domingo, 6 de julho de 2014

O caso do vagão rosa: vagão só para mulheres, sociedade só para homens


Reza a lenda urbana, que numa cidade enorme como São Paulo (aproximadamente 92 milhões de habitantes), onde 52% da população são espécies do sexo feminino, um simples vagão de trem na cor de rosa, por cada composição, livrará as mulheres da violência sexual diaria neste meio de transporte.
Essa mesma lenda, afirma, que dessa maneira, só será vitima de violência quem quiser, já que, embora as mulheres sejam maioria, um vagão por composição será o suficiente para  protege-las.
A mídia, que alimenta essas lendas, mostra em seus programas, diariamente, ora sutil, ora escancarado, as mulheres como objeto: de desejo, de consumo, de decoração, de submissão. Na mídia, as tais mulheres, são sempre novas, e quanto mais novinha melhor. 
Há um programa em especial, um tal de Zorra Total, que não por acaso (ou seria acaso?), tem um quadro onde uma mulher é assédiada, e demonstra gostar, afinal ela é feia, que mulher feia não ia gostar de ser abusada, não é mesmo?
Mas, esse papo de mulher feia sendo abusada é noticia velha, e, na terra tão tão distante onde se passa a lenda do vagão rosa, noticia velha não embrulha nem peixe da feira. 
Nessa terra, os homens, evoluídos e esclarecidos, não conseguem controlar suas pulsões, e o único jeito de proteger os cavalheiros do terrível diabo de buceta, é criar um vagão só para mulheres.
Mas vale a pena dizer, que na terra onde essa lenda se passa, os homens não sabem pensar, e tem dificuldade em entender que uma saia curta, um decote ou um copo de cerveja não são jeitos meigos dizer SIM, POR FAVOR ME ESTUPRE, coitados, são tão ignorantes.
Bem, no fim da lenda, é dito, que nessa terra onde essa lenda se passa, o futuro das mulheres é sombrio, e a moral da história é que mesmo estando uma mulher no comando desta grande nação, mesmo as mulheres sendo a grande maioria, nós só merecemos um vagão, nós só precisamos de um vagão.

sábado, 5 de julho de 2014

Pelo direito a felicidade!


Ando sentindo uma dor esquisita no peito.
É uma dor que fica ali, doendo, doendo, doendo.
Me pergunto, como se sente algo, que não sabe de onde vem ou por quê?
Sabe, essa dor me impede de escrever, de sorrir...
Essa dor as vezes me impulsiona, as vezes me para, as vezes me faz gritar, as vezes me cala...
Vejo essa dor em outros rostos, outras histórias, na minha memória...
Essa dor me faz gente, e eu me pergunto: o que é ser gente?
Gente é levantar cedo, trabalhar, pagar as contas, sorrir ao ver um cachorro, discutir a crise mundial, acreditar que o céu é o limite?
O que nos faz feliz? A propaganda diz que é o Pão de Açucar, ou um cartão de crédito.
Fiz tudo que me disseram: cresci, estudei, casei, tive filhos, militei, e mesmo assim, não me vejo gente, não me sinto gente.
Me sinto carne, a carne mais barata do mercado, a carne negra.
Me sinto multidão, sem rosto, sem nome, sem história, sem passado, sem presente, sem futuro.
Me sinto puta, perdida, largada, sozinha, execrada.
Me sinto nada.
Dói, a dor que sinto dói. Não no corpo, não na alma, não na consicência, é uma dor que dói, sem quê nem porquê, sem lugar ou endereço.
Sinto, e tudo que sinto, é que junto com nossos direitos, deviamos ter o direito a felicidade.
Mesmo, sem saber o é ser feliz, como é ser feliz, como se pode ser feliz... acho mesmo que todos nós, deviamos ter o direito de ser feliz.