sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vamos falar de nós, meu bem!


A algum tempo, venho estudando a opressão da mulher,a partir do viés da Teoria Critica da Sociedade. Para quem não conhece, a Teoria Critica da Sociedade não é uma linha ligada aos neo- marxistas, nem ao pós modernismo.
Os frankfurtianos se dedicaram a estudar o individuo moderno, e para isso utilizam toda a escola filosofica alemã, com enfase me Marx e os escritos freudianos, pelo fato de Freud ser um dos pensadores que melhor traduziu o individuo moderno. 
Nessa relação dialética e histórica, tenho conseguido pensar algumas outras nuances da opressão da mulher. 
Penso, que a grande contribuição que a Teoria Critica possa trazer, seja o fato de pensar os processos de constituição do conceito de mulher. Na modernidade, o conceito de mulher emerge com a ideia da mulher para a vida social produtiva, tanto crianças quanto mulheres,eram sujeitos sociais que surgiram com a industrialização, e do ponto de vista conceitual, a definição utilizada foi a relação de diferenciação desses novos sujeitos para o individuo absoluto, o homem. 
Sendo assim, no processo da alteridade, a mulher passa a ser o não homem. E, portanto, passa a ser conceituada com todas as características opostas ao individuo pleno, o homem. Essa construção da mulher como um não homem, portanto como um individuo incompleto, é uma construção ideológica  que ao longo dos processos políticos culturais-econômicos da modernidade, essa concepção foi se afirmando e se corporificando.
A luta contra o machismo, não é só uma luta só campo das relações econômicas  é sobretudo uma luta no campo da ideologia e da cultura. 
Socialmente, a mulher só é mulher se estiver na presença do homem (essa não é a minha opinião, é apenas a forma como o conceito de mulher foi construído) . Comerciais de televisão, propagandas de revistas, filmes, novelas, seriados, revistas,sempre que a mulher aparece, ela esta associada a imagem do homem, como se ela fosse uma especie de um não homem. Se o homem é másculo? A mulher deve aparecer como frágil. Se o homem não é sexy? A mulher deve aparecer como sexy. E assim por diante. 
No livro Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer, vão dizer que na cisão entre homem e natureza, a mulher foi deixando no campo das coisas naturais,e como natureza, precisava ser dominada, e assim, a mulher foi inscrita nos processos civilizatórios.
Por sua vez, a cultura naturalizou tanto isso, que lutar contra a opressão, é necessário uma luta contra nossas próprias crenças. Em um texto meu sobre o caráter afirmativo da cultura (publicado aqui), ou seja, sobre a função da cultura em afirmar a ideologia burguesa, pontuei que as mídias em geral, desde os contos de fadas infantis, passando pelas brincadeiras e terminando nos romances adultos, afirma de forma sutil, portanto ideológica, que a mulher é assim, inferior ao homem, de modo simples, esse discurso é construído.
Acho, e tão somente acho, que um dos desafios para as feministas contemporâneas, é conseguir avançar nas discussões feministas marxistas clássicas, no sentido de ampliar a compreensão sobre os processos contemporâneos de opressão da mulher.
Talvez hoje seja mais difícil falar de feminismo, já que ao que tudo indica existem vários feminismo, de todos os tons e tamanhos, mas é preciso continuarmos remando contra a maré, como diria uma camarada feminista.