quinta-feira, 4 de setembro de 2014

São eles, são elas!



Saudações leitora, saudações leitor!
Obrigado pela paciência de ler essas mal escritas linhas!
Mas, se você veio até aqui, vamos ao que interessa!
Tenho uma tendência incontrolável de escrever sobre coisas que me mobilizam, e, nada tem me mobilizado mais, que os alunxs da escola em que trabalho.
É fascinante a diversidade e a vitalidade, recheada de resistência e sobrevivência daqueles meninos e meninas.
Veja você, a escola é opressora, dominadora, castradora, formatadora (e não formadora), mas ainda assim, eles conitnuam lá, todos os dias esperando algo de novo, algo que lhes dê sentido.
Hoje, eu estava no portão, esperando meu horário, e fiquei ali, olhando aqueles corpos jovens, docializados (ou não?), e pensando na inquietude, na necessidade latente que eles têm de viver desesperadamente a vida.
De repente me dei conta, que talvez essa nessecidade frenética, urgente, desesperada, impulsiva de viver o aqui agora com  maior intensidade possível, esteja ligado ao fato de que, eles sabem que não viverão muito.
Outro dia uma aluna me contou que dois dos seus irmãos tinham morrido em troca de tiro com a PM e um outro estava preso em Salvador, daí o motivo da família ter vindo para São Paulo.
É uma urgência desesperada a deles, e me parece, que isso não tem só a ver com a liquidez dos dias de hoje. É algo viceral, desesperado, sofrido, inadiável.
Diz a crendice popular, que a escola á o passaporte para uma vida melhor, e as vezes me pego pensando, se do jeito deles, não é isso que eles esperam da escola: o passaporte para uma vida sem dor nem drama, com direito a ir ao Mc Donalds e o Habbis (alguns vão dizer que isso é desnecessário, mas, faça o experimento de passar na frente do Mc todo dia, e sempre se perguntar: que gosto isso tem, ou de pensar que lá deve ser um lugar legal, que a felicidade deve morar ali, afinal, todo comercial tem gente rindo, e feliz), de ter uma mãe igual da novela, uma vida igual da Malhação, sei lá, de ter e ser tudo o que a sociedade esfrega na cara deles todos os dias, e diz ser sucesso. 
Talvez, eles tenham a esperança, que na escola encontrarão a solução para o pensamento mais incomodo, a satisfação do desejo mais maluco, ou qualquer outra coisa, que faça valer a pena levantar cedo no frio, e ficar 5 horas num lugar, onde até para ir no banheiro, você deve pedir permissão (segundo eles, até na cadeia ladrão pode cagar sem pagar um sapo).
Que lugar é esse, que é pior que a cadeia, mas que é feito para formar cidadãos de bem e trabalhadores habilidosos? Que lugar é esse, que mesmo não gostando, eles vão todos os dias?

Afinal, o que eles e elas, querem da escola?