quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Eu tenho medo.


Eu tenho os mais diversos tipos de medo.
Mas, os que tem me acometido no último período são os medos maternos.
Olho pros meus filhos, em especial pro João, que é o mais velho, e fico pensando que se eu pudesse, o deixaria livre dos males desse mundo.
Ao terminar essa frase, já ouço um certo alguém me dizer, que devo lutar para que ele cresça num mundo humano e justo. Mas aí eu penso: que bom seria se as desgraças desse mundo, só o atingisse na idade adulta.
Amanhã é o primeiro dia de aula dele na escola, digo, no 1ºAno do Ensino Fundamental, e ele está todo motivado, empolgado, ansioso. 
Fico pensando nas possíveis frustrações, desde a professora ou professor ser um profissional estressado (pelos anos de exploração trabalhista), de que as coisas não saiam como ele está imaginando. A escola é pequena, a sala é super lotada (38 alunos!), faltam recursos didáticos.
Mas, ás vezes também penso, que a expectativa dele pode ser bem simples: socializar com outras crianças e ocupar o lugar dele nesse espaço importante que é a escola.
João valoriza muito a escolarização e a leitura. Talvez pelo fato de ambos sermos professores (eu e o pai), então, desde a gestação, ele está inserido no mundo escolar.
Me dói tanto que ele tenha que sofrer, que tenha que vivenciar experiências de racismo, preconceito social. Me dói saber que por mais inteligente que ele seja, a sociedade o olhará e o tratará como se ele fosse menos por que é negro.
Ah, se eu pudesse privar ele dessas coisas feias da vida.
Mas eu não posso, tudo que eu posso fazer, é ensinar pro meus filhotes que só a luta muda a vida, e que somos negros não importa o que haja. Que temos orgulho de nossa descendência africana.
É assim que supero meu medo, supero ele, com fé na luta e de que a nossa luta de hoje será a deles amanhã.
Me sinto, como se eu mandasse o João para um matadouro, por que a gente sabe que a escola pública é terreno ardiloso, e que lá tem de tudo.
Se eu pudesse dizer alguma coisa para a nova professora ou professor do João, eu diria: tenha fé camarada, a sua luta é a nossa luta!
Mas um ano começa, todos nós aprenderemos coisas novas. Sejam os números ou a letras, seja como ser menos egoísta, seja como amar mais e sofrer menos.
Que seja bem vindos os novos aprendizados.
Que sejam bem vindos!