quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ancestralidade

O negro que sofria na senzala
Trabalhava na fazenda da feitor,
E um dia ele escutou um lamento
Era Zumbi dos palmares
Foi ele que quem libertou
Hoje falou...


Falou, falou da escravidao, falou,
falou, falou da opressao, falou,
falou, la nos tempos de Bimba, falou,
falou, hoje se escutou...


Berimbau ajudava os capoeiras
La no tempo la no tempo da opressao
Se escutava o toque de cavalaria
Quando a policia seguia berimbau ja me avisou
Hoje falou...


Falou, falou da escravidao, falou,
falou, falou da opressao, falou,
falou, la nos tempos de Bimba, falou,
falou, hoje se escutou...


Manuel foi o mestre respeitado
Criador da arte da regional,
Hoje em dia seu nome será lembrado,
Ja nao se esqueçeu do homen que a Capoeira falou...


Falou, falou da escravidao, falou,
falou, falou da opressao, falou,
falou, la nos tempos de Bimba, falou,
falou, hoje se escutou...


Historia que se narran do passado
Jogadores que se escutam ate hoje
E os cantos que me levam pelos tempos
Lembrando issos momentos onde o berimbau tocou
Falou...



Falou, falou da escravidao, falou,
falou, falou da opressao, falou,
falou, la nos tempos de Bimba, falou,
falou, hoje se escutou...






terça-feira, 10 de julho de 2012

Maternidade: seria bom se viesse com guia ilustrado e comentado!!!!

Bom, tenho duas crias. O João de 5 anos e o temido Pedro de 2 anos, com suas birras e manhas interminaveis, e sempre em público.
As vezes nem parece que ele é o segundo. Faz escandâlo na rua, grita, bate, briga, xinga em bebenês, é uma loucura.
E eu o pai, vamos levando como podemos. Acho que o pior já foi: colica e a desmamada.. quer dizer pra mim isso foi uh oooo...
Poderia partilhar várias experiências (algumas deram certo, outras foram um fiasco), mas vou deixar aqui a recomendação de um site super bacana, que vale a pena ser visto e revisto por todas as mulheres que carregam o doce e pesado fardo da maternidade.

http://brasil.babycenter.com/

E, em tempo, esses dois são meus pequenos revolucionários: JOÃO - 5 anos  e PEDRO - 2 anos.





Cinema - indicação : A guerra dos botões (2012)

Em 1960 em uma aldeia no sul da França um bando de meninos com idades entre 7 a 14 anos liderados pelo audacioso Lebrac está em guerra com as crianças da aldeia vizinha. Para vencer seus inimigos vale tudo até aceitar a ajuda de uma garota Mas não é fácil ser um pequeno exército de homens sem ser pego por mamãe e papai Ao voltar para casa após um dia de batalha com as roupas rasgadas e botões a menos o maior desafio é ser discreto para fugir do castigo...br O filme dirigido por Yann Samuell é baseado no clássico romance francês A Guerra dos Botões de Louis Pergaud que já foi adaptado para o cinema em três ocasiões anteriores. Para a adaptação de 2011 uma personagem feminina foi criada: Lanterne que tenta desesperadamente se integrar no bando dos meninos e com essa personagem o diretor quis representar o movimento de emancipação das mulheres que era bastante em voga nos anos 60 época em que se passa a história.
Ah, o doce cinema francês, nem precisa dizer muita coisa. Lindissímo o filme, dos de fazer chorar pela leveza com que os assuntos são tratados, mas ao mesmo tempo com a profundidade que os mesmos assuntos nos tocam. Pelo que vi na net, há uma versão de 1964. Essa ainda não vi, vou tentar baixar e depois compartilho.

Quem tiver um tempo de folga nessas férias, vá até o cinema, veja essa preciosidade e não irá se arrepender. Oui, chèri est trè bon!!! 



Cinema - indicação: O homem que não amava as mulheres (2012)

Querendo se esquivar de uma sentença por difamação, o jornalista Mikael Blomkvist se retira para uma ilha remota no extremo norte da Suécia onde o assassinato não solucionado de uma garota jovem ainda assombra seu tio industrialista quarenta anos depois. Escondido em um chalé na ilha onde o assassino ainda pode estar rondando, a investigação de Blomkvist o leva para os segredos e mentiras dos ricos e poderosos, e o coloca junto de uma aliada pouco convencional - a tatuada, punk hacker, Lisbeth Salander.

Cara, filme muito foda mesmo. Precisa ser visto várias vezes para poder diluir bem a história. A atuação de Rooney Mara ( a mesma que faz a cientista personagem principal de Prometheus - 2012) é muito boa. Um baita filmão mesmo. Eletrizante do começo ao fim.





Cinema - indicação: Prometheus (2012)

O visionário diretor Ridley Scott retorna ao gênero que ele ajudou a definir, criando um épico de ficção-científica original em um dos lugares mais perigosos do universo. O filme une uma equipe de cientistas e exploradores em uma jornada que testará os limites físicos e mentais, coloncando-los em um mundo distante, onde eles descobrirão as respostas para nossos dilemas mais profundos e para o grande mistério da vida.
Depois de ver o filme, fiquei com vontade de rever a saga Alien... Certas cenas do filme Promotheus relembra demais os filmes da sequência Alien. Ao sair da sala de cinema estava com várias perguntas.
Gosto de filme assim, que nos deixam com sensação de preciso ver outros filmes para entender esse.


O corpo das mulheres

Abaixo, está o video de um documen tário muito interessante sobre a mulher e a forma como seu corpo, e por que não, sua essência são retratados pela sociedade capitalista.

Vale muito a pena assistir!!!
Embora seja um vídeo italiano, abre bastante margem para discutirmos sobre nossa realidade, cá em terras tupiniquins.

Feminismo e marxismo






«...A questão das mulheres só está presente nas classes da sociedade que são, elas próprias, resultado do modo de produção capitalista... Existe uma questão das mulheres para as mulheres do proletariado, da burguesia, da camada intelectual e da elite dirigente. A questão assume diferentes formas de acordo com a situação de classe de cada uma destas camadas.» Clara Zetkin

                                 

A mulher e a luta pelo socialismo - Por Henrique Canary (www.pstu.org.br)

Com esta publicação, buscamos resgatar as formulações clássicas do marxismo sobre a questão da mulher: desde as elaborações sobre a origem da família e da opressão; passando pelo processo de integração da mulher na produção fabril capitalista e as contradições que marcam esse fenômeno; a necessidade da organização e da mobilização conjunta das proletárias e dos proletários para a luta contra o capitalismo; chegando até as medidas concretas destinadas a acabar com a opressão da mulher e que foram implementadas pela primeira revolução socialista vitoriosa da história, a Revolução Russa; bem como o retrocesso nessas medidas, que se verificou com a degeneração stalinista da URSS.

A mulher e a luta pelo socialismo traça um panorama histórico, político e teórico sobre os milhares de anos de opressão e exploração que pesam sobre as costas de mais da metade da população mundial. Mas não se trata apenas do passado. Ao resgatar a história, o marxismo sempre se preocupou com o futuro. Em um dos textos mais marcantes da coletânea, Lenin afirma: “A mulher, não obstante todas as leis libertadoras, continua uma escrava doméstica, porque é oprimida, sufocada, embrutecida, humilhada pela mesquinha economia doméstica, que a prende à cozinha, aos filhos e lhe consome as forças num trabalho bestialmente improdutivo, mesquinho, enervante, que embrutece e oprime. A verdadeira emancipação da mulher, o verdadeiro comunismo, só começará onde e quando comece a luta das massas (dirigida pelo proletariado, que detém o poder do Estado) contra a pequena economia doméstica, ou melhor, onde comece a transformação em massa dessa pequena economia em grande economia socialista”.

Essa visão marxista da luta contra a opressão da mulher é absolutamente oposta à maioria esmagadora das “teorias de gênero” hoje vigentes, que buscam explicar a opressão da mulher pelo homem como sendo o resultado natural e inevitável da convivência entre os dois sexos. Tal perspectiva, absolutamente a-histórica e anti-científica, só serve para jogar as “mulheres em geral” contra os “homens em geral” e atrasar a libertação de ambos (sobretudo das primeiras) das garras da exploração e da opressão capitalistas. O marxismo, ao contrário, oferece, nas páginas deste livro, uma análise histórica clara e uma perspectiva futura absolutamente otimista em relação à luta contra a opressão: uma sociedade sem classes, sem diferenciações de gênero, raça, nacionalidade ou orientação sexual – uma sociedade socialista.

Como diz Cecilia Toledo, organizadora da coletânea, no prefácio a esta edição: “Estão errados aqueles que acusam o materialismo histórico de nunca ter dado a devida importância ao tema da libertação feminina. (…) Na verdade, o socialismo científico, desde que viu a luz há 164 anos, sempre se preocupou com a questão feminina, e buscou formular, nos marcos de uma sociedade divida em classes, a política mais justa para o problema. É exatamente isso que o diferencia de todas as outras corrente de pensamento”.

É com esse espírito que oferecemos às mulheres e aos homens trabalhadores esta obra, que consideramos indispensável.

A Mulher e a Luta pelo Socialismo
Preço: R$ 30
Contato:vendas@editorasundermann.com.br | www.editorasundermann.com.br

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Mulher não é objeto!!!!

O Bóson de Higgs e o socialismo

Por Henrique Canari

"Por que deveríamos subsidiar a curiosidade intelectual?"
Ronald Reagan, presidente americano, discurso de campanha eleitoral, 1980.

"Nada é mais digno de nosso patrocínio que o fomento da ciência e da literatura. O conhecimento é, em todo e qualquer país, a base mais segura da felicidade pública"
George Washington, presidente americano, discurso no congresso, 1790.


No dia em que se comemora a Independência norte-americana, dia em que os Estados Unidos escolheram para dizer para si mesmos e para o mundo como eles são uma grande nação, a velha Europa, mergulhada em crise, mas herdeira de uma gloriosa tradição intelectual, anunciou o que pode ser o maior feito científico desde o descobrimento do DNA, em 1953.

O “bóson de Higgs”, partícula fundamental que fornece massa a todas as outras partículas e que, portanto, é responsável por formar simplesmente toda a matéria do universo, está prestes a ser encontrado. No último dia 4 de julho, experimentos realizados no Centro Europeu de Física Nuclear (CERN) mostraram fortes indícios da existência do bóson. Embora muitos cálculos e novos experimentos ainda precisem ser feitos, é inegável que nos aproximamos cada vez mais da última fronteira que nos permitirá entender a origem da matéria, e com ela, a origem do próprio universo. Mas as lições desse feito não se reduzem ao mundo da ciência e aos cadernos de domingo dos jornais burgueses. Todo operário consciente deve conhecer essa discussão e saber tirar as conclusões necessárias.

O incrível mundo subatômico
Como todos aprendemos na escola, a matéria que nos rodeia é composta por átomos. Mas os próprios átomos, que antes se acreditavam unos e indivisíveis, são apenas uma combinação específica de outras partículas ainda menores: os prótons, neutrons e elétrons. Os prótons e neutros se agrupam no núcleo do átomo em um número específico, dando origem a um determinado elemento químico: hidrogênio, oxigênio, carbono etc. Os elétrons, por sua vez, orbitam esse núcleo.

Frequentemente, para representar um átomo, desenhamos um pequena esfera com os elétrons girando ao seu redor. Isso é assim apenas em parte. A ideia central está correta, mas se fôssemos levar em consideração a escala das coisas, o desenho seria muito diferente. Se o núcleo do átomo fosse do tamanho de um limão, por exemplo, os elétrons estariam girando a cerca de 3 quilômetros de distância desse “limão” (núcleo). Quer dizer, o espaço entre a órbita dos elétrons e o núcleo atômico é imensamente “grande” (em termos sub-atômicos, obviamente). Daí tiramos uma primeira conclusão como mínimo impressionante: a maior parte da matéria que vemos, das coisas e pessoas que tocamos e sentimos é composta de... vazio.

Assim, ao estudar o mundo subatômico, os cientistas começaram a descobrir coisas fantásticas. Mas o mais importante: começaram a perceber que as leis tradicionais da física, a chamada “física newtoniana” (em referência a Isaac Newton, formulador das leis da mecânica clássica) simplesmente não se aplicavam ao mundo subatômico. Por exemplo, na física clássica, qualquer objeto, para dar uma volta completa em torno de si mesmo, tem que girar 360 graus. Assim ocorre, por exemplo, com a Terra ou com um casal que dança forró. Já no mundo subatômico, existe toda uma classe de partículas que, para dar uma volta completa em torno de seu próprio eixo, tem que girar... 540 graus, ou seja, uma volta e meia. Isso parece muito estranho, mas é assim.

Esses estranhos fenômenos observados pelos cientistas deram origem a uma nova mecânica, a mecânica do mundo subatômico, completamente diferente da mecânica clássica de nosso mundo visível: a chamada mecânica quântica.

O “modelo padrão”
Estudar o mundo subatômico é algo muito complicado. Não se pode abrir um átomo e ver o que tem lá dentro. O que se sabe sobre sua estrutura interna provém fundamentalmente de experimentos que “refletem” essa estrutura e, obviamente, de muitos cálculos matemáticos. Assim, ao longo do tempo, foi se estabelecendo um determinado “modelo” de como seria essa estrutura interna, seus componentes, seu comportamento etc. Isso não significa que os cientistas façam “especulações” sobre o mundo subatômico. Muita coisa foi demonstrada com precisão através de experimentos absolutamente incontestáveis, verificados exaustivamente por todo o mundo científico. Já outra parte do “modelo” não foi ainda demonstrada. Mas mesmo o que não foi ainda demonstrado ou descoberto foi previsto matematicamente. Ou seja, os cientistas não detectaram ainda algumas partículas subatômicas, mas eles sabem que elas devem estar lá, só podem estar lá, porque todo o modelo só faz sentido se elas existirem e estiverem lá.

O “modelo padrão” é, portanto, um enorme (ou minúsculo) quebra-cabeça que vem sendo montado ao longo de várias décadas através dos esforços conjuntos de diferentes gerações de cientistas de diversos países.
A última peça desse quebra-cabeça é o “bóson de Higgs”, cujos indícios foram encontrados no último dia 4 em Genebra, na Suiça.

O “bóson de Higgs” e o LHC
A peça faltante no quebra-cabeça do modelo padrão diz respeito ao seguinte: como se formam as partículas subatômicas? Como elas adquirem massa, ou seja, como se tornam matéria?

Em 1964 o físico britânico Peter Higgs propôs a hipótese de que existiria uma partícula específica no mundo subatômico, cuja função seria justamentre fornecer massa a todas as outras partículas. Essa partícula, pelo cálculos de Higgs, teria surgido logo após o Big Bang, há cerca de 15 bilhões de anos atrás, dando origem aos primeiros átomos e à matéria tal qual nós a conhecemos.

No entanto, a hipótese de Higgs permaneceu apenas um modelo matemático porque não havia condições técnicas de por à prova sua teoria.

Somente em 2008, com a inauguração do LHC (Large Hadron Colider, ou “Grande Colisor de Hádrons”), um imenso acelerador de partículas de 27 quilômetros de circunferência enterrado na fronteira entre a Suiça e a França, foi possível dar início aos experimentos que deveriam demonstrar a existência do bóson de Higgs.

O que faz um acelerador de partículas? Basicamente, consiste em dois tubos circulares dentro dos quais se injetam duas “nuvens” de prótons eletricamente carregados. Essas “nuvens” vão sendo aceleradas em direções contrárias por meio de um sistema de imãs colocados ao longo dos tubos. Quando as duas nuvens atingem 99,99% da velocidade da luz, os dois tubos são “conectados” um ao outro (como nos desvios de trens), fazendo com que as duas “nuvens”, que giravam em direções opostas, se choquem violentamente. A colisão é tão poderosa, que a energia liberada pode ser comparada (proporcionalmente, é claro) ao próprio Big Bang. Os prótons literalmente “se quebram”, dando origem a partículas menores, ou seja, demonstrando de que são feitos. Quanto maior o choque, menor a partícula gerada e mais a fundo a estrutura subatômica é revelada.
Foi basicamente esse experimento que detectou fortes indício do bóson de Higgs no último dia 4 em Genebra. Se não o capturamos ainda, pelos menos estamos nas suas pegadas...

O que muda com o bóson de Higgs?
Uma coisa muito importante: a percepção do homem sobre o universo e a matéria. Se o bóson de Higgs for encontrado, ficará definitivamente provado que a matéria pode sim surgir do nada.

Isso abalaria profundamente os alicerces das distintas religiões, pois várias delas, depois que aceitaram muito a contragosto a ideia do Big Bang, seguem batendo na tecla de que a matéria do universo não poderia ter surgido “do nada”. O bóson de Higgs comprovaria justamente que a matéria não só surgiu do nada, como ainda hoje surge constantemente do nada e se transforma constantemente em nada. Aceitar essa ideia é difícil para qualquer pessoa normal exatamente porque se trata de um fenômeno quântico, ou seja, regido por outras leis que não as da física clássica. Parece ilógico, absurdo, irracional, mas de acordo com as leis da física quântica, é um fenômenos tão banal, quanto a queda de uma maçã ou a frenagem de um carro.

“Partícula de Deus”?
O bóson de Higgs é frequentemente chamado na imprensa de “partícula de Deus”. A conotação ideológica do apelido é evidente: tentar atribuir a Deus a existência da partícula, mantendo assim uma visão mística do universo.

No entanto, há dois problemas com esse apelido: o primeiro é que ele não passa de um mal entendido. Em 1993, o prêmio Nobel de física Leon Lederman escreveu um livro sobre o bóson de Higgs, cujo título em inglês era “The goddamn particle” (literalmente, “a partícula maldita”), em referência às dificuldades que se enfrentavam para encontrá-la. Mas a editora de Lederman achou o título muito agressivo e mudou para “The God particle” (A partícula de Deus), para não afastar o público religioso. O infeliz apelido acabou pegando e a pobre partícula é chamada assim até hoje.

O segundo problema é que o bóson de Higgs justamente afasta ainda mais a ideia de um deus-criador do universo. Da mesma maneira que Darwin demonstrou que o homem não necessitou ser criado, pois havia evoluído de especies anteriores, assim também o bóson de Higgs demonstrará simplesmente que a matéria do universo (ou seja, tudo!) não precisou de um deus para ser formada. Formou-se e organizou-se por si mesma.

Sobre isso, é bom que se esclareça: nenhuma descoberta científica jamais provará a inexistência de deus, como desafiam os religiosos. Isso é assim por uma questão lógica. Só se pode provar que algo “existe”. Não se pode provar que algo “não existe”. Justamente por isso, o ônus da prova recai sempre sobre aquele que quer demonstrar a existência de algo. Mas cada descoberta científica prova, isso sim, que deus não é necessário. Com o tempo e com o avanço da ciência, assim esperamos, a hipótese de um ser-criador do céu e da terra ficará cada vez mais insustentável e as pessoas abandonarão essa ideia de maneira mais ou menos natural.

As conclusões políticas
A discussão sobre o bóson de Higgs nos remete também a outras, mais políticas. Em primeiro lugar, ficou definitivamente comprovada a importância decisiva do financiamento estatal às pesquisas científicas. O LHC custou cerca de 3 bilhões de euros. Quando começaram as discussões sobre sua construção, muitos políticos e meios de comunicação criticaram o projeto como sendo um “brinquedinho” para cientistas vaidosos brincarem de deus. Obviamente, nenhuma empresa privada queria investir tanto dinheiro em algo que não se tinha nenhuma certeza que iria dar certo. Se chegou a especular que os experimentos com as nuvens de prótons gerariam um buraco-negro que engoliria todo o planeta etc. Tamanho o obscurantismo de certos meios reacionários...

Pois o LHC não só foi construído com dinheiro estatal em um consórcio entre diversos países, como funciona de maneira extremamente democrática: os dados obtidos em todos os experimentos são compartilhados livremente com milhares de cientistas no mundo inteiro. Ficou provado também, portanto, que as atuais leis que regem a propriedade intelectual na maioria dos países protegem apenas as grandes corporações, sendo absolutamente nefastas para desenvolvimento da ciência. É preciso garantir o livro compartilhamento de toda e qualquer informação, seja ela científica, cultural, política ou de qualquer outra natureza. As novas leis que estão sendo votadas em vários países, sobretudo EUA e Europa, e que regulam o uso da internet e criminalizam compartilhamento de informação, sob a justificativa da “proteção” dos autores, vai na contra-mão da história. Puxa a humanidade para trás.

O espírito da ciência e o socialismo
O que buscam os cientistas do CERN quando enviam os dados de seus experimentos para colegas do mundo inteiro? A resposta é simples: buscam críticas ao seu trabalho. Querem que outros cientistas encontrem os erros que eles não encontraram. Tal é o espírito da verdadeira ciência: a verdadeira ciência é movida por grandes paixões e hipótese visionárias, mas é rigidamente controlada pelo pensamento cético. A ciência não busca respostas fáceis e fábulas reconfortantes. A ciência busca a verdade. Só a verdade lhe interessa, por dura, incômoda ou vulgar que seja.

O socialismo, ao libertar a sociedade das amarras da propriedade privada e do lucro, dará à ciência um impulso nunca visto. A ciência verdadeira, sinônimo de liberdade e humildade, será ensinada nas escolas, na internet, nos programas de TV (ou outras tecnologias que venham a ser criadas) de maneira profunda e interessante, e substituirá as atividades fúteis e alienantes que preenchem hoje a infância de nossas crianças. A população será cientificamente culta. Dessa população culta e consciente, se destacarão em número inacreditável para nossos padrões atuais, os novos gênios do mundo comunista. As mais fantásticas obras da ficção científica serão realidade em nosso cotidiano e o cidadão comum terá acesso não apenas ao fruto da ciência, ou seja, à tecnologia, como é hoje, mas conhecerá o próprio processo científico. Será mais consciente de si mesmo e do mundo a seu redor. A simples curiosidade, característica dos mamíferos superiores (e não devemos esquecer nunca que somos apenas uma entre as várias espécies de mamíferos) trouxe o homem até aqui. No futuro, conduzirá a humanidade muito além, até fronteiras jamais sonhadas.

Fonte: www.pstu.org.br