segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ela uni todas as coisas...


Eu comecei esse blog, em 2013, para poder escrever sobre as minhas angústias. 
Desde que eu me entendo por gente, eu tenho uma necessidade muito grande de falar, e preciso ser ouvida.
De 2013 pra cá, aconteceu muita coisa. Pessoas entraram e saíram da minha vida, algumas permaneceram, algumas poucas coisas mudaram, outras foram esquecidas, outras permanecem vivas e ativas nas minhas memórias.
Mais têm uma coisa que ao que tudo indica, não vai mudar nunca: a necessidade que tenho de dizer o que penso, sobretudo para as pessoas que se negam a me ouvir.
Sabe, eu tenho pensado, por que temos tanta dificuldade em se relacionar? Será que é por que o mundo é cheio de regras e normas malucas e inatingíveis?
É como se a vida fosse um jogo, onde temos que seguir um roteiro, e tudo precisa estar milimetricamente definido pelas normas e etiquetas desse jogo.
Mulher precisa ser assim, homem precisa ser assado, gay precisa ser cozido, trans precisa cru e se a gente tenta não ser o que vem de fora, mais sim o que pulsa de dentro, acabamos causando sofrimento em nós mesmo.
Mais sabe, eu tô cansadinha disso tudo. Acho que eu e um monte de gente que conheço, mais é tão difícil. 
Outro dia, vi aquele filme da Ingrid Guimarães, acho que chama Loucas para casar. A história é a seguinte: a personagem central, interpretada pela Guimarães, é uma mulher que cresceu vendo a mãe sofrer pelo pai que deixou a família para ficar com a amante, e então, desenvolveu esquizofrenia, e desenvolveu várias personalidades femininas diferentes, mais todas elas representam o ideal da mulher perfeita na lógica do machismo:  a mulher bem sucedida, a religiosa casta e submissa e a puta gostosa. Na lógica do filme, ela reunia todas as mulheres numa só, porém ela era louca!
Olha a mensagem sinistra que a cultura industrializada vendida pela burguesia passa para nossas crianças!
Sabe, eu não culpo a maioria dos manos machistas que eu conheço, por que na maioria das vezes, eles estão sendo homens tal qual foi dito que eles deveriam ser. Alguns são acomodados demais para sair desse lugar de privilegio, outros simplesmente nunca pararam para pensar sobre, outros nem sabem que é possível ser de outro modo.
Outro dia, conheci um cara, e conversávamos sobre sexo e coisas afins, e ficava evidente na fala dele a visão machista e limitada do mundo dele, e eu, uma feminista experiente, insisti que seria possível qualquer dialogo, por que eu realmente acredito na experiência como forma de aprendizagem.
Resultado? O mano simplesmente sumiu, como se eu fosse o própria Ebola ambulante.
Do meu ponto de vista, a única possibilidade que temos de avançar na barbárie, é se intensificarmos cada vez mais a vivência através da experiência mediada pela relação com o outro e pelo outro. Errando, aprendendo, sentindo, construindo, desconstruindo, fazendo e desfazendo, só assim vai ser possível.
Mais a gente tá fechado em nós mesmos, que qualquer coisa ou pessoa que nos tire do lugar comum, faz com que continuemos na mesma logica de sempre: o auto boicote na busca por uma felicidade pasteurizada.
E a gente, segue tentando ser todas as coisas numa só, mesmo sem saber ser somente nós mesmos.
Que além de abrir nossos caminhos, Esù abra nossa cabeça para o crescimento e a revolução!