sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Por que somos contra a redução da maioridade penal: a situação das unidades de internação para adolescentes infratores no Estado do Ceara



"Há um cenário de colapso, com superlotação de até 400%. Nem no sistema prisional tem esse número. Os internos não têm atividades socioeducativas, atividades de lazer e esporte. Eles passam praticamente 24 horas em celas lotadas. Isso forma o contexto das rebeliões", diz o membro da Cedeca.
                                                                         Fonte: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2015/11/jovens-fazem-rebeliao-e-incendeiam-centro-para-menores-infratores-no-ce.html


Desde as 16 horas de hoje, 06 de Novembro de 2015, a mídia local vem noticiando diversas rebeliões nos Centros para Adolescentes Infratores em Fortaleza, no Ceara.
Os números são alarmantes: segundo a mídia local, desde o mês de Outubro desse ano, essa é a sétima rebelião. Uma pesquisa rápida pelos sites de busca, onde noticias são vinculadas sobre o levante dos jovens internados, fica evidente o cenário de colapso e calamidade.
Superlotação e condições desumanas são as principais alegações apontadas pelas matérias que retratam o assunto.
O Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo, e a população juvenil em sistema de internação também é grande. Embora nosso país tenha desde 1990 uma lei especifica para pautar as questões da infância e adolescência, sendo o Estatuto da Criança e do Adolescente um modelo para diversos países, inclusive da Europa; ainda temos muito que avançar, inclusive no que diz respeito ao tratamento e reeducação dos adolescentes autores de ato infracional.
Desde 2012 está em vigor o SINASE (Sistema Nacional de Atendimento Socio Educativo), cujo objetivo central é a regulamentação e adequação dos programas de atendimento voltados para os adolescentes infratores que cumprem suas medidas sócio educativas em regime fechado.
É importante dizer que programas de atendimento, são ações planejadas com o objetivo de possibilitar ao adolescente que ele reconstrua sua trajetória de vida, rompendo de vez com o paradigma da criminalidade, buscando outras alternativas para si em conjunto com sua comunidade e família.
Os Estados e Municípios não têm demonstrado vontade política suficiente para implantar um sistema nacional de atendimento socioeducativo que afaste cada vez mais os jovens da criminalidade, possibilitando que eles tenham outra perspectiva de vida.
O resultado? Rebeliões consecutivas, em unidades hiper lotadas, com tratamento desumano, sem acesso a educação, cultura, lazer, esporte e rotina de tortura, vexação, humilhação, privação emocional e sofrimento psicológico.
As noticias acompanhadas por fotos das rebeliões, deixa bem claro que tais unidade socioeducativas, são mini presídios, onde os adolescentes vivem a mesma rotina de ócio e violência dos presídios convencionais, onde seus familiares, sobretudo suas mães, são submetidas a exames vexatórios para as visitas, onde as atividades de lazer e socialização, são como banhos de sol dos presídios adultos.
A cada rebelião que se segue nas unidades de internação do Ceara, a situação dos adolescentes pioram. Dessa vez, com a destruição parcial das unidade, há indicações nas materias veiculadas pela mídia, que os adolescentes serão transferidos para presídios militares.
Nós, sociedade civil, não podemos aceitar tamanha afronta ao direito de nossa adolescência, seja ela de qual parte do país for.
Nós, temos que denunciar essa brutal violação dos direitos humanos, e reforçar conjuntamente com os Conselhos de Direito da Infância e Adolescência, principalmente com o Conselho Nacional da Criança e do Adolescente e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos que as violações parem!
Que os adolescentes em conflito com a lei, cumprindo medida socioeducativa de privação de liberdade, tenham ao menos, seu direito básico à vida garantido.
Chega de violação!
Não a Redução da Maioridade Penal!

Jaque Conceição
Rede de Comunicadores e Comunicadoras Contra a Redução da Maioridade Penal
Coletivo Di Jejê – SP


Para mais informações acesse: http://www.cedecaceara.org.br/

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Da Buceta



O feminino (na perspectiva da grande maioria), na modernidade é essencialmente marcado pela BUCETA.
Tanto, que existem feministas que localizam ai o ponto central da opressão, e levantam a bandeira que por isso as camaradas transgênero não poderiam reivindicar para si o feminismo.
Eu, particularmente acho isso um erro, mais eu diria que é um erro ideológico (no sentido que Marx descreve a ideologia como a realidade invertida), por que se nossa opressão está tão somente em nosso órgão, basta negarmos sua existência e uso, que consequentemente a opressão deixará de existir. Acertei? Ou têm mais?
Do meu último post pra cá, tanta coisa aconteceu. Mais o fundamental, é o meu processo de religare com meus ancestrais.
É importante dizer, que assim  como os filósofos da Escola de Frankfurt entendem que a mitologia grega é uma explicação primária da realidade, é possível pensarmos que os itáns da tradição yorubà (as histórias dos Órixas, como conhecemos no Brasil), também são uma explicação da realidade.
No pensamento oriental (bora lembrar da geografia: o continente africano está no oriente e, portanto marcado, pela lógica do pensamento oriental) não existe o "masculino" e o "feminino" tal qual nos elaboramos no ocidente. O que existe são energias que se completam equilibrando-se e desequilibrando-se permanentemente.
Todos os dias aprendo no religare, que as energias negativas e positivas estão dentro de nós constituindo nossa essência.
Sendo positivo aquilo que o ocidente chama de feminino, por que é a energia da criação e da inteligência.
E o negativo, aquilo que o ocidente chama de masculino, por ser a energia da destruição e da irracionalidade.
O que potencializa um viés ou outro, é justamente as construções filosóficas sobre a vida, os indivíduos, a sociedade, a cultura, o sexo, o prazer, a felicidade e por ai vai.
Nós, optamos intencionalmente por valorizar a nossa essência negativa, ou em palavras ocidentais: o MASCULINO.
Mesmo nós mulheres portadoras da BUCETA, temos em nós também o negativo, mas em nossa formação fomos ensinadas a valoriza-lo e cultua-lo como algo fundamental na vida.
E ele tá ai, em tudo: no poliamor (quando o foco é a quantidade de parceiros e de surubas e a tal liberdade de não se "prender" a ninguém), na condenação em praça pública de mulheres que não conseguem romper seus monstrinhos internos e não conseguem simplesmente sair por ai bebendo todas e fumando - tal qual os homens, ou quando condenamos a maternidade e o casamento (mesmo sabendo, que para nós pretos e pretas, o casamento é algo negado historicamente, nós nuca tivemos o direito de constituir família, vinculo, afeto, camaradagem entre os iguais).
Ok, vocês dirão que casamento e maternidade não aponta para a libertação dos gêneros, mas tudo nesse mundão de Odudua que o pensamento branco, burguês, liberal aprisionou nessa bolha maligna chamada racionalidade tecnológica (lembra disso? é a vida em todas suas expressões moldada e marcada pela razão técnica consagrada com a industrialização; quanto mais racional e mais técnico melhor: do sexo a leitura de um livro).
Tudo em nós está contaminado pelo individualismo, pela segregação, pela violência, pela dominação.
Na boa, euzinha, aqui sozinha com minhas inquietações, penso que devíamos voltar pra BUCETA.
Não sexualmente, mais filosoficamente, deveríamos pensar mais no que significa  a BUCETA (seja a da Pandora ou seja a minha mesma ou a sua ou a da sua mãe ou de qualquer outra mulher viva ou morta), devíamos pensar nos possíveis desdobramentos de um mundo, onde o centro não fosse o falo, mais sim a BUCETA.
Talvez, uma corrente filosófica chamada a FILOSOFIA DA BUCETA para pensarmos a fundo as perspectivas de um mundo sem violência, sem dominação, paritário e permanentemente criativo.
Tenho pensado muito sobre isso, tenho pensado muito.


Ps: Não sei se todo mundo sabe, mais a Caixa de Pandora, nada mais é que  a BUCETA. E os homens escolheram contar que todas as coisas horríveis estavam ali, só não disseram que todo o poder de criar também.

Ps1: Meu religare chama candomblé.


terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobre os Orixás


A minha família, é negra. Tem a mestiçagem, mais olhando para todas nós, vejo que somos negras. Mesmo minha irmã com a pele branca, é negra também. 
Mais levei 28 anos para entender a dimensão disso: da negritude que há em nós. Quando eu era criança, não podia usar o cabelo solto, e tinha que me comportar por que apesar de sermos negros "somos limpinhos" dizia mamãe.
E como ao longo da vida, todos os elementos que afirmam minha negritude foram negados ou recriminados, ora pela minha família, que reproduzia aquilo que foi dito a ela sobre o ser negro, ora pelos espaços sociais que transitei.
Não avalio que as coisas mudaram hoje, há uma aceitação maior sobre o negro, mais em tese, essencialmente a coisa continua do mesmo jeito, ou até pior.
Hoje os brancos, exigem que a gente que pode acessar o mundo perfeito deles, os tenha em devoção. Exigem fidelidade, aceitação e amor incondicional. Tal qual o Massa fazia com os escravos da casa grande: oh criolo, te tirei do chiqueiro que é a senzala, e deixei você comer meu resto aqui dentro da casa grande, então, seja devoto a minha pessoa. 
Nem todos os brancos são assim, a maioria, mais não todos. Existem brancos humanos que superam a barreira da cor e se portam como iguais, o problema, é que mesmo que individualmente, esses brancos tenham essa concepção de mundo, no grosso das relações sociais, eles sempre são beneficiados com os privilégios da cor.
Nunca vi um branco dizer: abro mão da minha chance por que este indivíduo negro é intelectualmente ou moralmente superior a mim, e o fato dele ser negro, não pode tirar esse mérito dele.
E acho que nem vou ver.
No meio de tanta coisa , de tanta confusão, de tanta pressão, conseguir se ver e se perceber, saber seu caminho ou ter força para construir um outro/novo caminho requer que se acredite que 400 anos de ancestralidade está viva e forte em cada indivíduo de pele e alma negra.
Moradia, alimentação, cuidado, sentimento, emoção: os orixás, o maior exemplo da nossa ancestralidade, é em todos nós, a realização plena de quem somos e de onde viemos. 
Sejamos ou não do candomblé, a nossa ancestralidade transcende a religião, a roupa,  o pensamento, o jeito que arrumamos o cabelo, as crenças que alimentamos.
São eles, na sua perfeição, que nos guiam e orientam em nossas vidas. Que permite, a nós pretos e pretas que sigamos, resistindo e construindo.
Essa semana, eu vi um filme, que contava a história do cara da foto no início da postagem, Jean-Michel Basquiat, um super artista plástico norte americano dos anos 80. Ele morreu aos 27 anos de idade, de overdose. Ele foi um gênio, simples assim! Quem ai já ouviu falar do Samo?
Quem ai já ouviu falar sobre a importância de Exú para a abertura dos caminhos, ou de que Oxum brigou para que as mulheres tomassem parte das decisões políticas, ou que Logun Edé é metade menino, metade menina. E cada um deles é uma forma de explicar o mundo e a forma como ele se constituiu?
Ser preto, é entender que você tem uma história, que sua tarefa é dar continuidade a ela, para que nossos gênios não morram pela heroína, e que nossa ancestralidade não vire fantoche cultural e modinha nas festas de branco na Vila Madalena.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Amores líquidos, Tinder e a nova jontex (ultra sensível)


Uma vez conheci um cara, que me disse que gostava de trocar fotos com pessoas do Tinder, veja bem, fotos picantes e picosas.
Na época, o tal Tinder era o fervo entre a turminha das redes sociais, e eu pobrecita que sou, não tinha acesso a tal aplicativo.
Pois bem, o tempo passou, mudei de aparelho e cai na burrada em instalar o aplicativo.
Burrada, não por que não goste de fotos picantes e picosas, mais por que o  aplicativo é no minimo curioso, para não dizer estranho.
A minha primeira impressão é que só existem homens brancos, saradíssimos e que vão pra Europa, no tal aplicativo.
Segundo, é o machismo absurdo, que normatiza as relações virtuais.
Por exemplo, se o cara for teu match mais você puxar papo no inbox, ele não retorna, por que até no mundo virtual a boa máxima de que os homens devem tomar a iniciativa, vigora e com status de verdade católica.
Ai te perguntam: é casada? Digo sim. Silêncio. Tem filhos? Digo dois. E então, acontece a parte que mais gosto: os comentários regulatórios sobre minha libido, meu corpo e a falta de televisão na minha casa (detalhe, em casa tem duas tvs, com tv a cabo hein!). 
Outro dia, um cara me disse que ia me mandar um pacote de Jontex ultra sensível, para ver se eu aprendia a usar camisinha e não ter mais filho.
Eu, do alto da minha sutileza hipopotâmica de feminista, comunista, trotskista, radical ao cubo respondi docilmente: minha conta é tal tal tal, não esquece de mandar a pensão, por que, se tá preocupado com a quantidade de filhos que tenho ou terei, é por que quer me ajudar a sustentá-los (mandei até carinha feliz hein!).
Eu tento viver a pós modernidade, ser descoladinha, trocar fotos bucetantes e picosas pela rede dos computadores.
Eu queria viver amores líquidos com Jontex ultra sensível em encontros marcados pelo Tinder.
Mais sou chata demais, feminista demais, radical demais e sem paciência demais.
Não sei ser sexy, dócil, meiga e cordata.
Defeito de fabricação e formação; o tempo do barraco de palma na Brasilândia foi duro, e fez de mim uma pessoa bruta.
Bruta porém livre.
O aplicativo continua lá, e eu continuo me divertindo com as fotos e as caras dos boys brancos hétero sexy de meia idade. Alguns tentam puxar papo, mais no primeiro "adugue", já pedem pra sair! 
Como diria Mano: a vida é sofrida, mais não vou chorar ;)





quinta-feira, 28 de maio de 2015

Um Merlot faz você feliz!


Vivemos tempos difíceis. A felicidade anda cada vez mais estranha, ou cara! Depende do ponto de vista.
Na minha infância, felicidade era ter o pai em casa, ou danone na geladeira. Hoje, ser feliz implica ter aquele peso, aquela roupa, aquele emprego, aquela viagem, tomar aquele vinho, namorar aquela pessoa, militar naquele espaço.
Há um tempo atras eu pensava, que isso era coisa do mundo adulto, por que nossa noção de mundo está ligada as nossas experiências imediatas, e, já que no mundo dos adultos, tudo se resume a pagar e comprar (e portanto trabalhar), eu pensava que todas essas coisas eram dessa fase da vida. 
Mais hoje vendo as crianças, assistindo os desenhos, lendo as histórias, eu começo a perceber que no mundo delas, as coisas também são assim; ser feliz é ter aquele brinquedo, estudar naquela escola, ter aquele amigo, usar aquele tênis, jogar aquele jogo.
Fico pensando afinal, o que é a felicidade?
Me parece que ela é um ideal inatingível, mais que fomenta a economia. Mesmo, quando a felicidade é um estado de espirito, esse estado de espirito só pode vir depois de um estado de compra. 
Para mim, a maior merda de tudo isso, é que para muitos de nós, o estado de compra não é tangível. As vezes acho, que é por isso que hoje os hipermercados mais parecem um shopping: por que ai, nós que somos a ralé da cadeia consumista, vamos lá comprar comida, fazemos um cartão de crédito e podemos consumir de tudo um pouco, e saímos felizes, por que lá é lugar de gente feliz.
Bem, aos 30 anos, aprendi que a felicidade é branca, magra, jovem e usa GAP, talvez Collins, só não lojão do Brás.
Me lembro, de uma mãe de um adolescente infrator que eu atendia, era uma mulher muito interessante. Sempre que ia no seu barraco, fazer visita, gostava de ouvi-la falar sobre sua vida. Uma vez, enquanto fumávamos um cigarro e bebíamos café requentado, ela sentada na porta do barraco, descabelada, chorava e me dizia: "que vida de merda, meu filho preso, minha filha puta de traficante, meus meninos sem roupa, e a única coisa que a novela me manda fazer é ir na manicure, isso é vida Jaque? Que merda de mundo!".
Demorei muito pra entender as coisas que ela dizia, e hoje (acho) eu entendo. 
O comercial do Pão de Açúcar me diz: um Merlot faz você feliz! O programa Saia Justa me diz: desapegue que você vai ser feliz, mais não esqueça de pegar sua calça jeans que te emagrece e sua bolsa Channel. A novela me ensina que se eu for uma pessoa humilde, que sei meu lugar, no final, vou ser feliz.
E a vida continua: meninos morrem aos 14 anos, meninas são estupradas dentro do banheiro da escola, mães visitam seus filhos na cadeia, homens morrem aos poucos esmagados pelo trabalho e falta de perspectiva.
Vai ver, perto da casa deles não vende Merlot, por que lá não é lugar de gente feliz.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Politizar o privado é preciso....



Recentemente, temos visto e lido uma onde de denúncias de abusos sexuais virtuais, cometidos por homens contra suas múltiplas parceiras.
Até aqui, ok. Por ser um espaço ricamente sexualizado, a internet também pode ser um espaço de opressão sexual e afetiva.
O que tem chamado minha atenção, frente a tais fatos, é a forma como os processos são conduzidos.
Todo mundo que é adulto, e minimamente saudável gosta de putaria, o problema no entanto, é o quanto nossa formação cristã, do faça o que quiser desde que ninguém saiba está preso em nós mais que nossa pele.
Outro problema de nossa formação cristã, é o fato de precisarmos romantizar as relações para podermos justificar nossos desejos, enquanto a putaria for entre os dois, por debaixo dos panos vale tudo, o problema, é quando ela deixa de ser exclusiva ou ganha proporção pública.
Na minha pequena opinião, estamos diante de um problema que está para além da misoginia ou machismo, ela está no nosso individualismo racional.
Nos dois casos recentes, que não vou citar exemplos, mas quem não perde um capitulo da facenovela entenderá, quando os dois homens rejeitam suas parceiras, elas iniciam um processo de denúncia e escracho público dos dois, difamando e caluniando.
Bom, para mim, isso não é feminismo.
Não posso pegar uma bandeira coletiva, histórica e reduzir ao meu interesse momentâneo.
Ou um relacionamento já nasce marcado pelos princípios igualitários, alimentado pelo feminismo, para que ele seja construído em bases libertadoras, ou o feminismo será um mero joguete, seja na mão do homem (que pode se valer disso para oprimir a parceira) ou na mão da mulher (que pode usar isso para expor o parceiro depois de um relacionamento não exitoso).
Temos que aprender, que todo e qualquer relacionamento (uma foda momentânea, um casamento de anos, uma amizade, a militância) é uma prática politica, marcado por normas e regras de condutas, que todos os participantes devem acordar e concordar.
Cabe a nós mulheres feministas, temos que doutrinar nossos parceir@s dentro dos parâmetros do feminismo e os homens que apoiam o feminismo, devem estimular suas parceir@s e amigxs a refletirem e ampliarem suas práticas sociais-afetivas-politicas-sexuais.
O que vejo e percebo, é que no gogó todo mundo é tudo, mas na hora do vamos ver, as pessoas são isso ou aquilo dentro da necessidade delas.
Isso não é revolução, isso é politica do umbigo: se for bom pro meu umbigo posso ser isso ou aquilo: posso ser até preto, mesmo que seja de família européia com muito orgulho.
O desafio que está posto a nós revolucionári@s de bom coração, é rompermos em nós e no nosso círculo mais imediato de convívio as marcas da colonização em nossa formação: um outro paradigma de relação afetiva-sexual, de indivíduo, de liberdade, de razão. 
Precisamos mergulhar na história e sobretudo na filosofia, para aprendermos a nos olhar e descobrirmos quem somos.
Enquanto isso, difamar a nós mesmos em rede social, é no minimo imoral, e consequentemente contra revolucionário.
Para finalizar, o que quero dizer, é que ou temos coragem de assumir nossas escolhas, desejos e gostos, estejamos onde estejamos, e tenhamos claro que toda ação (até o orgasmo, seja ele sozinho, em dupla, trio ou grupo é político), ou viveremos de querela em querela prontos para o próximo espetáculo da comédia da vida privada.