sábado, 13 de agosto de 2016

Quando se é o que é...



Engraçado como a perspectiva é sempre a mesma, só mudamos o foco. Tenho pensado muito sobre isso.
Ontem, eu fui almoçar com um amigo, e conversávamos sobre meu ex casamento, ele me perguntou: "você não projeta no próximo parceiro as frustrações do seu casamento?". Eu de pronto disse que não, mais hoje, analisando como troquei o comunista pelo moço bonito, eu acho que é o que mais tenho feito: projetar no futuro a dor da perda de 8 anos de relacionamento afetivo com o pai das crianças.
Eu não sei quais são as perspectivas da vida, por que as relações estão cada vez mais mecânica, cindidas e alienadas.
Você já se perguntou o que é o amor? É o calor bom que dá no peito? É o frio na barriga quando se pensa na pessoa, é recostar a cabeça no peito do outro e ouvir musica juntos? (eu fazia muito isso com o ex marido). É rir junto da caibra na hora do sexo?
É tudo aceitar, tudo perdoar, tudo relevar mesmo que isso te mortifique?
O que é o amor? O que é amar para nos negros e negras da classe trabalhadora?
É o pãozinho quentinho que a mãe requentou e serviu junto com um copo de leite?É o salario que cai no quinto dia útil? O abraço apertado do filho pequeno? É conseguir pagar o aluguel em dia? O que é o amor?
Nove meses atras eu fiz minha iniciação no candomblé, e tenho me dito todos os dias que amor é o que sinto pelo orixá e ele por mim, e todas as outras experiências são meras aparências do cotidiano.Por que o que eu sinto pelo orixá e eu sinto que ele sente por mim, não tem explicação, e eu sempre acreditei que o amor não se explica, não se racionaliza.
Ai, eu conheci o comunista, e projetei que seria possível, se eu tivesse paciência, se eu tivesse sagacidade, se eu... E no fim, restou a rejeição, e  a dor da decepção, de mais uma vez, ter acreditado em algo que nem sequer existiu. Como sentimos falta do que não temos?
Então, resolvi esquecer e deixar passar. Essa semana, o caçador me deu um presente lindo, que também não vai ficar. Mais eu queria muito que ficasse, sabe, igual aquela musica da Tulipa Ruiz: "vou ficar mais um pouquinho para ver se acontece alguma coisa nessa parte do caminho". Mais que nada! Certamente ele já foi, tá indo ai, bem longe. 
Todas essas maluquices, o Marcuse explica. Isso eu sei. Lá no texto "Algumas implicações sociais da racionalidade tecnológica" ele vai dizer que o modo de produção industrial e o crescente avanço da tecnologia, molda cada vez mais as consciências e por consequência as relações, tornando-as mecânicas e vazias de significado, e que muito pouco pode se fazer sobre isso.
Ou seja, somos pessoas frias, vazias, desprovidas de afeto e sentimento. Mais, e os casais dengo e felizes do Facebook?
Aparência ou também essência?
Não sei, sei lá.
Acho que na pós modernidade, a essência se tornou aparência e a aparência se aprofundou de tal maneira que se tornou o espelho da Alice do pais das maravilhas.
Afinal, nos dias de hoje tudo é nada e nada é tudo. Sexo virou a linguagem universal para a troca de afeto, e afeto virou fetiche de musica ruim.
Não sei se existe saída ou salvação. Talvez, se um dia, eu puder amar um humano de novo, eu acredite que é possível. No demais, é barbárie que nos brinda e é ela que nos brindamos.
Só pra frisar, eu me arriscaria amar com o moço bonito, mais sei que penso assim, por que como diria Freud: eu me auto saboto o tempo todo, crio situações perversas marcadas pelo fracasso,para que depois eu mesma possa me dizer: tá vendo, eu falei que não ia dar certo. E não deu, não dá e não daria de jeito nenhum.
Boa noite.