quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Amélia que era mulher de verdade!


Adoro o Facebook! Rola cada preciosidade por lá, uma delicia!!!
Antes de ler este post, sugiro a você car@ leitor/a que veja o vídeo antes (caso você não tenha visto). Você só contextualizará nossa discussão de hoje depois de assisti-lo.
Para quem já teve o enorme prazer em vê-lo no Facebook, podemos começar.
A muito tempo, venho abordando em algumas postagens aqui no blog, o fato de que a mulher é ensinada o tempo todo e por tudo a ser submissa, e que no fundo da alma deles, os homens gostam mesmo é de mulher submissa.
Para que fique bem clara minha argumentação, vou usar três exemplos do cotidiano, para explicar o quanto as abobrinhas que as religiosas do vídeo ai em cima dizem não é tão incomum no mundão fora da igreja e dos templos, e que inclusive, muitas de nós multiplicamos em nosso cotidiano a máxima da submissão, quer consciente ou inconsciente.
Eu como feminista, marxista e revolucionária que sou, fiquei estarrecida logo de cara quando elas dizem: elas tem carreira e não sabem pregar um botão. 
Na hora me lembrei de uma tarde, em que fui participar do curso sobre as Mulheres e o capitalismo, promovido pelo Partido que eu militava. Bem, estávamos todas reunidas, um grupo de mulheres de vários setores e extratos diferentes da classe trabalhadora e num determinado momento conversávamos sobre o trabalho doméstico e seu caráter opressor e explorador (como dizemos o trabalho domestico é a mais valia do patrão sobre a mulher do operário, pois já que existe alguém que lava, passa, limpa, cozinha e trepa com operário de graça, o patrão se isenta de acrescentar essas despesas no custo do salário); lá pelas tantas, uma camarada bancária disse a seguinte frase: nunca aprendi a cozinhar, lavar, limpar a casa ou pregar um botão, e neste momento a dirigente do curso perguntou para ela: mas alguém faz isso na sua casa correto, e quem é que faz, a bancária respondeu: "minha" empregada. E disse isso, com um orgulho inigualável, finalizando assim: eu não sou mulher para fazer esse tipo de coisa, não nasci para isso, nasci para trabalhar (detalhe viu, trabalho doméstico não é trabalho, trabalho mesmo é o dela no banco) e não pregar botão.
Ok. 99% das mulheres que tenho contato no meu facebook se indignaram com essa questão do saber pregar botão como uma das principais tarefas das mulheres, mas nesse mundo, alguém tem que pregar o botão né mesmo? E quem é que prega o botão enquanto as feministas modernas discutem a libertação sexual no boteco entre uma cervejinha e outra????? Uai, as mulheres pobre e negras que por sua condição de lupén fazem do trabalho doméstico seu oficio. E para quem nunca precisou exercer esse oficio, a submissão é principio fundamental: ser piamente submissa aos gostos e desejos da patroa, que certamente acha que limpar o ladrilho com cotonete é algo essencial para a higiene da casa. 
Perceba que no vídeo  todas são brancas, devidamente maquiadas e vestidas com toda a pompa necessária a posição que ocupam, e certamente elas também não sabem pregar um botão; mas cabe a elas como pastoras ensinar suas discípulas, que certamente são de outra classe social ou mais pobres a como sem portar. Claro, que as religiosas do vídeo, defendiam para elas também essa submissão, afinal é um dos principais princípios cristãos. Mas, essa necessidade da mulher submissa, extrapola esse limite do templo e esta muito firme em nosso inconsciente e cotidiano.
Outro exemplo, sobre como a submissão está conosco lado a lado todos os dias de nossa vida, está localizado nas bancas de jornais e revistas e atende por nome de revista de assuntos femininos, também conhecida por NOVA, MARIE CLAIRE, GLOSS, BOA FORMA e afins. 
Bem, quem lê o blog sempre deve se perguntar qual meu problema com essas revistas. E eu digo: a quantidade de merda ideológica que constam em suas páginas e a quantidade de mulheres ditas modernas que leem essas ideologias, e que interiorizam esses conceitos sem nem perceber. E, não por acaso, justamente o conceito de submissão. Nós somos ensinadas a sermos submissas desde o óvulo, passando pela escola com os contos de fadas e isso vai sendo inculcado em nós até a morte: filmes,novelas, livros (poxa, esse tal de 50 tons de qualquer coisa, é um manual horrendo a submissão), series de tv, reality shows, religião, revistas, pornografia e etc.
Absolutamente tudo que for feito pela indústria cultural voltado para homens e mulheres, terá um toque ideológico da submissão como pano de fundo. Absolutamente tudo.
E então, chegamos no terceiro ponto, meu velho e chato argumento que homem gosta mesmo é de mulher submissa. Nem é tão culpa deles isso, afinal, foram educados numa sociedade que diz o tempo todo que a mulher é menos que o homem (mas menos no sexo, não podemos esquecer o poder da Pandora). Musicas como a da Amélia, a pornografia, a publicidade (como na maioria das profissões, o meio publicitário também é majoritariamente masculino), reforçam essa concepção. 
Um bom exemplo? Comercial de cerveja: o foco é os homens, as mulheres estão ali só para azarar. Isso só reforça o imaginário popular que homem vai pro boteco para espairecer, discutir futebol, falar de politica; mulher não, ela vai para paquerar com as amigas. Qualquer reportagem de qualquer jornal que envolva boteco,  é sempre essa a caracterização da matéria. Mais um bom exemplo ideológico da mulher submissa: a mulher submete sua vida, sua rotina ao homem, seja para alimenta-lo, vesti-lo, satisfaze-lo, adora-lo. 
Poxa, a gente não pode ir pro boteco discutir feminismo? Claro que não, se um grupo de mulheres forem vistas desacompanhadas de machos em um boteco, é obvio que elas estão lá para paquerar e são obrigadas a ouvirem as cantadas mais estupidas e nojentas e sorrirem felizes por serem desejadas. 
Qualquer pessoa é contra a forma de submissão proposta pelas religiosas, é ultrajante em pleno século XXI, até os homens são contra. 
Mas, e contra a submissão politica, cultural e econômica? Dessas submissões, quant@s são contra?