terça-feira, 30 de outubro de 2012

Punany

Ontem eu tava zapiando a tv e em um dos canais da tv fechada, estava passando um programa sobre tendencias e comportamentos sexuais pelo mundo.
Sobre as formas que as pessoas em diversos países se relacionam sexualmente, é um programa interessante, que descreve desde bizarrices até coisas bem interessantes.
No programa de ontem um dos blocos tratou sobre um movimento norte americano chamado Penetração Mental (clique aqui para saber mais).
A coisa é mais ou menos assim: é um grupo de poetas todos negr@s que realizam intervenções artísticas cujo conteúdo dos poemas e das manifestações corporais é o erotismo. Achei uma delicia a ideia e a forma como a coisa é feita, por dois motivos que vou explicar.
Bom, o primeiro é o fato de serem negr@s buscando uma forma de exercer sua sensualidade e sexualidade entre os iguais e longe do estereotipo branco hétero burguês do homem negro reprodutor como cavalo e da negra animalizada e insaciável.
Segundo, porque qualquer movimento que trabalhe no sentido de me possibilitar, enquanto mulher negra, me perceber e reconhecer em mim a minha ancestralidade sempre são muito bem vind@s.
Demorei muito tempo, para desconstruir a forma como os homens (fundamentalmente os brancos) me olhavam: apenas como um objeto/brinquedo sexual exótico,  a negra que deve ser submissa e insaciável,  bem a gosto da pornografia que dita muitas vezes os fetiches e as fantasias sexuais (nunca soube ou li algum texto do Adorno ou do Marcuse que falasse da pornografia e da industria cultural, mas ontem vendo o tal programa, cheguei a conclusão de que até nossas fantasias são construídas pela industria cultural).
Ontem, enquanto via o programa me lembrei de muitas vezes da forma como a mídia e os veículos de comunicação (sejam eles pornô ou não), retratam a mulher negra. 
Automaticamente me veio a Chica da Silva na cabeça: uma mulher negra, forte, incrivelmente sensual e com um ar de selvagem, animalizado (e era justamente por isso que os homens da novelinha  - e os tele espectadores, piravam na personagem). 
Me lembrei também de um artigo que li sobre a construção do imaginário da mulher brasileira a partir da Juma de Pantanal e da Gabriela de Jorge Amado (quem quiser ler o artigo clique aqui), e que ambas eram mestiças, mas tendiam para a etnia negra. As duas personagens eram incrivelmente burras e submissas aos seus parceiros, todos brancos obviamente, e ricos é claro.
Veja, que ainda não entrei na pornografia propriamente dita, porque não é comum filmes, videos, fotos com mulheres negras (homens negros são mais bem aceitos), e podemos dizer segurante que a esmagadora maioria desse material envolvendo mulheres negras é de extrema violência e submissão, e as negras assumem no enredo das historinhas um papel sempre muito animalizado e de muita submissão (tudo bem que os filmes pornôs vão girar sempre me torno da violência e submissão etc etc etc, mas com as negras sempre acho que é como se as equiparassem a uma égua ou qualquer coisa do gênero).
Muito embora, esse grupo de Poetas Punanys, que trabalham com o conceito de Penetração Mental, ou seja, a estimulação sexual a partir de vivencias corporais sem penetração e felação e da declamação de poemas, o que é mais fascinante é o estimulo que essa vivência ocorra entre homens e mulheres negras principalmente como forma de autovalorização e de respeito a origens e a cultura negra, é por demais importante esse processo de imersão em nós mesmos negros e negras.
Não que eu seja contra as relações interraciais, ou que defenda que homens negros só devem se relacionar com mulheres negras e vice versa, mas estamos tão desprovidos de identidade, de autoestima, de valorização, que conhecer esse movimento me pareceu algo muito libertador. 
Para se libertar temos primeiro que nos reconhecer oprimidos, para então subverter a ordem e se emancipar.
Fiquei com essas coisas na cabeça, e achei que cabia aqui essa reflexão.
Existem muitas coisas para pensarmos sobre sexualidade, principalmente nos marcos do capitalismo.
Mas, se a mulher branca burguesa é oprimida, penso que a mulher negra é explorada e oprimida. Só uma olhada bem rápida nos programas do tipo A Liga (Tv Bandeirantes) sobre prostituição, 90% das putas e das travestis são negras, pardas e nordestinas: trabalham na rua, se expõe ao risco da violência e das doenças, ao crime e ao tráfico. Enquanto os outros 10%, são as putas de elite que atendem em flats chiquérrimos para os executivos darem umazinha no horário do almoço.
Escolhi a imagem acima, porque ela me lembrou uma pessoa muito querida (embora hoje não tenhamos o mesmo contato, mais enfim, coisas dos muros), com quem conversei muito sobre essas e outras coisas, e a quem devo muito das reflexões que me afloraram no último período. 
A imagem, me transmite a sensação de liberdade e de subversão  porque afinal, o que há de mais libertador que uma mulher poder sentir e transmitir prazer, num processo consciente de si mesma com seu corpo?
Se um dia for aos Esteites, vou procurar ir nas apresentações  dos Poetas Punanys.Deve ser magnífico.
Ah, esqueci de dizer lá em cima, o que quer dizer Punany. 
Punany é uma gíria caribenha falada pelas negr@s e caribenh@s para designar a vagina. 
Na tradução, Punany quer dizer flor cheirosa.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Indicação: Filme - La prima cosa bella (2012)


É muito raro eu escrever dois posts no mesmo dia. Mas hoje acordei com esse belo filme na minha cabeça.
Sou uma amante secreta dos italianos e franceses , e este filme em especial, tem muito valor para mim.
Ele conta a história de uma mulher, que é muito bela, e que ao longo de sua vida isso lhe trouxe muitos problemas.
Se passa no século passo, acho que no limiar dos anos 50-60. A história se passa a partir da memória de seu filho mais velho, Bruno.
É permeada pelo machismo nosso de cada dia.
O que me tocou profundamente no filme, foi a sensibilidade com que a história é contada.
Quando o vi, havia acabado de descobrir que estava com cancêr, mas sem ter o diagnóstico definitivo tinha muito medo do que viria: ficar careca, sessões de quimio infidáveis, morrer e deixar meus meninos tão pequenos, deixar o Marcos.
No filme, ela está com cancêr na fase terminal, e a partir daí, sua história vai sendo contada entre o passado e o futuro.
Fiquei tão tocada pelo filme, que chorei, chorei, chorei. Me lembro da última cena, belíssima e as lágrimas me vem aos olhos.
A forma como os filmes italianos são feitos, é bem diferente da explosão barulhenta dos longas norte americanos. Mas são filmes tão belos, tão intensos. Imagens, histórias, sensações.
Vale muito a pensa assistir. De certo, teve ter disponivel para download ou nas banquinhas da vida.
Acho que o que ficou mais forte em mim desse filme, foi a sensação de que o amor (não o amor propriedade, mas sim o amor liberdade, esse que tenho tentado aprender) sempre vale a pena, e é pode nos motivar a lutar pela vida.
Depois de ver esse filme, decidir aceitar fazer a quimio, foi horrível  Mas sobrevivi,  e por hora o cancêr não me vencerá.
Parece besteira esse papo de que o cancêr não me vencerá, mas além da sensação estranha de que tem algo dentro do seu corpo que te destrõe invisivelmente, há as dores e todas as preocupações sobre será que ele vai voltar? Assusta, mas também impulsiona a querer aprender e viver.
Outro dia, conversando com um amigo (ou talvez ex-amigo), ele me disse que só os pastores evangélicos tem as respostas. É verdade.
No meu caso, as perguntas me movem, mesmo que nem sempre eu tenha as respostas.
É um belo e profundo filme, sem moralismo ou politicagem. Um filme leve que trás elementos importantes para pensarmos quem somos e quem queremos ser.
Eu recomendo!

Manuais não tão práticos assim


O Facebook sempre me presenteia com preciosidades blindadas do mais baixo da ideologia burguesa.
Mas essa foto ai acima, ganhou o post da vez aqui no blog.
Bom, sou mãe. Mas antes sou comunista. Até pouco tempo, sempre achei inviável ser mãe e comunista, e mais inviável ainda ser comunista dentro do capitalismo.
A bem da verdade, intenciono ser comunista, mas tem claro em mim os princípios e a moral revolucionária.
Mas, chega de delongas e vamos a tal fotinha.
Dentre as ideologias preferidas do capitalismo, as receitas prontas para tudo são sempre as preferidas. Receita pronta pra ser feliz, receita pronta para ter um bom emprego e ter sucesso profissional  Receita pronta para um excelente casamento e uma gozada inesquecível. Receita, receita e receita.
Mas, as que mais vejo na minha timeline do Facebook é como ser mulher, e já que para a ideologia patriarcal burguesa ser mulher é sinônimo de ser mãe (é meus caros e minhas caras, a gente sabe a pressão que é para ser mãe).
Então, chegamos no que eu tenho pensado hoje e gostaria de compartilhar.
Na foto acima, existem 8 dicas sobre como criar um delinquente. Altamente ideológico e imbecil ao mesmo tempo. Porque todos os especialistas sobre criminalidade juvenil, vão situar esse problema no marco da desigualdade social e das pressões estruturais de sucesso e poder, que vai ter uma força muito grande nos jovens e principalmente nos jovens pobres, que cedem a pressão por possuírem uma formação pessoal que não os instrumentaliza para buscarem estratégias de subversão dessa ordem,
Tudo bem, já que as pessoas não são obrigadas a entenderem de criminologia e nem de sociologia, vamos discutir esses 8 pontos e desconstruir esses mitos - receita.
Ponto 1: Quem tem disposição epistemológica de ver a televisão e sua programação seja aberta e fechada, desde os comerciais até os programas, vai ver que o que a mídia mais faz é estimular as crianças e os jovens ao consumo desnecessário. Primeira contradição, porque se não podemos satisfazer os desejos de nossos filhos, porque existe dia das crianças?
Ponto 2: Desde quando falar palavrão é sinal de desrespeito? Tinha pensado que 22 anos de ECA sem sua efetiva implantação fosse desrespeito. Mas, essa coisa com o palavrão é muito da burguesia. Afinal, esse palavreado é coisa de pobre e de preto (sic), como nos ensinam as novelas e filmes (olha ai a TV linda e soberana nos enganando de novo).Bom, mas se o palavrão for no show de humor que só os burga vão, tá liberado.
Ponto 3: Achei esse ponto o mais cômico.  Desde quando existem regras em nossa sociedade? Oh gente, e a Avenida Brasil, que segundo o Fantástico,  é o verdadeiro retrato da sociedade brasileira (como coisa que o Brasil se resume ao Rio De Janeiro ficção da Globo).
Ponto 4: Own... esse ponto é muito meigo. Imagina, se filho de pobre faz bagunça. Meu bem, se ele tiver casa já é luxo, quiça brinquedo. Isso ai mais uma vez é coisa dos burga, mas relaxa meu bem...eles tem empregada e babá. E, neste caso isso deve ter sido pensando por alguma pseudofeminista que teve que liberar a mucama do seculo XXI e fazer a tarefa doméstica sozinha, e ai, precisa ensinar o filhinho leite ninho a limpar sua bagunça, porque é difícil trabalhar fora e dentro de casa, como nós mortais trabalhadoras.
Ponto 5: Esse me deixou em crise: há alguma diferença entre os programas de televisão? Porque o autor do texto da foto, supõe-se que haja. Mas, se alguém souber, por favor me avise.
Ponto 6: É, nesse ponto por um instante eu achei que talvez eu esteja sendo radical demais (como sempre me acusam), mas todos os programas em maior ou menor grau estimulam a violência e a opressão a mulher. Outro dia estava vendo o Jornal da Cultura (é, alguns dirão que é um Jornal Intelectualizado), e um dos temas das reportagens era o aborto. Haviam três homens na bancada, e a posição de todos foi: não pode legalizar o aborto, o que é preciso é ensinar a essas mulheres a se prevenirem e a se planejarem. Bom, na minha capacidade de inferência, isso é vulgarizar e violentar simbolicamente as mulheres. Ou você discorda?
Ponto 7: O gente, só quem vive fechado em seu mundo burguês e pequeno burguês pra achar que roubar é fácil. Se roubar fosse fácil, ao invés de ter tanto desempregado, o mundo teria uma legião de ladrões.
Ponto 8: Esse ponto fechou o texto da foto com chave de ouro: toda mulher que é mãe é ensinada que deve cuidar dos seus filhos como uma galinha ou uma leoa defende suas crias. E ai de quem discordar disso, logo é taxada de incompetente e de péssima mãe.  E isso, está ligado ao conceito de propriedade privada: minha família, meus filhos, meu, minha, meu, minha...

Não precisa de muito para perceber a jogatina que é o sistema em que estamos inseridos. Diz que ser puta é pecado, mas vende nas bancas de revistas manuais para as mulheres aprenderem a liberar sua porção PUTA (depilação indiana, unhas vermelhas que levam ele a loucura, posições do kama sutra, seja independente, como faze-lo ter uma incrível gozada, lingeries de dar água na boca dele, bumbum da fulana de tal que ele vai adorar...e por ai vai). Diz que não devemos roubar, mas prestigia a corrupção como única forma de ter sucesso e poder.
Cada dia que passo, sinto cada vez mais a necessidade de se libertar de tudo isso.
As vezes acho que mudar de cidade, mudar de amigos, mudar de ares me deixe menos sufocada, menos angustiada. Mas penso que não, afinal o capitalismo é uma caixa com gás inebriante que nos entorpece e nos envenena.
Ao acharmos que estamos caminhando para a felicidade, estamos nos matando e se matando: matando nosso amor, nosso sonho, nossa capacidade de sentir, nossa capacidade de pensar e de construir.

De alguma maneira há de ser possível, de alguma maneira há de ser possível.

sábado, 27 de outubro de 2012

O vermelho de SP

Desde o dia 01 de Outubro desse ano, já foram assassinados 90 jovens (se há dúvidas quanto esse número, CLIQUE AQUI) na Cidade de São Paulo e na Grande São Paulo.
São jovens na sua grandissima maioria do sexo masculino, com idade entre 15 a 24 anos, negros e moradores das periferias da capital e da grande SP.
Foram assassinados em bares ou esquinas dos bairros pobres dessa regiões do Estado, sempre após as 22 horas. O modus operandi dos assassinos é o mesmo: homens amados e encapuzados em carros pretos sem placa ou motocicletas sem placa, chegam, atiram e fogem sem testemunhas.
A policia insiste em dizer que são gangs em disputa por pontos de drogas ou acerto entre criminosos.
Mas a questão é a seguinte: a gente que mora aqui na favela, tá sempre ligado no movimento e sabe que esse não é a forma do crime resolver suas paradas.
Ouvi essa noticia hoje na hora do almoço, passei o dia com isso na cabeça e várias coisas também. Me lembrei do grandioso festival Existe Amor em SP, que aconteceu semana passada. Fiquei pensando na elite intelectual de SP que junto com os ingênuos vestiram a ideia do novo do PT. Fiquei pensando na cor de quem pensa e de quem morre.
Claro, que a PM tá agindo através de grupos de exteriminio, e que o Governador Picolé de ChuChu se faz de desentendido. Mas, essa poltica de exterminio não é coisa inventada pelo PSDB não. 
Se olharmos o presente temos dois bons exemplos de exterminio da juventude pobre: Cabral no Rio (cujo partido é aliado do PT) e o Wagner na Bahia (que é do PT). Ok, nesse exato momento, você deve estar se perguntando o que o Paes e o Wagner (ambos expoentes da politica PTista, que por sua vez expõem a politica de segurança mundial - lembra da Guerra do Iraque? Sabes o que acontece na Palestina?), para me fazer entender, vou voltar no tempo.
Em 2004 o Brasil assumiu junto a ONU o comando da Missão de PAZ no Haiti, denominada MINUSTAH, essa missão tinha o objetivo reconstruir o país mais pobre do Caribe e possibilitar seu desenvolvimento socioeconômico (para saber mais sobre o HAITI clique aqui ). Na verdade, passou todos esses anos, o que as tropas militares estrangeiras e inclusive o Brasil tem feito lá, é treinar seus militares para a pratica de exterminio e opressão nos bairros pobres e operários do país. Já sabemos, que o BOPE e o Exercito foram treinados por militares israelenses (nem precisa de referencial, uma googada bem rápida mostra os horrores da Palestina, e é lá que os milicos israelenses aprendem a fazer desumanidades e depois ensinam para os milicos de cá que primeiro treinaram no HAITI e depois vão aplicar aqui no Brasil).
Existem várias pontos que permeiam o processo de exterminio da juventude negra no Brasil (sim Rio e Salvador já estão fazendo isso a pelo menos uns 3-4 anos), o Haiti, a Palestina, a Grécia, a Africa do Sul e a crise econômica européia. Está tudo ali ligado pelo capital e a necessidade destruidora do Capitalismo em se reeguer as custas do sangue, suor e lágrimas da classe trabalhadora.
Junto com a opressão ao povo haitiano, foram levadas industrias que pagavam para as operárias 1 dolar por dia (essa mesma fabrica da Lewis pagava 16 dolares a hora para operárias norte americanas), as mulheres negras de lá, trabalham 16 horas por dia, vão ao banheiro vigiadas por seguranças, e não possuem nenhum direito trabalhista. Entre as diversas empresas que lá se instalaram há a do Finado José de Alencar (porque burguês bom é burguês morto), a Coteminas, que também pagava os miseros 1 dolar por 16 horas/dia de trabalho para as operárias hatianas. Não podemos esquecer, que o centro da crise Grega também tem haver com as Olimpiadas de 2004.
Mas pera lá, vamos voltar mais no tempo. Depois do Bush ter declarado guerra ao Iraque (e por consequencia a tudo que estivesse liagado ao mundo árabe), no melhor estilo da guerra preventiva e do "quem não reagir ficará vivo", e de toda a corrida armamentistas e do escoamento de grana e a propria crise norte americana, o sistema capitalista foi buscando formas de fazer a máquina girar: intervenções em vários países com eleições de governos de Frente Popular (o melhor exemplo disso é Brasil com a Eleição do Lula e da Argentina com a eleição da Cristina) como forma de acalmar os animos aqui na banda Latina da America, depois a missão no Haiti (pais rico ainda em regiões naturais, mão de obra baratissima e pela posição geografica favoravel), depois Olimpiadas na Grecia e em seguida crise, opressão a morte de um jovem, multidões na Rua, greve geral, ameaças de embargo. 
E depois disso, mais guerra, mais opressão, mais intervenção nos setores estrategicos como a Educação (podemos usar o PNDE como bom exemplo).
Ah, tem também Eleição do Obama e logo em seguida Copa na Africa do Sul ( e olha que coisa mais emblemática: um negro eleito na maior potência do Mundo e potência essa extremanente e historicamente racista; e a copa no país que é o maior exemplo histórico de segregação racial).
E as não coincidencias vão se encontrando, e nesse ciclo de guerra, opressão, exploração, manipulação voltamos para o Brasil de hoje, para a SP de hoje.
Claro, que o fato da Dilma ter sido eleita, elevou o número de mulheres que cotidianamente são vitimas de violência, mas isso é bobagem, diriam os rosados de SP. Mera coincidência.
Tinhamos todos os elementos objetivos para o esclarecimento, mas o que vemos é o recrusdecimento da barbárie: violência, exploração, deteriorização das condições de vida, homofobia, racismo, machismo, segregação entre a SP de ricos e de pobres como sempre diz o candidato do PT.
Ingênuo é quem compra a ideologia do ROSA, ingenuo é quem compra esses discursos psicologicamente utilizado de que temos que amar cada vez mais, que a revolta e a raiva só destrõem.
Mas, continuo concordando com o alemão que não gosto tanto: para fazer algo diferente, as vezes é necessário destruir completamente o que já está posto.
Para um post de um blog, escrevi demais. 
Porém, amanhã vamos brincar de ingênuos e escolher entre o Burguês Bom ou o Bom Burguês.
Tanto faz PSDB ou PT, são iguais, aplicam e rezam a mesma cartilha. Ingênuo de quem acredita seja um ou em outro. 
Mas, no final das contas quem morre mesmo são os nossos jovens. No final das contas meus filhos por serem pretos sempre serão 50% culpados.
No final das contas o sangue, o suor e as lágrimas são nossas e não deles.
No final das contas, quem conta os corpos e seca os copos somos nós.
É poeta, não existe amor em SP.
Só será possível SP ser rosa, quando o vermelho dos 90 jovens mortos nos últimos 20 dias tiverem sido apagados da história de nossa Cidade e de nossas memórias.
Mais isso só em outro mundo, porque a Terra... Essa eu acho que não existe mais.
Talvez, o mais real é que vivemos num quadro pintado com apreço pela civilização, quando desde seu surgimento, optou pela violência como instrumento para a organização e evolução da civilização. Quando desde o principio, a humanidade optou pela dominação e exploração.
Mas, sigamos.. hoje sem amor, hoje sem esperança, hoje sem sentir.
Só a luta muda a vida, só a luta nos liberta!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Meu amor meu bem me ame!

Hoje pensei muito sobre dos relacionamentos miojos.
Será que não existe uma aurea que incentiva isso?
Sempre penso no que está por trás da atitude das pessoas. E, por isso gosto tanto da Teoria Critica da Sociedade.
Me lembrei de um texto do Marcuse, em Eros e a Civilização onde ele discute sobre a pulsão de Eros e Tanatos.
Não vou entrar aqui na conceituação teorica por medo de escrever bobagem; mas vou pegar emprestado a ideia principal deste ponto do texto do Marcuse.
A paralisia da critica, e penso que isso tem haver com a Queda do Muro de Berlim (veja o cosmo mais uma vez se fazendo presente, e eis o muro de volta), o Stalismo, o vendaval oportunista da década de 90 (em termos mais recentes), a Frente Popular no mundo, deixou marcas tão profundas em nosso consciente coletivo que simplesmente nos adapatamos e nos alijamos da experiência.
De certa forma, penso que o avanço da tecnologia também nos impediu de seguirmos no esclarecimento. Ao racionalizar cada vez mais o trabalho a partir do avanço tecnologico, seguimos racionalizando todos os outros setores da vida e nos tormanos zumbis.
Zumbis que comem o outro e não se tornam nem ele mesmo e nem o outro. São apenas seres deformados, que vagueiam sem destino.
Fomos e vamos nos coisificando, nos alienando. Aceitamos sermos alienados como algo natural, imutável, vamos nos aprofundando cada vez mais na barbarie e em sermos qualquer coisa menos o outro, para então sermos nós mesmos.
Não sabemos mais ouvir e falar, a não ser que seja algo que nos dê prazer imediato, e por prazer imediato podemos ter certeza que é o prazer sexual mesmo.
Veja, não que isso seja ruim, é fantastico um bom orgasmo. Mas isso é pouco, perto de tudo que podemos fazer juntos.
Sabe, não sei.
A única coisa que sei é que é preciso encontrarmos saidas, possibilidades. Temos que urgentemente reelaborar o passado.Para conseguirmos seguir em frente (alias, essa foi pra mim: reelaborar um passado presente para um presente melhor).
A proposito, você que está lendo deve ter percebido que estão faltando acentos em muitas palavras, pois é: estudei em escola pública, portanto tive formação miojo (tem muitas coisas que não sei ou não lembro, embora leia e escreva todos os dias), e também considero os acentos uma violência fálica e assim como os homens, nunca sei como me portar diante deles, então, ignoro e radicalizo.

Vamos lutar e construir um mundo onde possamos fazer como bem disse Marx na Ideologia Alemã: pescar de manhã, Amar a tarde, fazer critica literaria a noite (não nessa mesma ordem, necessariamente), tudo isso sem ser especialista e sem o fardo do trabalho alieando e alienante.

Ps: uma vez um ex-amigo me disse que quem tem todas as respostas são os pastores evangélicos, concordo com ele, mas acrescento que existem perguntas que devem e precisam ser respondidas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cardápio do dia: relacionamento lasanha



Dizia o poeta que não existe amor em SP!
Também poderá, em SP Deus é uma nota de cem.
Como se ama em um lugar onde o inicio, o meio e o fim é dinheiro?
Outro dia, conversava com uma amiga sobre as peripecias dos relacionamentos afetivos, cunhamos o conceito de relacionamneto miojo. Mas também o relacionamento lasanha e recentemente descobrimos o relacionamento pudim.
Pode parecer chato e cansativo, mas fico pensando (até porque não consigo esquecer), o que foi o Rio que passou em minha vida?
Relacionamento vinho: você bebe e fica tonta e depois pode ter dor de cabeça?
Não sei, só sei que numa sociedade com os marcos relacionais como a nossa, podiamos chamar o Marcuse para a conversa, e ele diria que tudo isso é resultado da racionalização tecnologica.
Há também a dessublimação, onde o prazer deixa de ser sublimado e se torna prazer sexual mesmo.
Daí a limitação ds pessoas em manter relacionamento miojos.
É preciso ser rápido, porque é tão dificíl se relacionar com as pessoas, é tão dolorido ter experiências formativas que as pessoas evitam a convivência.
Não faço aqui uma critica, busco a compreensão desse processo. Por quê somos tão limitados afetivamente? Por quê somo tão limitados emocionalmente?
Vejo essa limitação se manifestando de várias maneira, e a forma que mais me preocupa é na violência como resultado direto disso.
Seja a violência afetiva entre as pessoas, seja a violência simbolica nas relaçãoes economicas, culturais e sexuais. Seja a violência física mesmo, como uma forma de não sentir o outro.
Não sei. Não sei até onde vamos parar. Até onde essa barbárie vai nos levar.
Mas de alguma maneira precisamos rompér com essa nossa tendência ao fast food e começar a realizar refeições completas e com calma (mesmo que dê trabalho para preparar). E não vale pagar alguém pra fazer sua comida, como forma de dimunir o trabalho.
As relações que alimentam nossa formação devem ser preparadas por nós mesmos, com carinho, empenho, camaradagem, solidariedade, paciência, cuidado, atenção e muito amor.
Para quem sabe um dia, exista enfim, AMOR EM SP!
Mesmo que aqui ninguém vá pro céu, de alguma maneira tem que ser possível: pode ser e é!

                                     "Nessas horas a esperança me toma o peito feito criança, me sinto forte, segura e dona de mim. Penso em você e espero, que o vento te leve meus pensamentos. Que haja uma segunda chance, e que o cosmo faço nos astros brilharem juntos, clareando o nosso próprio caminho, do jeito que a gente quiser". (Eu mesma)