sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Eu acho que ser mulher...



Vi essa foto no Facebook. Fico pensando quem escreve uma idiotice dessa. E o pior, em mulher que compartilha e tem mulher que curte,e ainda posta comentário escrito: somos foda!.
É uma tentativa de valorizar aquilo que nossa sociedade determina como  os traços da personalidade feminina? Por que se for isso, temos sérios problemas nessas frases. 
Ou será essa foto uma tentativa de nos ridicularizar, oprimir e inferiorizar mais?
Será que todas as mulheres são fofas (carinhosas), complexas (complicadas), malucas (mentalmente incapaz), obsessiva ( é, tipo uma patologia psicológica), sentimos frio (isso ficou confuso,porque acho que todo ser vivo percebe as mudanças climáticas, ou não?), viramos onça (ou seja, nunca podemos ser racionais, porque quando deixamos de ser maluca, complexa, confusa, nos portamos como um animal irracional), mas na verdade somos seres movidos por hormônios e emoções ( logo, não temos nenhuma chance de sermos racionais, e se não somos racionais somos objetivamente inferior ao homem,ser dotado da capacidade plena de raciocinar e decidir, correto?), inventamos a doçura (será que foi a mulher que inventou o açúcar?) , e minha preferida: nós gostamos mesmo de criar e recriar (ou seja, nós gostamos de ser mãe,é de ficar em casa criando receitas novas para nossos homens racionais).
Isso me lembrou,um livro que durante anos foi best seller aqui no Brasil, chamado Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? - uma visão cientifica e bem humorada de nossas diferenças, escrito por dois charlatães, quero dizer, pesquisadores  norte americano.
Veja,o livro é uma tentativa de explicar cientificamente as diferenças entre homens e as mulheres e pretende promover a paz entre os sexos, propondo que cada um aceite suas características biológicas, ou seja, a tese central do livro é que homens e mulheres são diferentes biologicamente e que nada pode mudar isso.
De todas as besteiras da foto acima,e de todas as coisas idiotas e absurdas que o livro aborda, a que mais me incomodam é a naturalização da maternidade.
A forma como ambos tratam a maternidade como algo completamente natural a mulher. Como se uma das características das mulheres, ou a principal coisa que faz da mulher mulher é a maternidade, isso claro depois de ter um homem só pra si.
Talvez, eu fique presa a essas duas questões: a maternidade e ter um homem só para si, porque acho que de todas as coisas que me foi ensinado pelas mulheres da minha família e pela sociedade como um todo (novelas, filmes, livros,contos de fada e etc), é que uma mulher de verdade só é mulher quando tem filho e se é capaz de segurar seu homem.
Já discuti isso em outros posts (Santa Puta, Sobre filhos e cachorros),e tenho a impressão que quanto mais tento fugir disso, mais isso me persegue.
Acho muito fascinante,quando mulheres que conhecem meu companheiro, dizem para ele: posso ser melhor que sua mulher! Não seria mais simples,se ela só fosse o que ela é? Porque essa necessidade mortal de competir e ser melhor, ver quem fica com o macho primeiro, quem cuida do filho melhor, quem é mais magra, mais bem vestida, mais descolada? 
Lógico que a competição está na pauta do dia do capitalismo, todos somos competitivos. Mas se um cara perder uma mina pra outro cara, ela era puta. Se uma mina perde um cara pra outra mina, ela não foi mulher de verdade. Somos sempre a culpada.
Em todos os lugares, em cada pedacinho do cotidiano, está lá a dose diária de submissão e subserviência.
Eu acho que ser mulher é algo que precisa ser revisto e repensado pelas próprias mulheres.
Para começar a pensarmos isso, indico três filmes Tomboy, A fonte das Mulheres e A Vênus Negra 
São três histórias diferentes, de diferentes tempos e partes do mundo. Histórias fortes e tristes : dor,sofrimento,perda, angustia, humilhação, violência...
São histórias de mulheres comuns. História reais ou que podem ser reais.
Histórias que dizem o que é ser mulher em qualquer tempo, em qualquer lugar.