sábado, 27 de outubro de 2012

O vermelho de SP

Desde o dia 01 de Outubro desse ano, já foram assassinados 90 jovens (se há dúvidas quanto esse número, CLIQUE AQUI) na Cidade de São Paulo e na Grande São Paulo.
São jovens na sua grandissima maioria do sexo masculino, com idade entre 15 a 24 anos, negros e moradores das periferias da capital e da grande SP.
Foram assassinados em bares ou esquinas dos bairros pobres dessa regiões do Estado, sempre após as 22 horas. O modus operandi dos assassinos é o mesmo: homens amados e encapuzados em carros pretos sem placa ou motocicletas sem placa, chegam, atiram e fogem sem testemunhas.
A policia insiste em dizer que são gangs em disputa por pontos de drogas ou acerto entre criminosos.
Mas a questão é a seguinte: a gente que mora aqui na favela, tá sempre ligado no movimento e sabe que esse não é a forma do crime resolver suas paradas.
Ouvi essa noticia hoje na hora do almoço, passei o dia com isso na cabeça e várias coisas também. Me lembrei do grandioso festival Existe Amor em SP, que aconteceu semana passada. Fiquei pensando na elite intelectual de SP que junto com os ingênuos vestiram a ideia do novo do PT. Fiquei pensando na cor de quem pensa e de quem morre.
Claro, que a PM tá agindo através de grupos de exteriminio, e que o Governador Picolé de ChuChu se faz de desentendido. Mas, essa poltica de exterminio não é coisa inventada pelo PSDB não. 
Se olharmos o presente temos dois bons exemplos de exterminio da juventude pobre: Cabral no Rio (cujo partido é aliado do PT) e o Wagner na Bahia (que é do PT). Ok, nesse exato momento, você deve estar se perguntando o que o Paes e o Wagner (ambos expoentes da politica PTista, que por sua vez expõem a politica de segurança mundial - lembra da Guerra do Iraque? Sabes o que acontece na Palestina?), para me fazer entender, vou voltar no tempo.
Em 2004 o Brasil assumiu junto a ONU o comando da Missão de PAZ no Haiti, denominada MINUSTAH, essa missão tinha o objetivo reconstruir o país mais pobre do Caribe e possibilitar seu desenvolvimento socioeconômico (para saber mais sobre o HAITI clique aqui ). Na verdade, passou todos esses anos, o que as tropas militares estrangeiras e inclusive o Brasil tem feito lá, é treinar seus militares para a pratica de exterminio e opressão nos bairros pobres e operários do país. Já sabemos, que o BOPE e o Exercito foram treinados por militares israelenses (nem precisa de referencial, uma googada bem rápida mostra os horrores da Palestina, e é lá que os milicos israelenses aprendem a fazer desumanidades e depois ensinam para os milicos de cá que primeiro treinaram no HAITI e depois vão aplicar aqui no Brasil).
Existem várias pontos que permeiam o processo de exterminio da juventude negra no Brasil (sim Rio e Salvador já estão fazendo isso a pelo menos uns 3-4 anos), o Haiti, a Palestina, a Grécia, a Africa do Sul e a crise econômica européia. Está tudo ali ligado pelo capital e a necessidade destruidora do Capitalismo em se reeguer as custas do sangue, suor e lágrimas da classe trabalhadora.
Junto com a opressão ao povo haitiano, foram levadas industrias que pagavam para as operárias 1 dolar por dia (essa mesma fabrica da Lewis pagava 16 dolares a hora para operárias norte americanas), as mulheres negras de lá, trabalham 16 horas por dia, vão ao banheiro vigiadas por seguranças, e não possuem nenhum direito trabalhista. Entre as diversas empresas que lá se instalaram há a do Finado José de Alencar (porque burguês bom é burguês morto), a Coteminas, que também pagava os miseros 1 dolar por 16 horas/dia de trabalho para as operárias hatianas. Não podemos esquecer, que o centro da crise Grega também tem haver com as Olimpiadas de 2004.
Mas pera lá, vamos voltar mais no tempo. Depois do Bush ter declarado guerra ao Iraque (e por consequencia a tudo que estivesse liagado ao mundo árabe), no melhor estilo da guerra preventiva e do "quem não reagir ficará vivo", e de toda a corrida armamentistas e do escoamento de grana e a propria crise norte americana, o sistema capitalista foi buscando formas de fazer a máquina girar: intervenções em vários países com eleições de governos de Frente Popular (o melhor exemplo disso é Brasil com a Eleição do Lula e da Argentina com a eleição da Cristina) como forma de acalmar os animos aqui na banda Latina da America, depois a missão no Haiti (pais rico ainda em regiões naturais, mão de obra baratissima e pela posição geografica favoravel), depois Olimpiadas na Grecia e em seguida crise, opressão a morte de um jovem, multidões na Rua, greve geral, ameaças de embargo. 
E depois disso, mais guerra, mais opressão, mais intervenção nos setores estrategicos como a Educação (podemos usar o PNDE como bom exemplo).
Ah, tem também Eleição do Obama e logo em seguida Copa na Africa do Sul ( e olha que coisa mais emblemática: um negro eleito na maior potência do Mundo e potência essa extremanente e historicamente racista; e a copa no país que é o maior exemplo histórico de segregação racial).
E as não coincidencias vão se encontrando, e nesse ciclo de guerra, opressão, exploração, manipulação voltamos para o Brasil de hoje, para a SP de hoje.
Claro, que o fato da Dilma ter sido eleita, elevou o número de mulheres que cotidianamente são vitimas de violência, mas isso é bobagem, diriam os rosados de SP. Mera coincidência.
Tinhamos todos os elementos objetivos para o esclarecimento, mas o que vemos é o recrusdecimento da barbárie: violência, exploração, deteriorização das condições de vida, homofobia, racismo, machismo, segregação entre a SP de ricos e de pobres como sempre diz o candidato do PT.
Ingênuo é quem compra a ideologia do ROSA, ingenuo é quem compra esses discursos psicologicamente utilizado de que temos que amar cada vez mais, que a revolta e a raiva só destrõem.
Mas, continuo concordando com o alemão que não gosto tanto: para fazer algo diferente, as vezes é necessário destruir completamente o que já está posto.
Para um post de um blog, escrevi demais. 
Porém, amanhã vamos brincar de ingênuos e escolher entre o Burguês Bom ou o Bom Burguês.
Tanto faz PSDB ou PT, são iguais, aplicam e rezam a mesma cartilha. Ingênuo de quem acredita seja um ou em outro. 
Mas, no final das contas quem morre mesmo são os nossos jovens. No final das contas meus filhos por serem pretos sempre serão 50% culpados.
No final das contas o sangue, o suor e as lágrimas são nossas e não deles.
No final das contas, quem conta os corpos e seca os copos somos nós.
É poeta, não existe amor em SP.
Só será possível SP ser rosa, quando o vermelho dos 90 jovens mortos nos últimos 20 dias tiverem sido apagados da história de nossa Cidade e de nossas memórias.
Mais isso só em outro mundo, porque a Terra... Essa eu acho que não existe mais.
Talvez, o mais real é que vivemos num quadro pintado com apreço pela civilização, quando desde seu surgimento, optou pela violência como instrumento para a organização e evolução da civilização. Quando desde o principio, a humanidade optou pela dominação e exploração.
Mas, sigamos.. hoje sem amor, hoje sem esperança, hoje sem sentir.
Só a luta muda a vida, só a luta nos liberta!