segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Isso também é Brasil...




Vitória, Espirito Santo, Brasil.
Mas podia ser Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Maceió, Porto Alegre, Rio Branco, Cuiabá.
São jovens, na sua maioria pretos, mas todos pobres, e já dizia Caetano: pobre são como coisas.
O vídeo acima foram extraído do excelente post "Shopping Vitória: corpos negros no lugar errado", do blog Negro Belchior (clique aqui).
Já faz um tempo, que não escrevo no blog (a patrulha do cuidado negra, com o que você escreve, não pense muito, isso faz mal) me estressa demais, e também com as tarefas do mestrado e da vida, fui deixando na reserva a escrita por aqui.
Mas dessa vez, foi diferente. ver os videos e os últimos acontecimentos (como o caso dos meninos negros no Ceara que são barrados de andar no shopping por estarem de bermuda e chinelo), e, a eminência dos dados da minha pesquisa, me senti compelida a escrevinhar alguns pesamentos.
A Cidade de SP tem aproximadamente 2 milhões de jovens de 15 a 24 anos, desse total 35% vive em situação de privação, miséria e violência. Alguém ai, além de mim, acha isso assustador?
A imagem, dos meninos sendo submetidos a uma situação de vexamento, e a forma como os capatazes dos senhores de engenho os tratava, me lembrou muito as fotos da escravidão (é, os escravos também era obrigados a caminhar em fila indiana, ora com a mão na cabeça, ora segurando o ombro do negro da frente), e posteriormente, ao senta-los e coloca-los com a mão na cabeça e a cabeça entre as pernas (exatamente igual fazem com os presos durante as operações pente fino nas penitenciárias), me deixou enjoada.
Depois, quando a molecada pega no cano e vai pro arrebento, as pessoas se escandalizam.
Como esperar amor e fraternidade de quem só teve ódio, sofrimento e dor?
No penúltimo post, escrevi sobre o esvaziamento das experiências, que o mundo dos adultos está deixando para as novas gerações. Penso, que mais do que esvaziamento das experiências, nós não estamos deixando nada para nossos jovens, a não ser uma enorme divida e um buraco que muito dificilmente veremos tampados, ainda nos próximos trinta ou cinquenta anos.
Pode parecer exagero, mas só preto e ou pobre sabe o que acontece.
Me entristece, pensar que passa o tempo e as coisas ficam cada vez pior: a euforia dos indivíduos ao ver a PM oprimir a molecada preta e pobre é vergonhoso.
Realmente, deve estar na hora de termos consciência humana, porque a maioria de nós não é nem consciente e nem humano.
Começo o texto dizendo, que o vídeo podia ser de qualquer lugar do Brasil, podia mesmo, só não podia ser uma coisa: brancos, só não podia serem jovens brancos.