quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Politizar o privado é preciso....



Recentemente, temos visto e lido uma onde de denúncias de abusos sexuais virtuais, cometidos por homens contra suas múltiplas parceiras.
Até aqui, ok. Por ser um espaço ricamente sexualizado, a internet também pode ser um espaço de opressão sexual e afetiva.
O que tem chamado minha atenção, frente a tais fatos, é a forma como os processos são conduzidos.
Todo mundo que é adulto, e minimamente saudável gosta de putaria, o problema no entanto, é o quanto nossa formação cristã, do faça o que quiser desde que ninguém saiba está preso em nós mais que nossa pele.
Outro problema de nossa formação cristã, é o fato de precisarmos romantizar as relações para podermos justificar nossos desejos, enquanto a putaria for entre os dois, por debaixo dos panos vale tudo, o problema, é quando ela deixa de ser exclusiva ou ganha proporção pública.
Na minha pequena opinião, estamos diante de um problema que está para além da misoginia ou machismo, ela está no nosso individualismo racional.
Nos dois casos recentes, que não vou citar exemplos, mas quem não perde um capitulo da facenovela entenderá, quando os dois homens rejeitam suas parceiras, elas iniciam um processo de denúncia e escracho público dos dois, difamando e caluniando.
Bom, para mim, isso não é feminismo.
Não posso pegar uma bandeira coletiva, histórica e reduzir ao meu interesse momentâneo.
Ou um relacionamento já nasce marcado pelos princípios igualitários, alimentado pelo feminismo, para que ele seja construído em bases libertadoras, ou o feminismo será um mero joguete, seja na mão do homem (que pode se valer disso para oprimir a parceira) ou na mão da mulher (que pode usar isso para expor o parceiro depois de um relacionamento não exitoso).
Temos que aprender, que todo e qualquer relacionamento (uma foda momentânea, um casamento de anos, uma amizade, a militância) é uma prática politica, marcado por normas e regras de condutas, que todos os participantes devem acordar e concordar.
Cabe a nós mulheres feministas, temos que doutrinar nossos parceir@s dentro dos parâmetros do feminismo e os homens que apoiam o feminismo, devem estimular suas parceir@s e amigxs a refletirem e ampliarem suas práticas sociais-afetivas-politicas-sexuais.
O que vejo e percebo, é que no gogó todo mundo é tudo, mas na hora do vamos ver, as pessoas são isso ou aquilo dentro da necessidade delas.
Isso não é revolução, isso é politica do umbigo: se for bom pro meu umbigo posso ser isso ou aquilo: posso ser até preto, mesmo que seja de família européia com muito orgulho.
O desafio que está posto a nós revolucionári@s de bom coração, é rompermos em nós e no nosso círculo mais imediato de convívio as marcas da colonização em nossa formação: um outro paradigma de relação afetiva-sexual, de indivíduo, de liberdade, de razão. 
Precisamos mergulhar na história e sobretudo na filosofia, para aprendermos a nos olhar e descobrirmos quem somos.
Enquanto isso, difamar a nós mesmos em rede social, é no minimo imoral, e consequentemente contra revolucionário.
Para finalizar, o que quero dizer, é que ou temos coragem de assumir nossas escolhas, desejos e gostos, estejamos onde estejamos, e tenhamos claro que toda ação (até o orgasmo, seja ele sozinho, em dupla, trio ou grupo é político), ou viveremos de querela em querela prontos para o próximo espetáculo da comédia da vida privada.