sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mesmo que seja eu...



A vida podia ser como música.
Nas letras de música até a decepção amorosa é leve.
Tenho demorado mais para escrever no blog, por que me irrita esse gente chata que fica me corrigindo e dizendo o que devo escrever e como devo escrever.
O blog é um espaço pessoal, quem quiser ler que leia, fico feliz quando as pessoas curtem e se identificam com as minhas brisas,mas não estou escrevendo aqui uma tese de doutorado e nem um artigo.
São só reflexões de uma cabeça pensante.
Foi por isso que fiz o blog, e pretendo doravante voltar a esse objetivo.
Por esses dias estive pensando, como não passamos de sombras.
Somos uma mancha, um borrão,do que poderíamos ser como seres humanos, como civilização.
De todos os compositores da MPB eu acho o Cazuza o mais inteligente. Não que ele tenha feito músicas como o Chico Buarque, mas pela sagacidade e sinceridade doida de suas letras.
É como se os olhos do Cazuza vissem o mundo como ele é,  e suas mãos o descrevesse com a mesma sinceridade de seu canto desafinado.
Mesmo quando fala de amor, ele fala da verdade sobre o amor como ele é.
Primeiro, eu não sei se existe o "amor" realmente e nem a tal "felicidade" que tanto falam. Acho que isso é mais criação da industria cultural para poder nos vender esses produtos,do que qualquer outra coisa.
Poucas pessoas tem relacionamentos estáveis e bem sucedidos, a maioria das pessoas tem relacionamentos que são em boa dose frustados ou completamente sem sentido: violentos, desrespeitosos, se sentem rejeitados e insatisfeitos.
Mas,os grandes romances da história da televisão, música,cinema,teatro,literatura vem nos ensinando a séculos e séculos que o amor é assim, não é mesmo?
O que sempre me pergunto às vezes é quem deve forjar quem: a realidade deve forjar o imaginário ou o imaginário deve forjar a realidade? Será que eles devem emergir de uma relação dialética, da tensão entre ambos?
O que vejo no cotidiano é que o imaginário formata de tal forma a realidade que não conseguimos distinguir mais as coisas, e separar o joio do trigo como diz o ditado.
Eu penso,que em partes isso acontece por que deixamos de nos tornar indivíduos,  ou seja, no nosso processo de formação ao longo da vida não nos diferenciamos mais dos outros: ao invés de querer ser diferente da estrela global ou do novo intelectual da moda, fazemos tudo para ser igual: falamos igual,nos vestimos igual, tentamos ser exatamente igual.
Qual o motivo de revistas como a caras vender tanto? Simples, lá eles mostram como os astros vivem, como é a casa, como é a comida, como é a roupa.
E a gente que vive a realidade, se frusta por que não pode ser igual, e ai fica doente, entra em depressão, se enche de droga,cerveja, pra vê se assim, pode esquecer a vida fudida que leva.
Acho isso muito complexo,ao mesmo tempo que é tudo muito simples. O problema do capitalismo não é só a exploração e nem a divisão social do trabalho (embora uma coisa leve a outra), o grande problema do capitalismo é o que a exploração e a divisão social do trabalho fez com a gente.
Essa é a grande questão.
Já que eu comecei falando de música, termino aqui com uma música, uma das minhas preferidas do Cazuza:



"São 7 horas da manhã
Vejo Cristo da janela
O sol já apagou sua luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas dos pontos de ônibus
Procurando aonde ir
São todos seus cicerones
Correm pra não desistir
Dos seus salários de fome
É a esperança que eles tem
Neste filme como extras
Todos querem se dar bem"

Um trem para as estrelas - Cazuza