quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Deixe - me ir, estou por ai a procurar....


Eu podia começar esse post chorando mil fitas, mil trutras e mil tretas...
Mais eu sou uma mulher feita no orixá, filha de Xangô com Oxum, não choro, eu luto.
Luto por mim e por todo mundo, luto pela beleza e pelo amor. Eu luto.
Se canso?
Sim, quase sempre. Canso quando me traem, por que sou fiel a minhas ideias, crenças e sentimentos.
Não faço nada que não seja visceral, genuíno e único pra mim. Especial de verdade.
Já sofri muito, já fui traída, esquecida, negada, passada para traz.
Mais hoje, não me levo mais por isso.
Na minha cabeça têm um rei e uma rainha. O rei mais forte e mais belo dos Yorubas, a rainha mais doce, feiticeira e bela dentre todas. Não há nada que Xangô queira que ele não consiga ter; não há nada que Oxum queira, que ela não vai conseguir ter. Sou feita pedra. Sou pedra.
Sou guerreira, não se espante. Faço meu caminho e sigo por ai a procurar aquilo que conforta meus olhos e meus corpo, por que meu coração é quente e repleto de amor e vitalidade.
Você deve estar se perguntando o que você tem haver com isso tudo?
Não sei, se está me lendo, deve ter um por que ou não.
O x da questão é que cheguei longe demais pra aceitar que aquilo que não acredito, nego e renego seja o que vai me determinar.
Quero relações por inteiro (ao menos as que eu posso escolher), mais do que relações de confiança, relações de ancestralidade.
Em qualquer aspecto. Me nego ser vista apenas como uma mulher preta inteligente, que serve para isso ou aquilo. 
Ou me têm como parceira, ou não me tem. Fim de papo.
Sabe aquele ditado: farinha pouca meu pirão primeiro? Então, bem isso.
Eu prometi a mim mesma, que ninguém, nunca mais ia me usar ou tirar proveito da minha capacidade com minha permissão. Não mais, ninguém mais vai fazer isso.
Ano passado, foi um ano horrível. Não passei fome por que não deveria ter passado, mais vários dias não havia dinheiro nem pro pão. Você sabe o que é ouvir seu filho te pedir pão, e voc~e não poder dar?
Passei, sobrevivi, eis me aqui.
E agora, ninguém mais se aproveitará de mim. Mesmo sabendo que vivemos numa sociedade marcada permanentemente por relações de poder, sejam de gênero, classe, raça, religiosa, econômica, cultural, seja qual for, a vida se baseia numa eterna exploração, nunca cooperação; enquanto eu puder e tiver forças para resistir, a meta é sempre dividir, multiplicar e acrescentar, nunca tirar nem deixar que me tirem.
Eu estou aberta ao mundo, a vida, a sonhos novos e antigos, parcerias novas e antigas, desde que fique muito claro que ou caminhamos ao lado, ou não caminharemos juntos.
E acredite, estar comigo é sempre o melhor, pois trago em mim o brilho e o dinamismo de meus ancestrais.
Eu acredito em mim e nas potencialidades que todos os dias o sistema e seus representantes me fazem crer que não existe longe deles.
Sim, esse é um texto auto afirmativo. Sim, precisamos nos auto afirmar...
Por que todos os dias aprendemos que não somos nada, nem ninguém, a menos que sejamos aquilo que o sistema quer que sejamos.
Lutamos e resistimos diariamente, mais como não estamos semanalmente na Revista Fórum, nem no Super Bowl ou no último barraco do grupo x do FB não somos nada pras pessoas que alimentam o sistema.

Sim, nós podemos.
Sim eu posso.
Eu, continuo por ai a procurar, por que como disse o Kayne: eu vou tocar o céu. 
Pela primeira vez na minha vida, eu literalmente mandei um racista calar a boca e se limitar ao seu espaço. E vi outra mulher preta, encorajada por mim, fazer a mesma coisa. Isso é relação de poder, isso é empoderamento. Isso é legitimar nosso saber, nossa história, nossa trajetória, nossa ancestralidade.
Isso é ser por que somos.
O resto? 
O resto é glamour de quinta categoria, roupa cara e alienação.
E, fim de papo.