5 anos frequentando o centro espirita, nunca vi uma mulher palestrante, ou seja, nunca vi uma mulher que dominasse os ensinamentos de cristo a ponto de ser sua profetiza, mas sempre vi muitas mulheres nos serviços auxiliares.
Quando vejo uma mulher, num boteco, bêbada, depois de um dia de trabalho, me sinto mal e fico pensando o que o sistema tem feito com a gente.
O alcoolismo é uma doença, que mata, mas que ninguém liga. O que faz uma mulher, desistir de tudo que nos é oferecido como "alternativa" para aguentarmos essa vida e se entregar, é uma coisa que me inquieta.
Para mim, não existe nada mais triste nessa vida.
É uma medida extrema, e eu imagino, o quão de sofrimento, essa mulher já não viveu.
Mês de maio,mês das mães. Mãe, a coisa mais importante da nossa cultura, a coisa mais sagrada que nos ensinam.
Nada mais triste, que ver uma mãe, uma mulher, uma trabalhadora,uma mulher negra, ser carregada para casa pelos filhos,simplesmente porque ela não aguentou mais as dores dessa vida.
Que venha Junho,porque esse Maio,já era. 

domingo, 12 de maio de 2013

(In) Feliz Dias das Mães!


Outro dia vi no Facebook alguém que escreveu o significado dos dias das mães. Não me lembro em detalhes, mas tinha um fundilho católico.
Bem, o capitalismo tem o mérito de transformar tudo em mercadoria, e os dias mães, a segunda maior data do varejo brasileiro, não é diferente.
Além de mercantilizar com o lance dos presentes, ainda coisifica a maternidade a tornando algo inatingível.
Bom, vamos começar pela lei, adoro a lei e sua capacidade de normatizar tudo.
Pela lei, só somos mães até o cabra ou a cabra atingirem a maioridade aos 18 anos, e acho isso perfeito, porque aos 18 o sujeito ou a sujeita deve ter condições de se virar no mundão.
Mas a sociedade, ao sacralizar a maternidade, nos empurra para um mal estar sem fim, e nos obriga a criarmos com  a mesma devoção devida a um bebê cada marmanjo barbado, e os marmanjos barbados que casaram com nossas filhas.
Sinceramente, eu não vejo grande vantagens em ser mãe: trabalho sem férias, descanso, prestigio, retorno, salário. E nunca para, só aumenta.
Mesmo o tal do amor materno, eu me questiono se de fato existe, o que penso, é que filho é um projeto tão grande, que requer tanta dedicação, que devotamos a ele o mesmo amor que um fumante devota a um maço de cigarro. E só. 
As crianças crescem, desenvolvem personalidade, que nem sempre agradam a mãe, vai viver sua vida, dar as suas cabeçadas, aprender a correr nesse mundão e a vida segue.
A maternidade nada mais é, do que uma função social, que se tornou culturalmente, algo mágico e divino.
Esse discurso do mágico e divino tem duas finalidades: nos oprimir, por que ficamos presa aos filhos, e nos enganar para que aceitemos de bom grado a (in)felicidade de ser mãe.
Ser mãe pra mim é isso, ser feliz e infeliz ao mesmo tempo.
Depende de como surgiu o projeto criança na sua vida, depende de como desenvolver o projeto criança, depende se você tem grana pra pagar baba, comprar Pampers, pagar convênio, comprar papinha da Nestlé e Nan. Depende.
Em regra, no capitalismo se você tem dinheiro, você pode comprar a sua felicidade. Se não tem, bem...ai é outra história. 
Hoje eu desejo que só por hoje, as mães dos presos, seja na FEBEM ou nas detenções, sejam menos humilhadas nas revistas, hoje eu desejo que as Mães de Maio daqui e da Argentina sintam menos a dor de ter seu projeto assassinado impunemente, hoje eu desejo a todas as mulheres que passam fome para que seus filhos tenham de comer possam se alimentar dignamente, hoje eu desejo que todas as mães que apanham de seus maridos com medo de sair de casa e sem saber como cuidar dos filhos sozinha se sintam amparadas e confortadas e rompam com o ciclo de violência, hoje eu desejo que as mães que se acabam no crack e no álcool sintam-se bem com sigo mesmas e superem o vicio rumo a uma vida mais humana.
Hoje, eu desejo, que todas as mulheres oprimidas e exploradas, possam se libertar da opressão, começando pelo peso da maternidade.
(In)Feliz Dias das Mães a Todas Nós!

Ps: Amo meus projetos crianças (João e Pedro), mas esse dito amor, não me impede de perceber que a maternidade em via de regra é uma cadeia invisível, implacável e opressora.