domingo, 22 de janeiro de 2012

Não há palavras capazes de descrever e escrever o horror que acontece no Pinheirinho....

Escrevo esse post com lágrimas nos olhos.

Isso é tudo que sou capaz de expressar frente as imagens divulgadas pela mídia sobre a vergonhosa ação policial financiada com dinheiro público no Pinheirinho.

As imagens de mulheres e crianças chorando ao perderem tudo que tem, me deixam muito triste. Pensar em tudo isso me enjoa.

É revoltante saber que num país enorme territorialmente como o nosso, as pessoas sofram por falta de moradia.

Covardia, desumanidade, genocidio, chacina são palavras ineficientes para descrever essa vergonha.

Só a luta é capaz de mudar esse horror. Álias é horror por todos os lados.

Nós lutadores, vivemos imersos num mundo permanentemente de terror. Amanhã tem atribuição no Estado e eu e meu companheiro estamos aqui aflitos para saber o que nos espera: haverá  a lei do piso, haverá aula, como será esse ano. Terá trabalho?

Penso e sei bem o que os colegas categoria O passam, no caso deles é infinitamente pior... É muita tortura, é quase um pesadelo infidavel.

Sofremos o tempo todo, choramos em silencio o tempo todo e lutamos.. porque só a luta so trará a liberdade. Só a luta trará mudanças e vitorias para nós.

Hoje eu sou Pinheiro, hoje eu sou luta e resitência, hoje eu sou poder popular. Hoje eu choro a dor dos lutadores do Pinheirinho. Hoje eu choro a nossa dor. A dor da classe operária. Sonho, desejo e luto para que essa dor acabe um dia.

Mulheres choram com seus filhos no colo, ao deixarem suas moradias em desocupação truculenta feita pela policia no Pinheirinho em SJC - 22.01.2012.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tá vendo aquelas pegadas de barro no tapete vermelho?São minhas....

Quando penso no processo de seleção para o mestrado, na faculdade, em todos os espaços que estive que não eram pra mim é assim que sinto.
A PUC é um espaço que não é para nós. A academia é um espaço que não é para nós. Parece que as marcas de barro sempre nos acompanham, estejamos onde estiver. A diferença é que na periferia, o barro faz parte da urbanística, na PUC não.
Oh yeah baby... luta de classe elevada ao cubo. Não sou a primeira mulher negra periférica a entrar num mestrado na PUC, isso não. No próprio  curso que vou fazer existem outras mulheres e homens negros. Agora a questão é em relação ao numero de habitantes negros no Brasil, quantos chegam a esse nível acadêmico?
Essa é uma pergunta que fica facinho de responder, depois de uma vaquinha inacreditável para pagar a matricula do mestrado, acho que fica fácil de supor a nossa dificuldade.
Numa perspectiva cultural, acho mais fácil a PUC limpar minhas marcas de barro do chão e até de mim, e me ensinar a usar saquinho no pé para esconder minhas marcas.
Será uma luta, que espero não me perder e esquecer quem sou de qual lado estou e porque estou.
 Espero sempre me lembrar de que para burguesia, eu deveria estar atrás de um tanque lavando calcinha da patroa e sendo abusada pelo patrão. Varrendo lixo na rua ou me prostituindo. Para burguesia eu deveria estar em casa sendo oprimida pelos filhos e pelo marido.
Isso me lembrou uma coisa que li no facebook ontem, uma conversa sobre rebeldia e luta de classe e alguém colocou que a rebeldia não podia ser usada como esporte e somente no momento adequado.
Mas penso que para nós, mulheres proletárias a rebeldia é o que nos dá força para lutarmos. É por sermos rebeldes que nos desvencilhamos das amarras da opressão patriarcal capitalista e subvertemos nosso destino e pouco a pouco vamos construindo nossa história.
É graças a rebeldia que temos força e coragem de dizer: não somos um pedaço de carne, somos gente como vocês – sentimos, sofremos, sonhamos, lutamos, queremos e esperamos.
É com essa força que a gente segue lutando, seja como for e aonde for... Afinal tudo que nos resta nessa vida que nos foi imposta é lutar e se rebelar... Mostrar que a nossa marca, o que nos torna mulher: o útero... é o que nos impulsiona na luta pela revolução, pelo fim do capitalismo e de toda forma de exploração, opressão e exclusão.

Indicação: Filme - Histórias Cruzadas (The Help)




Sinopse: Mississipi, década de 1960. Skeeter acabou de terminar a faculdade e sonha em ser escritora. Ela põe a cidade de cabeça para baixo quando decide pesquisar e entrevistar mulheres negras que sempre cuidaram das "famílias do sul". Apesar da confusão causada, Skeeter consegue o apoio de Aibileen, governanta de um amigo, que conquista a confiança de outras mulheres que têm muito o que contar. No entanto, relações são forjadas e irmandades surgem em meio à necessidade que muitos têm a dizer antes da mudança dos tempos atingir a todos.











Indicação: Filme - Minhas tardes com Margueritte

Imagine o inusitado encontro de duas forças. Um coração bruto, angustiado, a espera de lapidação, e uma invejável sabedoria escondida num corpo franzido. Germain (Depardieu) é um homem simplório, gentil, de poucos recursos intelectuais. "Ler? Tentei uma vez e não deu muito certo", afirma. Margueritte (Gisèle Casadesus) é uma simpática nonagenária, viúva e sem filhos, apaixonada por livros. Quarenta anos e muitos quilos os separam.



O filme fala das diferenças que, mais que atrair, complementam as pessoas. A amizade inicia ao acaso, quando ambos dividem o mesmo banco no parque. Ela recitava versos enquanto o amargurado homem alimentava os pombos. Gerárd Depardieu esbanja talento em uma composição sensível e inteligente e Gisele Casadesus – com incríveis 96 anos – mantém o nível do parceiro.

A direção extrai o sentimentalismo necessário com a fruição de habilidosos diálogos e sem o uso abusivo de recursos técnicos para a composição da mise-en-scène. O resultado envolve o espectador do começo ao fim, que se emocionará com a troca afetiva dos personagens. O prazer de viver e aprender é inesquecível.
 
 

Ás vezes...

Ás vezes o mais difícil de ser mulher é simplesmente ser mulher. Parece um absurdo inacreditável essa frase, mas na verdade, ao menos para mim, ela expressa a mais absoluta verdade, e talvez por isso pareça tão absurda, afinal toda verdade é absurda.
Quando penso na minha história de vida, de minha mãe, irmã, sogra, cunhadas, amigas.. de todas as mulheres que me cercam sinto uma dor enorme no peito, as vezes um vazio que se torna insuportável.
De fato, levamos uma vida desumana. Somos tratadas como objetos; as qualidades femininas atribuídas pela sociedade machista sempre nos equivalem a objetos: obra de arte, dádivas da natureza, bonecas... Não temos qualidades pelo que somos e somente pelo que devemos aparentar ser.
De todos os fardos que carregamos a maternidade é o mais pesado. A própria ideia de carregar de uma criança dentro de seu corpo e a responsabilidade com o bem estar dessa futura pessoa.
Ao contrário do que pode aparentar a tão falada MP sobre o bolsa gestante só serve para nos controlar mais e mais, as vezes fico pensando porque não nos colocam dentro de um jaula com correntes, seriam mais fácil para eles e para nós.
Na verdade acho que a luta pela liberdade feminina, para nos mulheres é muito mais instintiva do que racional. Passei esses dias todos pensando na moça que foi estuprada para milhões de pessoas assistirem, e nem ao menos pode contar com o apoio de sua mãe, de sua família. Ter sua vida assim dilacerada, sua intimidade invadida de forma tão brutal e estar sozinha em um lugar cheio de pessoas estranhas e com milhões lhe julgando e apontando o dedo....
Pior do que ver e ler homens defendendo o violentador, é ver mulheres defendendo o cara e dizendo que ela bebeu porque quis, afinal a mãe dela não a ensinou o que acontece com quem bebe demais.
Olha o nível de loucura e alienação em que vivemos, olha a loucura em que esse mundo está inserido.
Lamento profundamente pela moça que foi exposta dessa maneira, lamento pela sua mãe. Pelo seu desespero de ver sua filha em tal situação sem poder abraça-la para conforta-la.
E, a única que sei, que aprendi nessa vida dura que levamos, nessa vida de sofrimento e privação destinada a nós mulheres é que só a luta nos permite se libertarmos e realizarmos como construtoras de nossa própria história, de nosso corpo, de nossos sonhos e desejos.
Então lutemos por um mundo sem machismo, racismo, homofobia, xenofobia e fundamentalmente sem capitalismo.
Enquanto houver capitalismo haverá machismo, haverá estupros ao vivo, haverá Medidas Provisórias para controlar nossos úteros e ser mãe será um fardo e muitas vezes sinônimo de sofrimento e dor.