terça-feira, 13 de agosto de 2013

Que falta a experiências nos faz...


Recentemente, terminei de ler um livro chamado Três Ensaios Sobre Juventude e Violência.
No livro, a autora analisa três filmes: Aos Treze, Laranja Mecânica e Cama de Gato, a autora analisa as experiências juvenis da sociedade moderna, a luz das contribuições de Walter Benjamin.
Walter Benjamim, é um dos autores da primeira Escola de Frankfurt, e dentre tantas questões, em seus escritos, analisa a questão da experiência.
No livro, a autora, discursa que vivemos numa sociedade vazias de experiências, e que esse vazio é marcado pelas dificuldades dos adultos em adultecerem, e cumprirem seu papel de ajudar o jovem realizar a travessia entre a infância e a adultice.
Nosso papel enquanto adultos, segundo a autora, seria o de contribuir com experiências significativas para que os jovens, pudessem amadurecer, romper com o passado e continuar a história da civilização.
O fato, é que a sociedade moderna, esta vazia de possibilidades de experiências que possam ser vivências formativas, no sentido construtivo para a juventude.
De uma certa maneira, podemos usar o exemplo de um grande mercado, e nesse grande mercado das experiências, as prateleiras estão vazias.
Ao invés de laços fecundos, relações passageiras, liquidas e  rarefeitas.
Ao invés de uma formação solida, formação miojo com currículo minimo e cursos cada vez menores cronologicamente.
Ao invés da vivência familiar e comunitária, a vivência virtual, mediada pela tecnologia.
A autora denuncia, que somos adultos, que ao queremos ser eternamente jovens na aparência, interiorizamos essa juventude sem fim, e passamos a ser jovens na essência.
Sexo,drogas e rock and roll, típicos da juventude dos anos 50, nunca deixou de ser uma bandeira cultural,e hoje, segundo a autora, passa a ser a bandeira universal de qualquer individuo que queira estar conectado com os processos da modernidade.
Como se os personagens rebeldes daquela época  tivesse ganhado vida, no cotidiano da modernidade.
Veja, que estou falando aqui de modernidade, e não da liquidez pós moderna e suas novas e neo leituras do mundo.
Ainda não entendemos nem o impacto da modernidade no processo de individuação do individuo, quiça, a tal pós modernidade.
Essa dificuldade cultural de envelhecer, e junto com a velhice, carregar as marcas da experiência, como forma de clarear os caminhos dos mais novos e ajuda-los a cruzar a necessária ponte do amadurecimento, me preocupa, e as vezes me põe em angústia, sempre me pergunto que mundo estou deixando, em especial pros meus filhos.
A autora, termina o livro, dizendo que mais do que estigmatizar a juventude de hoje, e rotula-lá disso ou aquilo, devemos olhar para nós mesmos, e nos perguntamos que marcas estamos deixando na civilização para os que virão.
É preciso deixar que os jovens rompam com o passado rumo ao novo, mas, se continuarmos a viver sempre no afã do momento, sem se preocuparmos com a nossa travessia, vamos caminhar, mesmo sem querer, cada vez mais para o colapso da civilização e continuaremos na barbárie.
termino,perguntando para você, que está lendo essas mal traçadas linhas: qual a marca que você está deixando na historia,e por consequência, na civilização?


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vamos falar de nós, meu bem!


A algum tempo, venho estudando a opressão da mulher,a partir do viés da Teoria Critica da Sociedade. Para quem não conhece, a Teoria Critica da Sociedade não é uma linha ligada aos neo- marxistas, nem ao pós modernismo.
Os frankfurtianos se dedicaram a estudar o individuo moderno, e para isso utilizam toda a escola filosofica alemã, com enfase me Marx e os escritos freudianos, pelo fato de Freud ser um dos pensadores que melhor traduziu o individuo moderno. 
Nessa relação dialética e histórica, tenho conseguido pensar algumas outras nuances da opressão da mulher. 
Penso, que a grande contribuição que a Teoria Critica possa trazer, seja o fato de pensar os processos de constituição do conceito de mulher. Na modernidade, o conceito de mulher emerge com a ideia da mulher para a vida social produtiva, tanto crianças quanto mulheres,eram sujeitos sociais que surgiram com a industrialização, e do ponto de vista conceitual, a definição utilizada foi a relação de diferenciação desses novos sujeitos para o individuo absoluto, o homem. 
Sendo assim, no processo da alteridade, a mulher passa a ser o não homem. E, portanto, passa a ser conceituada com todas as características opostas ao individuo pleno, o homem. Essa construção da mulher como um não homem, portanto como um individuo incompleto, é uma construção ideológica  que ao longo dos processos políticos culturais-econômicos da modernidade, essa concepção foi se afirmando e se corporificando.
A luta contra o machismo, não é só uma luta só campo das relações econômicas  é sobretudo uma luta no campo da ideologia e da cultura. 
Socialmente, a mulher só é mulher se estiver na presença do homem (essa não é a minha opinião, é apenas a forma como o conceito de mulher foi construído) . Comerciais de televisão, propagandas de revistas, filmes, novelas, seriados, revistas,sempre que a mulher aparece, ela esta associada a imagem do homem, como se ela fosse uma especie de um não homem. Se o homem é másculo? A mulher deve aparecer como frágil. Se o homem não é sexy? A mulher deve aparecer como sexy. E assim por diante. 
No livro Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer, vão dizer que na cisão entre homem e natureza, a mulher foi deixando no campo das coisas naturais,e como natureza, precisava ser dominada, e assim, a mulher foi inscrita nos processos civilizatórios.
Por sua vez, a cultura naturalizou tanto isso, que lutar contra a opressão, é necessário uma luta contra nossas próprias crenças. Em um texto meu sobre o caráter afirmativo da cultura (publicado aqui), ou seja, sobre a função da cultura em afirmar a ideologia burguesa, pontuei que as mídias em geral, desde os contos de fadas infantis, passando pelas brincadeiras e terminando nos romances adultos, afirma de forma sutil, portanto ideológica, que a mulher é assim, inferior ao homem, de modo simples, esse discurso é construído.
Acho, e tão somente acho, que um dos desafios para as feministas contemporâneas, é conseguir avançar nas discussões feministas marxistas clássicas, no sentido de ampliar a compreensão sobre os processos contemporâneos de opressão da mulher.
Talvez hoje seja mais difícil falar de feminismo, já que ao que tudo indica existem vários feminismo, de todos os tons e tamanhos, mas é preciso continuarmos remando contra a maré, como diria uma camarada feminista.