sábado, 5 de janeiro de 2013

Mais valia do lar



Talvez, muitas mulheres ou homens que leiam esse escrito, não compreendam o quão degradante e opressor é o trabalho doméstico,e até achem que estou exagerando, afinal alguém tem que lavar, passar e cozinhar, e isso é muito nobre não é mesmo?  Todo mundo precisa de casa limpa, comida e roupa não é mesmo?
Mas façamos um exercício. Vamos imaginar, que não houvessem as mulheres para cuidar da casa, dos filhos e dos doentes gratuitamente. Vamos imaginar que os patrões tivessem que pagar para alguém realizar essas atividades.
Quanto se cobra para cuidar de uma criança, decentemente? Incluindo as noites de sono perdidas amamentando , os cabelos brancos de preocupação, o esgotamento de nervos com as birras infantis, as horas cozinhando papinha e trocando fraldas? Uns 800 reais é o suficiente? Digamos que sim.
Quanto se cobra para lavar louça, cozinhar, limpar a casa, lavar a roupa, passar a roupa, tirar o pó, limpar os armários e os azulejos, lavar o banheiro,aspirar a casa duas vezes por dia, aguar as plantas, organizar os brinquedos,arrumar os lençóis, trocar o lixo e as toalhas do banheiro, fazer a lista de compra e de feira, ir ao mercado, arrumar as capas do sofá? Uns 1000 reais é suficiente? Digamos que sim.
Quanto se cobra para levar um doente ao médico,tirar sua temperatura de hora hora em hora,administrar a medicação na dosagem e horário correto, dar banho,trocar as fraldas, cuidar do bem estar do doente? Uns 1200 reais é suficiente?Digamos que sim.
Quanto se cobra para levar as crianças na escola, acompanhar a lição de casa, ir nas reuniões de pais, costurar o uniforme,verificar se tem as coisas do lancinho  arrumar a bolsa e a lancheira,resolver as brigas com os coleguinhas,consolar pelo fim do namorico, levar no cinema, buscar da balada? Uns 800 reais? Digamos que sim.
Agora, quanto sairia se fossemos pagar mensalmente para cada mulher que executa todas essas tarefas um salário? Ela receberia um salario bruto de 4600 reais,porém, devo lembra-los que esse é um trabalho que não tem adicional noturno, nem adicional por insalubridade,sem ferias,folgas, descansos, horário de almoço. São 24 horas por dia, 168 horas por semana, 720 horas por mês, 8.760 horas por ano, durante toda a vida adulta de qualquer mulher que tenha filhos e não possa pagar para alguém fazer aquilo que culturalmente se destinou como sua função no modo de produção capitalista.
O trabalho doméstico não remunerado,desqualificado, desrespeitado, desvalorizado,porém, extremamente necessário para que os trabalhadores consigam produzir cada vez mais, nunca é criticado ou teorizado pelos  marxista e pelas feministas.
O trabalho doméstico é uma especie de mal necessário, mesmo que seja algo completamente alienante para a mulher.
Se estivermos numa roda de bate papo com intelectuais, e uma mulher disser que sabe cozinhar ou lavar,a olham com cara de: grande coisa. Mas, quando um ilustre intelectual,abre a sua magnifica boca,e diz que sabe cozinhar, já se ouve: oh, fulano cozinha, que magnifico, que belo, que homem.   
Isso sempre me deixa irritadíssima,e eu sempre me pergunto: porra por que até nisso, os homens são mais valorizados. Ele não deveria saber cozinhar uai, como todo mundo deveria, homens e mulheres?
Mas é como,se ele saísse da sua grandiosa pose de racional e objetivo,e se permitisse fazer uma coisa tão simplória e coisificada como cozinhar, e isso faz dele uma pessoa altamente evoluída.
Quem desenhou a tirinha acima, teve uma excelente sacada (e eu espero que tenha sido uma mulher), por que todas nós somos oprimidas e/ou exploradas nesta sociedade. E,os homens, sempre levam vantagem disso. Quer eles queiram ou não.
Conheço homens coerentes com suas posições políticos e ideológicos, mas ainda assim, só são coerentes, porque suas companheiras exigem essa postura fazendo com que eles assumam o trabalho doméstico e o cuidado com os filhos/as como uma tarefa politica também.
Qual o meu desejo de ano novo?
Mais coerência e consequência por favor, principalmente entre os revolucionários e as revolucionárias de bom coração.

Ps: Uma boa dica de leitura,é o livro Se me deixam falar... de Moema Viezzer.