quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Onde queres...


Eu sou uma pessoa, que me mobilizo a partir das coisas que me afetam. Essencialmente na perspectiva dos sentidos e dos desejos. Mas poucas pessoas afetam meu desejo.
Acho que lidar com os sentimentos, é o mesmo que medir o grau do seu nível etílico: é impossível fazer isso sozinho.
Por um lado, sempre que uma sensação nova, um querer me desestabiliza, fico feliz por que sei que ainda sou humana, por outro lado, isso é muito ruim, por que no geral, os quereres me desestabilizam.
Marcuse (esse danado), disse certa vez numa entrevista (parafraseando o lindo do Benjamin), que a força geradora não é a tecnologia é o nosso querer, que nossa vida, a intensidade de nossa vida é medida pelo quanto queremos. Ainda nessa entrevista, Marcuse diz, que o efeito mais nocivo da industrialização em massa, e sobretudo do crescente avanço da tecnologia na sociedade moderna, não era só a destruição da natureza e o acirramento da desigualdade social com o aprofundamento da miséria, mas fundamentalmente o impacto disso tudo em nossa subjetividade.
Ele dizia, que lhe parecia, que quanto mais tecnológica fica nossa sociedade, mais tecnológica serão nossas relações (e veja bem, Marcuse falava em 1962), e mais vazios e robóticos ficaríamos: seja no padrão estético engessado, seja na consciência moldada a imagem e semelhança da industria cultural, seja na sexualização hiperativa, repressora e excessiva (porque sexualidade hiperativa, também é uma forma de repressão do sujeito - daí vem a noção de desejo socialmente construído). 
Marcuse dizia que a miséria, a exclusão e o abismo social é resolvido com mudanças econômicas, politicas e ideológicas, mas o impacto desse esvaziamento na formação do individuo podia deixar marcas que poderiam demorar gerações, gerações e muitas gerações para ser superado.
Ás vezes, invejo as pessoas esvaziadas e guiados pela lógica da cisão razão-sensibilidade. Queria ser alguém, que visse o outro como mero objeto que precisa satisfazer minhas necessidades, por que então, as coisas me abalariam menos, ou simples, não me abalariam.
Fico feliz, quando uma pessoa me mobiliza e transpõe aquilo que julgo ser minha racionalidade. Por outro lado me dói, por que em via de regra o outro não me percebe assim, e normalmente isso me dói.
Ontem fui ver de novo, o filme da Angela Davis, chorei de novo, ontem foi meu aniversário, ontem, minha racionalidade foi transposta.
O mais tocante para mim, no filme da Davis, foi a relação dela com o George Jackson, e o quanto isso a torna mais revolucionária, ao menos aos meus olhos. O amor é a coisa que mais nos humaniza, porém, nossa referencia de amor, é o amor burguês, exclusivista, possessivo, egoísta, mesquinho, controlador, castrador.
Construo minha relação pautado na ideia do amor camarada, e entristeço, quando encontro pessoas que tendem a reduzir tudo a uma racionalização desenfreada e desnecessária.
Que possamos ser livres, que nosso prazer possa ser livre, que nossa vida possa ser livre, que nosso amor seja livre.
Que nos façamos livres.
Obrigada você, que me pôs a refletir e a me humanizar.
Hoje meu voto, é que muitos e muitas de nós possa saber o que é o amor, o que é amar.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

New York Parte 1 (Bogotá-Colombia)


Uau! É verdade, eu realmente fui para NYC! E realmente encarei os dotô na Columbia University.
Podemos dizer, que essa viagem teve três partes: 1º Bogotá-Colombia, 2º Columbia University, 3º Harlem. Como é muita coisa para contar, vou escrever cada parte num post.
Bora lá?
Saimos de Sp na sexta a noite, a ideia era irmos no show do Ba antes da viagem, porém pegamos trânsito e decidimos ir direto para o aeroporto. Pegamos o voo e tudo tranquilo, com exceção da turbulência na parte que sobrevoamos a Amazonia, eu realmente achei que ia morrer, o avião balançava demais e chovia muito.
Chegamos as 5:30 da madrugada em Bogotá, fizemos os tramites e fomos dar um rolê em Bogotá. 
É uma cidade muito linda, mais achei cara, 50 dolares renderam 95 mil pesos, e mal conseguimos passar a manhã.
Bogotá parece uma cidade de porte médio do interior de SP. As montanhas ao fundo dão um ar mistico a cidade. Fomos de coletivo até o centro histórico, se perdemos no meio do caminho e pegamos um táxi. Levamos um pelé do táxista (normal) que cobrou 4 mil pesos a mais, do que custaria a viagem.
Ao descermos na praça Simon Bolivar, encontramos um cara que disse ser americano falando em inglês (oh coitado) mas quando dissemos que não tinhamos dinheiro ele foi embora. Ah, antes de levarmos um pelé do taxista, tomamos café, eu comi um doce delicioso chamado Mariposa (é massa folhada com a borda coberta de chocolate). Super recomendo. 

Enquanto tiravamos fotos dos prédios históricos na praça Simon Bolivar (na praça fica o centro administrativo do País, como o palácio presidencial), conhecemos um artista de rua, que fez um cartão romantico pra mim e pro Marcos <3. 

Fomos no Museu da Moeda, no Museu do Botero, no Museu de Arte Moderna, passamos na biblioteca Nacional, tiramos foto na faixada do Centro Cultural Gárcia Marques, descobrimos a 25 de Março colombiana, e almoçamos num restaurante local, um prato que não lembro o nome mas que tinha o melhor frango que já comi em 28 anos de existência!


O Museo Botero é uma delicia! Aquele monte de imagem de pessoas gordinhas, me senti em casa. Voltamos para o Aeroporto, e embarcamos sentido NYC. Essa parte da viagem foi tranquila, sem turbulência (graças a Jah!).

Em relação a Bogotá, o que eu recomendo: usar o transporte coletivo, é extremamente rápido, limpo e eficiente. As mulheres colombianas se parecem muito com as brasileiras, e lá também há negros, e segundo o taxista, eles vivem em seus bairros próprios. 
Essa parte do bairro próprio eu não entendi, mas imagino que deve ser o Capão Redondo de lá.
Para quem for passar em conexão por Bogotá, e quiser ir ao centro historico (todos os museus são gratuitos), é só pegar o onibus no portão 7 do Aeroporto Internacional El Dorado, descer no Portal Eldorado (nome do terminal de ônibus) e pegar o onibus sentido Universidades e descer na praça Simon Bolivar, você chega em 40 minutos e paga 5000 pesos ida e volta (por pessoa). Lá também tem bilhete único, então é bem tranquilo.
As fotos abaixo são a vista do pátio interno do complexo dos museus e a vista da rua do centro histórico, onde ficam os museus em Bogotá, a faixada da Cadetral da Sé e a visão geral da praça Simon Bolivar.





No próximo post conto como foi chegar em NYC e as primeiras aventuras na terra do Tio Sam.