terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Filme Indicação: J. Edgar (2012)


Não sou uma especialista de cinema (na verdade male mal sou especialista em alguma coisa, talvez em vagabundice).
Mas, mesmo assim, gosto muito de cinema, e escolho filmes para assistir como quem escolhe a melhor comida pra ser devorada. 
Este filme do Di Caprio é muito bom. Uma das melhores atuações dele que já assisti. A dobradinha Clint Eastwood e Di Caprio ficou muito boa.
De fato,o que me chamou a atenção no filme (além das ótimas cenas, envolvente história e excelente atuação), é o conflito secundário (ou não), que envolve o J. Edgar (protagonizado pelo Di Caprio).
Antes deixa eu explicar a história do filme: esse cara o J. Edgar foi o criador do FBI, isso, nos anos 10 do século passado. O filme inicia com os ataques dos anarquistas italianos a alguns políticos norte americanos (a mesma situação do filme Saco e Vanzzeti), a ameaça revolucionária era tão grande ao EUA naquele período, que eles criam uma divisão secreta para combater tais ameaças; e é ai que surge a figura do J. Edgar. Poderosíssimo,  chantageava todo mundo pra ter o que queria e poder estruturar tudo o que hoje sabemos ser o FBI.
O conflito secundário a que me referi,é o fato dele ser homossexual. Não é uma coisa explicita no filme, mas a medida que a história se desenvolve, torna-se nítida a homossexualidade do personagem principal.
Tem uma cena do filme, em que o J. Edgar está num quarto do hotel com seu assistente e ele diz pro assistente que vai se casar (ah,os dois estão de roupão e parece que acabaram de tomar banho), rola uma briga feroz por ciúmes, e o final o J. Edgar grita: não vá embora, eu te amo!
Ali, naquele momento, eu me dei conta o quão terrível é o conceito de heteronormatividade: ele amava sinceramente o outro, mas não podia manifestar este amor, não podia tocar ou beijar o ser amado em público e não podia vivenciar a experiência completa desse amor.
Ao longo do filme ele cria formas de manifestar esse afeto sincero, são formas confusas e doloridas.
Pela primeira vez na minha vida, entendi, o conceito de "sair do armário" - porque o armário sufoca, esconde, nega, oprime.
Não sou homossexual, e nem imagino o horror que deve ser negar a si mesmo, mas penso que vale a pena ver o filme, observar essa questão e pensar: e se fosse comigo?
Fica a dica para as férias!