quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Viva a dialética dessa dura vida!!!!!

Hoje, fui fazer outra entrevista de emprego. fácil, eramos três candidatas e duas vagas. Ninguem ali tinha mais qualificação e experiência que eu. Foram 12 anos longos trabalhando em ONG, que me serviram para pelo menos poder ter essa certeza: eu sou muito boa , sou uma excelente educadora.
Falta de modestia? Não. Na verdade isso é clareza de ter comido todos os pães que o capitalismo amassou com o dolar.
Mas a contradição inerente a vida humana, neste miseravel planeta de expiação chamado Terra , me coloca numa situação dolorida e depressiva. 
Tenho 99%  de chance de ser selecionada, mas o lugar é muito longe: Parelheiros. São duas horas e meia daqui do Capão. Sem trânsito. Imagina um dia de chuva, pode por ai umas 4 horas.
Que merda, só porque eu preciso trabalhar, não consigo um trabalho que coincida com os horários do Marcos.
Mas sabe, quando eu olho pra tráz, vejo que já passei por momentos piores e mais tensos. E hoje, eu ainda posso escolher. Tô me sentindo bastante angustiada, com a sensação de que nunca vou conseguir trabalho, que ficarei pra sempre em casa cuidando dos meninos e discutindo a relação com o Marcos,sempre com medo de ficar pra tráz.
Será que eu consigo trabalho de novo. Será que eu consigo voltar a estudar de novo. Quantas dúvidas, o futuro a Deus pertence não é mesmo?
Mas, sabe, eu sei que não me dediquei a entrevista lá no NPPE do Autodromo. Ai, perdi minha vez.
Chico Xavier já dizia: ninguem pode fazer um novo fim, mas qualquer um pode fazer um novo começo.
Portanto eu espero minha nova oportunidadede fazer um novo começo. Mais perto que em Parelheiros, melhor do que no Autodromo.

Abraço apertado de angustia
Jaque Odara

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A epopeia do lipoma e os desmandos do SUS.

Ontem fui para casa de minha mãe. Foi um dia tenso: João e Catharina entre tapas e beijos como de costume, mas agora temos o Pedroca... que as crianças teimam ser um boneco. Ontem a brincadeira do momento era ser papai e mamãe do Pedro, com direito a dar mamar, trocar, pegar no colo e, principalmente dar banho.
La pelas 19 horas, demos banho nas crias, e quando minha mãe foi trocar o Pedroca, ela percebu um caroço no ombro direito do Pedro.
Imagina meu desepero, afinal estamos no Brasil, e o SUS fantasia só nas propagandas do Serra.
Tudo bem que temos o convenio do servidor, mas mesmo assim, a saúde no Brasil vai muito mal: mal das pernas, do braço, da cabeça, do bolso... enfim ficar doente no nosso país é muito arriscado. Um simples resfriado pode virar uma pneumonia.
Cortamos a cidade. e chegamos ate o Hospital do Servidor, com uma suspeita de linfoma benigno no pescoço do Pedro. Eu estava a beira de um despero. Não pelo caroço, mas na duvida se ia ter medico, se ele ia ser bem atendindo. A gente ta tão acostumado a ser tratado que nem leproso no hospital.
A gente chega com o filho doente e o medico nem olha na nossa cara, muitas vezes nem examina o nosso filho. Parece que tem medo de pegar a doença da criança. A gente acostuma a ser tratado com indiferença.
Mas,eu até estranhei o jeito que o médico nos tratou: examinou o Pedro minuciosamente ( e eu aflita, quase chorando, mas o Pedroca so ria e balbuciava o agu-agu dele), diagnosticou um lipoma- que é uma bola de gordura que surge embaixo da pele, e me indicou um medico para acompanhar o Pedro.
Eu, sai mais leve do hospital. e pensativa demais.
Que pais é esse, que questões tão delicadas como a saude de um bebê de 3 meses é tratada como mercadoria. Que falta atendimento de qualidade. Quer dizer, o hospital do servidor é publico mais, particular ao mesmo tempo. Por isso fomos bem atendidos, mas e os demais hospitais publicos, tratam as mães e seus filhos como objetos. Animais.
Hoje não quero por nenhum dado oficial, nem nehuma estatisca.Quero so desabar sobre o meu maior medo: é os meninos ficarem doentes, e ai... so Deus vai poder nos ajudar.

Abraço
Jaque Odara

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O famigerado mercado de trabalho, visto por nós meras mães trabalhadoras.

Antes de falar sobre o Tropa de Elite 2, sobre o aborto ou ate mesmo sobre o segundo turno das eleições presidenciais; eu gostaria de compartilhar minhas angustias sobre o meu retorno ao mercado de trabalho.
Não pense que minhas angustias são sobre o bebê: com quem deixa-lo, se vão cuidar bem, se ele vai me esquecer. Isso meus caros, é café pequeno perto da maior de todas as questões: nós, mulheres trabalhadoras não somos queridas pelo mercado de trabalho. As dificuldades são muitas, infinitas. 
Já é conhecido de todos que nos mulheres ganhamos menos que os homens para realizar a mesma tarefa, e mesmo nos locais de trabalho onde os salários são igualmente baixos, isso é devido ao fato de tais locais de trabalhos serem notadamente ocupados em sua maioria por mulheres (aqui se aplica muito bem a regra do vale quanto pesa).
As contratantes, preferem mulheres que não tem filho,caindo por terra a noção da necessidade do trabalho para as mulheres que são mães. Além do preconceito conosco, e das criticas por nos chamarem de desalmadas por deixar o filho tão pequeno na creche, ou a critica por ter tido filhos, e por ter deixado ele na creche.
Ao contrario do que parece, a maternidade nos escraviza, nos aliena, nos oprime. A única coisa que depende somente da mulher, é algo que cabe aos outros decidir.
A nos, cabe aceitar pacificamente as determinações sociais, politicas, economicas e culturais sobre a maternidade.
Duvida? Então te proponho uma simples reflexão: historicamente as politicas de planeamento familiar caminharam de acordo com as necessidades da mão de obra, "no Brasil, a saúde como questão social surgiu na década de 20 durante a expansão da economia cafeeira, período de formação da sociedade capitalista. Nessa época, o aumento da população era necessário para expansão da economia. Ao longo do processo de consolidação da sociedade capitalista o Estado brasileiro adotou uma postura pró-natalista, mas, principalmente, a partir dos anos 60, pressões americanas forçaram a entrada de entidades internacionais no Brasil, que tinham como principal objetivo controlar o crescimento populacional dos países pobres. Assim, os anticoncepcionais entram no mercado e as mulheres, uma vez conseguindo dissociar sexualidade de procriação. No final da década de 70, passam a defender a regulação da fecundidade como direito de cidadania reivindicando o controle sobre o corpo e contestando os interesses controlistas." (fonte: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v34n1/v34n1a05.pdf)
Esse dados são oficiais, e penso que isso confirma a ideia da determinação economica sobre a escolha da mulher a cerca da maternidade, somado as questões da mão de obra, tem se as determinações culturais, com toda a herança judaico cristã que atrela a função social da mulher a maternidade, e por consequencia aos sofrimentos físicos, sociais, emocionais da maternidade na sociedade capitalista como resultado da atitude da EVA em comer o fruto proibido (vide Génesis capitulo 3 versículos 16-19), o que na pratica se traduz a mulheres gravidas de filhos indesejados aceitando a função de mãe por obrigação,  como forma  de reafirmar a função feminina na sociedade.
No centro de todas essas questões, há a mulher do século XXI que é magra, autonoma financeiramente,tem filhos  ( mas só um, no maximo dois, mais do que isso é irresponsabilidade e falta de autoestima), é uma deusa sexual, clamorosa e,que só existe na capa das revistas Claudia e Mari Clare.
A gente que vive na periferia sabe que o buraco é bem mais em cima, e que a realidade por aqui é outra. 
A gente sofre com o machismo, quando vê diariamente na televisão piadas ridículas sobre nossa condição feminina (a de hoje foi o repórter do Globo Esporte satirizar com o goleiro de um time europeu por sua péssima performance em um jogo com a frase: o que a gente pode esperar de um homem com o nome de Amélia?), além de programas ridículos de comédia que seu único recurso para ter audiência é utilizar o corpo seminu de mulheres. 
A gente que vive na periferia sofre com a opressão: tem que voltar a trabalhar, mas não tem creche para nosso filhos. Enquanto a gente, que na periferia quando vai voltar a trabalhar sofre com a distancia do local de trabalho de nossas casas e com a jornada tripla de trabalho: trabalho fora de casa, trabalho dosmetico, e o cuidado com filhos.
A gente que mora na periferia, a gente que é mulher,  sofre com a discriminação porque os empregadores acham que vamos faltar no trabalho porque como não tem vaga na creche, quem vai cuidar de nossas crianças.
Essa semana li um artigo na Revista Cláudia sobre o trauma de retornar ao trabalho, o artigo falava sobre o que é melhor fazer: deixar o bebe com a baba? Ou por na escolinha, e sobre todos os traumas que  envolvem a situação.
Eu fiquei pensando:  quem me dera, se todos os meu problemas fossem esse. Hoje o meu maior medo é: será que terá trabalho para mim?
 Sexta feira fui fazer uma entrevista, e não fui selecionada. A candidata ao lado tinha menos qualificação, mas não tinha filhos.
Quem vocês acham que ficou com a vaga?
Esse é o Brasil que terá uma mulher como presidente. Será que nossa exclusão, será que nossa opressão, será que o machismo vai acabar? Bem, para sabermos a resposta, basta perguntarmos para os negros americanos, ou os negros da África do Sul, se depois de terem presidentes negros a condição de vida melhorou. Se acabou a exploração, a exclusão, o racismo, a segregação.

Fica aqui a pergunta, fica aqui a reflexão.
Grande Abraço
Jaque Odara.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ufa! Até que enfim!!!!

A muito tempo tenho o projeto de ter e manter este blog. Penso que ele me serve como uma válvula de escape para meus pensamentos malucos e meu malucos pensamentos. A ideia surgiu ao longo da gravidez do Pedro. Foi um período de longa hibernação, para reafirmar compromissos, ideias, desejos, sonhos, expectativas sobre que tipo de mãe eu queria ser e principalmente, de que maneira seria possível ser mãe e um ser politico, pensante, critico.
De certa forma a gravidez do Pedro, e todo o stresse da rápida passagem pelo NPPE do Capão me permitiram colocar mais os pés no chão.
 Hoje, sem sombra de duvida afirmo que cresci muito, principalmente aqui dentro, com os meus medos e inseguranças. Tudo isso somado ao grande companheiro que eu escolhi pra dividir os sonhos, a cama, as contas e a árdua tarefa de ser mãe.
Ao longo desses três anos nessa árdua tarefa, que é a maternidade, aprendi que ter pra onde gritar tudo o que não lhe vai bem, e o que vai bem tbm é muito importante, aprendi tbm que nem sempre o Marcos me entende - coitado, só eu sei o quanto ele tenta.
Por isso o blog, aqui será onde poderei dizer tudo, absolutamente tudo que penso, que acho, que sinto e quero sobre Deus e o mundo (sem censura e principalmente sem medo de ser mandada embora).
E claro, todos estão convidados pra essa louca viagem. E é ai, justamente, onde entra a parte do politicamente, porque o gostoso da politica é a discussão e depois a conclusão e a negação e conclusão e a negação e por ai vai.
Esse primeiro post é só um prefácio do que virá.
Bem vindos ao blog, não se assustem. Aqui tudo é permitido e será aprendido.
Um grande abraço
Jaque Odara.
PS: agora tenho q ir fazer a janta, dar banho no Pedro, no João. mas eu volto, pq quero comentar o tropa de elite 2, opinar sobre o voto nulo no segundo turno e defender a discriminalização do aborto, é ué, eu sou a favor do aborto e vc?
Lembre-se a neutralidade só existe nas embalagens dos sabonetes.