quarta-feira, 6 de agosto de 2014

SÓ MINA CRUEL: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE GÊNERO E CULTURA AFIRMATIVA NO UNIVERSO JUVENIL DO FUNK



RESUMO:

O presente trabalho é parte integrante da dissertação de mestrado da autora. Têm por objetivo refletir sobre as relações de gênero entre jovens pobres moradores da periferia da Cidade de São Paulo, e parte do discurso narrado nas letras de FUNK escritas e ouvidas por esses jovens. Parte das reflexões de Herbert Marcuse e Theodor W. Adorno (Teoria Crítica da Sociedade) sobre o caráter afirmativo da cultura e formação, buscando considerar as relações de poder e dominação presente na sociedade moderna de base tecnológica, e quais são as formas que a opressão e a exploração sobre a mulher a partir da cisão entre razão e sensibilidade e o controle da natureza, se materializam no discurso presente no FUNK e nos espaços de relação entre os gêneros na nossa sociedade. A metodologia empregada foi a analise de 21 letras de FUNK veiculadas nos meios de comunicação (rádio e televisão) através de programas voltadas para o público juvenil da classe popular e a análise desse material a luz das contribuições da Escola de Frankfurt sobre formação, cultura e racionalidade tecnológica. As considerações apontam no sentido de que tais jovens (produtores e consumidores do FUNK enquanto produto cultural da sociedade de massas) reproduzem em seu discurso as mesmas relações de opressão e submissão em que a mulher é submetida ao longo do processo civilizatório, mesmo que revestido de uma pseudoliberdade aparente na exacerbação da sexualidade feminina e do "direito" das jovens em usufruir do prazer que seu corpo pode lhes proporcionar. Fica evidente, que há então, uma perversão deste discurso em prol da figura masculina no universo do FUNK, o que não difere dos demais espaços sociais, onde apesar do avanço crescente da mulher no mercado de trabalho, seu corpo (seja através da maternidade, da sexualidade ou da estética) ainda está sujeita aos desejos do patrão, do marido, do namorado, do cafetão e do conjunto de toda a sociedade burguesa imersa na ideologia do patriarcado.




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